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Esqueça as saquetas: a Companhia Portugueza do Chá ensina-o a beber o mundo pela chávena

No novo espaço da Rua da Restauração, o chá não serve para curar gripes, mas sim para viajar entre o Japão e os Açores, através de um ritual que vai querer levar para casa.

Escrito por
Carolina Bessil
Companhia de Chá Portugueza
DR
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Para muitos, o chá ainda é aquele recurso de emergência guardado na despensa para dias de gripe ou má disposição. Mas basta cruzar a porta de madeira e vidro do número 309 da Rua da Restauração, para perceber que, aqui, a conversa é outra. Depois de uma década a educar o paladar da capital, a Companhia Portugueza do Chá abriu finalmente as portas no Porto, trazendo consigo uma curadoria rigorosa de origens e uma estética que nos resgata do frenesim moderno.

"Era uma meta que tínhamos há muito tempo: abrir um dia no Porto", confessa Sebastian Filgueiras, que fundou a marca em 2014. A escolha da localização, estratégica e fora do circuito da "pressão turística" da Baixa, foi um convite dos vizinhos do restaurante japonês Out to Lunch Kitchen. "É uma zona que esteve fechada durante 20 anos, sem comércio. Um convite para renovar uma zona da cidade que é lindíssima, ao pé do Palácio de Cristal e do Museu Soares dos Reis", explica o mentor do projecto, que prefere a calma deste bairro ao caos do centro.

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O "especialista" de chá

Esqueça a ideia de uma ervanária ou de uma mercearia fina. A Companhia é 100% dedicada à Camellia sinensis (a planta do chá) e aos seus acessórios. Sebastian explica que o objectivo é elevar o chá a um patamar semelhante ao do café de especialidade, onde o solo e o clima mudam tudo. "O que nós queremos é que as pessoas percam o medo da preparação e bebam chá de qualidade em casa", afirma, sublinhando que o chá requer uma certa exigência — da temperatura da água ao material da chávena — para que a degustação funcione da melhor forma.

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Do café de rua ao ritual de casa

Apesar da dedicação exclusiva à planta, Sebastian não vê o café como um inimigo, mas sim como um "primo irmão". A filosofia da casa é clara: há um tempo e um lugar para cada despertar. "Queremos que as pessoas continuem a beber o seu café na rua, mas que levem o chá de qualidade para dentro de casa", defende o fundador.

Esta transição para o consumo doméstico exige um paladar atento. "A pessoa que bebe com alguma atenção consegue perceber a complexidade que está por trás. Provavelmente é como nos vinhos: dão-se conta que é comprido em boca, que há toda uma sensação", explica. É essa "informação" sensorial que a marca quer partilhar, transformando o acto de beber chá numa experiência cultural e não apenas medicinal.

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Quanto ao espaço, a loja no Porto é uma viagem visual, inspirada nas antigas firmas de comércio que traziam produtos exóticos para a cidade. Há móveis de gavetinhas em madeira, balanças antigas e uma colecção de bules e acessórios que viaja dos sets de cerimónia japoneses às delicadas tacinhas de porcelana chinesa.

Um Porto Breakfast para "acordar" a cidade

Para celebrar a chegada ao Norte, a marca criou o Porto Breakfast (6€), um blend que procura reflectir o carácter da cidade. Mas não espere uma mistura leve. "O chá tinha de ter as características do Porto. Tinha de ser uma cidade um pouco mais escura, mais complexa, mais densa e não tão luminosa como Lisboa", descreve o fundador. Para chegar a este sabor, Filgueiras traçou um roteiro que atravessa três continentes: a viagem começa na robustez do antigo chá de Moçambique, passa pela complexidade aromática do Yunnan, na China (com as suas notas de cacau e tabaco), e termina com a "pérola" açoriana da Gorreana.

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Além deste, a colecção inclui blends de homenagem, como o que foi criado para os 250 anos de Jane Austen ou o dedicado a Amália Rodrigues, que mistura o Earl Grey preferido da fadista com flores de campo. A ideia é que ninguém saia de lá com dúvidas sobre a preparação, e o plano para o futuro já inclui workshops para ensinar a distinguir as grandes produções artesanais das misturas de pequeno-almoço. Como resume Sebastian: "Não se trata apenas de beber chá... é outro mundo".

Rua da Restauração, 309 (Porto). Seg-Sáb 10.00-19.00.

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