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A biblioteca está instalada no interior da livraria portuense e conta com 100 obras proibidas, censuradas ou que suscitam o debate.

É na Livraria Lello, um dos locais preferidos de Dua Lipa – que mereceu até referência num roteiro feito em parceria com o Google Maps – que a cantora, fundadora do Service95 Book Club, vai abrir uma biblioteca permanente dedicada a livros que desafiam o poder, a censura, a exclusão e as narrativas dominantes. A Manifesto Library (em português, Biblioteca Manifesto) estará instalada no novo auditório cultural projectado por Siza Vieira, dentro da livraria portuense, e foi inaugurada este sábado, dia 27 de Junho.
Neste espaço vivem 100 obras que foram, de alguma forma, proibidas, censuradas, alvo de contestação pública ou que continuam a suscitar o debate em torno de temas como a identidade, a liberdade de expressão, a questão racial, o género, a memória e o poder político. The Handmaid’s Tale, de Margaret Atwood, e Felon, de Reginald Dwayne Betts, são alguns dos livros que por aqui se encontram, organizados em quatro categorias: poder, controlo, voz e memória.
Neste novo espaço o tempo é a chave. Cada leitor poderá percorrer as diversas estantes repletas de livros – disponíveis em diversos idiomas – sentar-se na estrutura de madeira e ler e folhear cada título sem pressa ou obrigações. “Os livros continuam a desafiar-nos, obrigam-nos a parar, a discordar, a perder tempo e a interpretar. Num auditório como este, onde vamos ter conversas e onde queremos ter tempo, tinham que estar as ferramentas que nos permitam fazer essas questões: os livros”, explica à Time Out Francisca Pedro Pinto, directora da marca Livraria Lello, acrescentando que a parceria com o Service95 surgiu numa altura em que a livraria se questionava sobre o que poderia fazer para dar continuidade à sua mensagem e como chegar ao maior número de pessoas, aliada a “uma paixão por livros que é partilhada com este clube de leitura”.
Já a Livraria Lello, refere Dua Lipa em comunicado, “é o lar perfeito para a Manifesto Library”, uma vez que há mais de um século que “tem sido uma fonte de inspiração para radicais, escritores e leitores“. A cantora fundou em 2023 o Service95 Book Club, um clube de leitura que tem o objectivo de se tornar “uma casa para escritores e leitores, onde quer que estejam e quaisquer que sejam as suas circunstâncias“.
Na Manifesto os livros não estão organizados por nacionalidade ou por ordem cronológica, mas sim por quatro categorias: Controlo, com obras que explicam os mecanismos de controlo que, directa ou indirectamente, conseguem influenciar uma sociedade; Poder, com livros que foram censurados, proibidos e contestados por questionarem quem detém o poder; Voz, que dá espaço a vozes que, ao longo do tempo, foram marginalizadas ou silenciadas; e Memória, com livros que preservam aquilo que o tempo, o poder ou a violência procuram apagar. Entre as diversas obras, há livros de autores internacionais, mas também nomes portugueses, como Valter Hugo Mãe, Lídia Jorge e José Saramago.
“Ler o mundo aproxima-nos – mas, infelizmente, nem todos são a favor disso”, acrescenta a cantora, explicando que neste novo espaço vão estar 100 livros que colocam questões ou que foram questionados: “Alguns foram proibidos por escolas devido a temas raciais ou relacionados com sexualidade, outros, escritos para leitores LGBTQIA+, foram impedidos de serem expostos. Em alguns casos, o autor pagou pelas suas palavras com a própria vida. Esta biblioteca é um santuário dedicado aos livros que desapareceram, aos autores cuja coragem desmascara estruturas de poder e controlo, e aos leitores que se recusam a que lhes digam que livro podem ler”.
O espaço foi inaugurado este sábado, no âmbito do festival literário Babell, que até 29 de Junho ocupa as ruas e praças do Porto com diversas iniciativas relacionadas com o livro e conversas com escritores nacionais e internacionais.
Rua das Carmelitas, 144 (Porto). Seg-Dom 09.00-19.30. 15€ (descontados na compra de um livro)
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