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Este ano, as festas de Viana do Castelo acontecem até dia 23 de Agosto e contam com cortejos, procissões, gigantones e cabeçudos, ranchos de folclore, feiras de artesanato, fogo-de-artifício, concertos e muito mais.

Assim que Agosto chega, Viana transforma-se. As tão aguardadas festas em honra de Nossa Senhora da Agonia enchem a cidade de cor e atraem milhares de turistas e curiosos todos os anos. A mais emblemática romaria do Alto Minho, celebrada desde 1750 – data que assinala os primeiros registos das comemorações –, é vivida intensamente, com uma programação que honra a identidade local, a devoção religiosa, a tradição minhota e a íntima ligação da cidade ao mar. Este ano, as festas acontecem entre 15 e 23 de Agosto e, como já é habitual (e porque aqui festeja-se sempre em grande), contam com cortejos históricos e etnográficos, procissões ao mar, desfiles de mordomas, gigantones e cabeçudos, ranchos de folclore, tapetes de sal, feiras de artesanato, espectáculos de fogo-de-artifício, arruadas e concertos (este ano até há Augusto Canário & Amigos no dia 19, às 21.00). Estes são os pontos altos da grande festa do Minho, que não pode mesmo perder.
A festa começa cedo, há que aproveitar. Viana do Castelo acorda para as festas da Romaria da Nossa Senhora d’Agonia ao som de 12 apoteóticos morteiros por volta das 08.30 da manhã. E assim que as caixas e as tarolas começam a rufar, ao meio-dia, as pessoas saem à rua e concentram-se numa das praças mais bonitas do país – a Praça da República. Prepare-se para andar a furar entre a multidão se quiser ver os grupos de Zés Pereiras ao despique, numa exibição de força, resistência e coordenação: são mais de 200 tocadores que fazem vibrar a cidade, vencendo o grupo que tocar mais e mais alto. A animar o povo estão ainda os cabeçudos e gigantones, feitos com pasta de papel e pintados à mão, que dançam descoordenadamente. Os últimos, com uma armação interior de ferro, chegam a medir quatro metros e a pesar uns 30 quilos. Esta concentração é uma espécie de aquecimento para o que aí vem. E não é pouco.
Há chieira (que, por estes lados, significa vaidade) por toda a parte. Viana do Castelo é a cidade mais bonita e mais vaidosa do Minho quando chega Agosto e as festas começam a acelerar o coração das pessoas. O Cortejo Histórico e Etnográfico é um dos pontos altos das celebrações, de tal forma imperdível que os moradores plantam cadeiras na rua durante a madrugada para garantir um lugar privilegiado no dia seguinte. O trabalho de quem desfila começa muito antes, nos armazéns onde se constroem de raiz ou se enfeitam os carros alegóricos. O Galeão e o carro do Cartaz da Romaria d’Agonia, que percorrem as ruas do centro da cidade há mais de 50 anos, desfilam ao lado de dezenas de carros e de mais de três mil figurantes, entre lavradeiras, mordomas, pescadores, grupos folclóricos e Zés Pereiras, dando a conhecer o melhor de Viana, das suas freguesias e dos seus hábitos e costumes. A interacção com o público é constante, por isso, faça-se à malga de vinho e ao pedaço de broa de milho que vão andar a oferecer.
A arte de bem trajar é um assunto de suma importância para as vianenses. Centenas de mulheres, de várias gerações, desfilam pelas ruas envergando os trajes típicos de lavradeiras e varinas, e outros mais trabalhados, como os de noiva ou mordoma. Aprecie também os quilos de ouro, geralmente de família, que carregam ao peito, como os corações de Viana, trabalhados em filigrana, tesouros passados entre avós, mães e netas. Nas orelhas levam os muito famosos brincos à rainha.
A preparação começa vários meses antes, com os moradores das ruas da Ribeira a discutirem a decoração dos temas. Mas é na noite que antecede a Procissão ao Mar, que tudo ganha forma. Com a ajuda de moldes, depois de jantar e até à alvorada, num processo que muitas vezes se estende para lá das 12 horas de trabalho, centenas de vianenses adornam com mais de 30 toneladas de sal colorido os caminhos por onde vai passar o andor de Nossa Senhora d’ Agonia. Esta tradição, carregada de competição para eleger a rua mais bonita, começou em 1968. Inicialmente, os pescadores enfeitavam as ruas com os adereços que usavam na faina, como redes de pesca, cordas, bóias e algas, e as mulheres penduravam colchas nas varandas. A Noite dos Tapetes, como é chamada pelos locais, é muitas vezes animada por grupos de concertinas. Vá de manhã apreciar estas obras de arte ao ar livre, porque, feitas as contas e somadas as ruas, os tapetes perfazem mil metros. Diz-se também que as ornamentações mais bonitas ficam nas extremidades das ruas para que turistas e habitantes as vejam melhor, sem estragar nada.
Enquanto os moradores enfeitam as ruas com tapetes de sal, grupos de vianenses encarregam-se de vestir e adornar com flores a estátua de Nossa Senhora da Agonia, a protagonista do desfile e a padroeira dos pescadores, que cumprem esta tradição em sua homenagem. Neste dia, os homens vestem as melhores camisas aos quadrados e carregam aos ombros os andores até ao cais. Cada um pesa à volta de 600 quilos. Antes de se fazerem ao mar, as embarcações que levam os andores com as imagens de Nossa Senhora da Agonia, Nossa Senhora de Monserrate, Nossa Senhora dos Mares e São Pedro – protectoras dos pescadores – são abençoadas. O público acena em terra e espera pelo momento em que uma centena de barcos regresse para, então, pisarem os tapetes de sal construídos durante a noite. O ritual termina no adro da igreja com uma vénia à santa.
É o momento mais solene, de profunda devoção e respeito, de toda a programação da Romaria d’Agonia. Os moradores cobrem as varandas com colchas, muitas delas exibindo os bonitos padrões do tradicional bordado de Viana do Castelo, e atiram flores à passagem das imagens de Nossa Senhora dos Mares, de Nossa Senhora da Assunção, de Nossa Senhora Monserrate e do Senhor dos Aflitos, que partem da igreja de S. Domingos e vão ao encontro do andor de Nossa Senhora d’Agonia, que as aguarda no santuário com o seu nome. Pelo o caminho, admira-se o esforço e a fé dos homens que carregam os andores e os figurantes que representam diversas passagens da Bíblia.
A partir de dia 20 e até dia 23 há fogo de artifício todos os dias à meia noite. Variam apenas os locais: tanto pode ser no Campo d’Agonia como no Jardim Marginal. Mas o espectáculo de encerramento das festas é o mais monumental e aquele que não vai querer mesmo perder. São 30 minutos de fogo de artifício e, no final, dá-se o momento mais esperado: a cachoeira, um número de fogo preso que cai a partir da Ponte Eiffel sobre o Rio Lima, e em que se acende a frase “Viana É Amor”.
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