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Em Abril, nasce em Braga o MUZEU – Pensamento e Arte Contemporânea dst

A colecção conta com mais de 1500 obras de 240 artistas nacionais e internacionais, de Pablo Picasso a Paula Rego.

Mariana Morais Pinheiro
Escrito por
Mariana Morais Pinheiro
Directora Adjunta, Porto
MUZEU  – Pensamento e Arte Contemporânea dst em Braga
©DR | MUZEU – Pensamento e Arte Contemporânea dst em Braga
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A partir de Abril, a arte contemporânea instala-se, com mais expressão, na cidade de Braga. O MUZEU – Pensamento e Arte Contemporânea dst tem inauguração prevista para o mês da Revolução dos Cravos. Com morada no coração da cidade minhota, promete ser um espaço dedicado à arte contemporânea, à filosofia e ao debate público, com o objectivo de estudar e valorizar a colecção de arte contemporânea, criada ao longo das últimas quatro décadas, pelo presidente do dstgroup, José Teixeira. No comunicado enviado às redacções, apresentam-na como sendo uma “das mais significativas colecções privadas de arte contemporânea em Portugal”.

E há razões para isso. A colecção conta com mais de 1500 obras de 240 artistas nacionais e internacionais, com nomes tão sonantes como Pablo Picasso, Anselm Kiefer, Nan Goldin, Richard Long, Candida Höfer, André Butzer, Sue Webster & Tim Noble, Caio Reisewitz, Jason Martin, Paula Rego, Helena Almeida, Pedro Cabrita Reis ou Julião Sarmento, entre muitos outros, cujas obras contam com uma “forte dimensão poética, filosófica e política, abordando questões como memória, poder, identidade, trabalho, resistência e Liberdade”.

MUZEU  – Pensamento e Arte Contemporânea dst em Braga
MUZEU – Pensamento e Arte Contemporânea dst em BragaO MUZEU será inaugurado em Abril de 2026

Os ciclos e as exposições

E por falar em liberdade, o primeiro ciclo de programação do MUZEU, que decorrerá de 23 de Abril a 31 de Outubro de 2026, será “Abrir Abril”. Assinalará o aniversário da Revolução e reflectirá sobre “a revolução como um momento de ruptura e transformação colectiva”, num “momento de tensões sociais, políticas e ambientais”. Já a exposição inaugural “Sejamos realistas, exijamos o impossível”, que será possível visitar entre 23 de Abril de 2026 e 23 de Outubro de 2027, vai contar com 3000 metros quadrados, distribuídos por quatro pisos, com mais de 100 obras de 96 artistas – 40 portugueses e 56 internacionais –, provenientes da Colecção de Arte Contemporânea do dstgroup. O título da mostra faz referência aos protestos estudantis parisienses de 1968.

Esta, além dos artistas já referidos, conta também com obras de Alex Katz, Ana Vidigal, Annie Leibovitz, Eduardo Batarda, Fernão Cruz, Gary Webb, Isabel Muñoz, Jean-Baptiste Huynh, Julian Opie, Manuel Rosa, Muntean & Rosenblum, Peter Zimmermann, Rui Chafes e Rui Sanches, entre muitos outros. Haverá ainda um espaço permanente para as obras do artista Anselm Kiefer, presença fundamental na colecção de José Teixeira. A curadoria está a cargo de Helena Mendes Pereira, directora, curadora e programadora artística. 

O espaço é composto por quatro pisos de exposição e um auditório
©DRO espaço é composto por quatro pisos de exposição e um auditório

“O MUZEU irá funcionar como um fórum aberto para a filosofia e para a arte, com um programa que reúne uma ampla variedade de intervenientes, através de exposições, palestras, performances e música, reforçando o papel do museu como espaço de intervenção e promoção cívica e política”, explicam, acrescentando que será também um local de reflexão e inspiração para os 3000 funcionários do dstgroup, grupo com grande expressão nacional sobretudo nas áreas de engenharia e construção.

A reabilitação e a inauguração

O MUZEU ocupa agora o antigo Tribunal Judicial de Braga, no centro histórico, e foi projectado pelo arquitecto bracarense José Carvalho Araújo, que o transformou num espaço de cinco andares, com quatro pisos de exposição e um auditório, onde foram integrados importantes legados arquitectónicos, como a mais antiga secção de muralha da cidade, que começou a ser construída no século XIV, e um poço da mesma altura.  

Vai ser possível visitar tudo isto gratuitamente durante a semana de inauguração, que arranca no dia 25 e vai até dia 30 de Abril, e que contará também com a revelação de uma nova obra site-specific na fachada do museu, da autoria de José Pedro Croft. Para o dia da inauguração, prepara-se uma visita guiada coreografada à exposição, desenvolvida em colaboração com a Companhia Nacional de Bailado; e a estreia de O Círculo das Contas de Filigrana Dourada: Ligações Históricas entre a Bahia e Viana do Castelo, uma performance de Rita GT, criada em colaboração com os conjuntos vocais Cantadeiras Ohùn Obìnrin e Cantadeiras do Vale do Neiva, que reúne as tradições vocais afro-brasileiras e do norte de Portugal, “num diálogo transatlântico que destaca histórias partilhadas, património oral e memória colectiva”.

O novo museu ocupa o Antigo Tribunal de Braga
©DRO novo museu ocupa o Antigo Tribunal de Braga

No dia anterior, a 24 de Abril, o museu abre exclusivamente para os funcionários do dstgroup, que terão acesso gratuito permanentemente, tal como estudantes, professores, artistas e profissionais da cultura. Já os restantes visitantes podem aproveitar o “Vêm à Quinta-feira”. Neste dia da semana, o museu terá horário alargado, para privilegiar públicos de trabalhadores, famílias e comunidades locais, e entrada gratuita durante todo o dia.

Paralelamente ao programa expositivo, o MUZEU contará com uma “programação contínua de conferências, performances, concertos de jazz, sessões de escuta, oficinas de filosofia para crianças e visitas guiadas durante a semana inaugural, integradas no programa mais extenso que marcará os primeiros meses do novo museu de Braga”, remata o comunicado. 

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