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Entre o colapso e a esperança, FITEI ocupa Porto, Matosinhos e Gaia com 16 espectáculos

A 49.ª edição do Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica decorre entre os dias 13 e 24 de Maio, com o tema "Colapso e Esperança".

Ana Catarina Peixoto
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Ana Catarina Peixoto
Jornalista, Porto
'Suplicantes'
@ Teresa Pacheco Miranda | A programação do FITEI arranca nos dias 13 e 14 de Maio, com 'Suplicantes', um espectáculo da estrutura Cassandra
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O teatro vai voltar a invadir as cidades do Porto, Matosinhos e Vila Nova de Gaia durante 12 dias, sempre de olhos postos na actualidade em todo o mundo. Sob o tema "Colapso e Esperança", há 16 espectáculos – 12 nacionais e quatro internacionais – para ver na 49.ª edição do Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI), que decorre entre os dias 13 e 24 de Maio. 

“As coproduções e criações apresentadas atravessam questões urgentes – da imigração ao trabalho, da habitação às memórias de luta, das formas de organização colectiva às violências históricas e contemporâneas – sem nunca se fixarem numa única leitura. Pelo contrário, propõem dispositivos que desestabilizam, deslocam e reconfiguram o olhar, convocando o espectador para uma posição activa”, explica Gonçalo Amorim, director artístico do festival, citado em nota de imprensa, acrescentando que a programação deste ano “não se apresenta como oposição estável, mas como campo de forças em permanente negociação”. 

Uma agenda cheia de espectáculos

A programação do FITEI arranca nos dias 13 e 14 de Maio, com Suplicantes, um espectáculo da estrutura Cassandra, imaginado pela dramaturga portuense Sara Barros Leitão, que vai estar no Teatro Campo Alegre. A peça olha para a tragédia de Ésquilo, que retrata uma travessia de barco com pessoas que fogem de um destino fatídico, a viagem pelo mediterrâneo e ainda o pedido de asilo num país do Sul da Europa. Já na quinta-feira, dia 14 de Maio, o Teatro Nacional de São João recebe a estreia nacional de El Trabajo, do argentino Federico León, com um espectáculo inspirado na experiência do encenador e dramaturgo enquanto professor e que retrata a busca pela experimentação na própria pele, “tornando a sua prática docente numa espécie de laboratório”.

'El Trabajo'
@ Wo Portillo'El Trabajo', do argentino Federico León

No CACE Cultural, entre os dias 14 e 16, estará o espectáculo interactivo Comer a Terra, onde o público é convidado a reflectir sobre algumas questões que deixaram marcas profundas em povos indígenas e na humanidade, desde a disputa pelas especiarias ao impacto da crise climática. Também a co-produção Bossa Nova estreia no Teatro Rivoli, a 14 e 15 de Maio, com um espectáculo a solo de Tita Maravilha, que mostra como a Bossa Nova deixa de ser um mero género musical e torna-se num acto de consciência de classe. Ainda ao longo destes dois dias o Teatro do Bolhão recebe O Nome, uma peça encenada por Nuno Cardoso, onde uma família fraturada é posta à prova com o regresso da jovem filha grávida. 

'Comer a Terra'
DR'Comer a Terra' ocupa o CACE Centro Cultural entre os dias 14 e 16 de Maio

Se estiver por Matosinhos, o Teatro Constantino Nery vai receber, a 15 e 16 de Maio, o regresso dos Hotel Europa ao FITEI, com Habitar, um espectáculo que reflecte sobre a crise actual da habitação a partir de testemunhos recolhidos. Também neste teatro estará a dramaturga galega Lorena Conde, que se junta a Raquel S. para uma criação onde explora a lenda da guerrilheira galega Chelo. A Fortaleza está em cena nos dias 22 e 23 de Maio. 

Da comédia à performance

De regresso ao FITEI está também o espectáculo de Joana Craveiro e do Teatro do Vestido: Desver, que vai explorar, no Teatro Campo Alegre, de 16 a 17 de Maio, a ocupação da Palestina, presenciada numa viagem que a própria dramaturga fez em 2024. No mesmo teatro e nos mesmos dias, acontece também descobri-quê?, uma peça do performer Dori Nigro e da Estrutura, que procura um confronto com o passado colonialista português. 

'descobri-quê?'
@ Filipe Ferreira'descobri-quê?' é um espectáculo do performer Dori Nigro e da Estrutura

Na segunda semana do festival dá-se também o regresso do espectáculo Há Qualquer Coisa Prestes a Acontecer, uma coreografia de Victor Hugo Pontes onde o corpo é o símbolo de uma liberdade maior e que será apresentada entre 21 e 24 de Maio no Teatro Nacional São João. Destaque ainda para a peça Zombi Manifesto, de Santiago Sanguinetti e da Compañía Abuela Katiusha, que vão trazer ao Teatro Carlos Alberto, a 23 e 24 de Maio, uma comédia sobre traição e vingança, marcada pelo alcance da consciência de classe. 

Ao Auditório Municipal de Gaia, a 22 e 23 de Maio, chega a ópera 18 Months, do Quarteto Contratempus e de Nuno M Cardoso, que examinam a resiliência do espírito humano e a interação complexa entre a esperança, a empatia e as duras realidades conferidas a migrantes que estão fora do seu país de origem. Para encerrar o FITEI, o espectáculo FMI KAPA, de João Branco, do Saaraci Coletivo Teatral e do músico Xullaji, enquanto director musical, vai ser apresentado a 24 de Maio no Rivoli, e cruza teatro, música e performance para dar corpo a questões urgentes do nosso tempo, como a identidade, a desigualdade social e a colonialidade.

FMI KAPA
DR'FMI KAPA', de João Branco, do Saaraci Coletivo Teatral e do músico Xullaji

A programação inclui ainda residências artísticas, iniciativas em espaços não convencionais da cidade e espectáculos criados para as escolas e pode ser consultada na página do FITEI.

Vários locais (Porto, Vila Nova de Gaia e Matosinhos). 13-24 Mai. A partir de 7€

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