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“Este espaço é um manifesto”. Há uma nova galeria no Porto que dá palco a artistas emergentes

A Helena Rodrigues Galeria nasceu na rua de Santos Pousada. A exposição inaugural "Minha Senhora de Mim" reúne obras de quatro artistas mulheres.

Ana Catarina Peixoto
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Ana Catarina Peixoto
Jornalista, Porto
Helena Rodrigues Galeria
DR | Helena Rodrigues é a responsável da galeria, Sofia Vermelho é a curadora da exposição "Minha Senhora de Mim"
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Helena Rodrigues sempre foi apaixonada por arte, nunca seguiu a área a nível profissional, mas há cerca de 20 anos começou a adquirir obras com o marido e nunca mais parou. A paixão cresceu tanto que Helena decidiu dar um passo em frente e abriu uma galeria de arte no Porto, dedicada a trabalhos de jovens artistas emergentes, focada, numa primeira fase, no mundo feminino, independente e sem amarras. A primeira exposição, “Minha Senhora de Mim”, foi inaugurada no final de Janeiro e evoca o livro e poema homónimo de Maria Teresa Horta, desafiador do pensamento patriarcal e explorador do desejo e da sexualidade feminina.

“Este espaço serve também como um manifesto. Um manifesto do valor do feminino e de artistas emergentes. E é para seguir este caminho de forma independente e livre”, explica Helena Rodrigues, enquanto mostra o espaço que nasceu na rua de Santos Pousada, perto da zona do Marquês. 

Helena Rodrigues Galeria
DR

Pelas paredes de pedra da Helena Rodrigues Galeria, mesmo ao lado da escola de artes Utopia, cada trabalho está colocado com detalhe e precisão. Por aqui pode encontrar obras de quatro mulheres artistas: Ânia Pais, Natacha Martins, Pereira Rute e Sofia Vermelho, que também assume a curadoria do projecto. A exposição inaugural parte do livro publicado por Maria Teresa Horta em 1971, obra que foi apreendida pela PIDE por alegada ofensa “da moral tradicional da nação”. 

O título é aberto a interpretações, precisamente para não fechar leituras sobre o que significa ser mulher. “Estava muito interessada na questão deste livro da Minha Senhora de Mim, porque é um livro que coloca o desejo da mulher em si mesma”, explica Sofia Vermelho, que aceitou o convite de Helena Gonçalves para fazer a curadoria desta exposição, onde também tem obras expostas.

Pereira Rute
DR"Que saudade do que não se pode encontrar", de Pereira Rute

A curadora da exposição (que estará patente ao público até 28 de Março) explica ainda que algumas das questões convocadas por estas criações agora expostas “falam, de várias maneiras, sobre alguma ruptura daquilo que é associado ao ser-se mulher”. Estão presentes temas como a redefinição do espaço doméstico, a disrupção da tradição, o sentido colectivo do feminino, os limites do corpo e do desejo, bem como a desconstrução da beleza canónica.

Uma galeria com um projecto artístico

Em 2019, Helena Gonçalves sentia que precisava de algo que a ajudasse a diminuir os níveis de stress, provocados, sobretudo, pela profissão de advogada que exerce. Decidiu começar a ter aulas de pintura na Utopia e foi aí que passou a ter mais contacto com o mundo artístico (e onde conheceu Sofia Vermelho). Começou também a ponderar fazer outra coisa que preenchesse o seu gosto pela arte. “Pensei em abrir uma galeria. Como venho de uma área completamente diferente, tinha medo de falhar. Sou muito racional, pensei muito na ideia, até que um dia disse: 'vou avançar'”. E assim nasceu uma nova galeria de arte na cidade. 

Helena Rodrigues Galeria
DRA exposição "Minha Senhora de Mim", na Helena Rodrigues galeria

O conceito, explica, era ter “uma galeria que tivesse um projecto artístico e não apenas uma espécie de galeria/loja de quadros”. “Claro que as galerias também só funcionam se venderem, mas não queria nada tão focado nessa parte comercial”, sublinha a responsável. Helena quer fazer da sua galeria um local que dá espaço e liberdade a novos artistas, que muitas vezes sentem dificuldade em conseguirem expor nas galerias. “A maioria expõe trabalhos de artistas mais conceituados e corre menos riscos”, sublinha.

Neste primeiro ano de funcionamento, o foco estará também nos trabalhos que valorizem o feminino: “Apesar de todas as angústias que os artistas têm, sinto-me muito mais feliz a relacionar-me com eles e com as pessoas que gostam de arte. É um meio muito mais positivo do que aquele que eu habitualmente vejo”. A entrada na galeria é gratuita, de terça-feira a sábado, entre as 15.00 e as 19.00.

Rua de Santos Pousada, 1004 (Porto). 96 245 3745 Qua-Sáb 15.00-19.00. Entrada livre 

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