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O novo projecto de enoturismo do grupo The Fladgate Partnership abriu em Maio, com espaços mais modernos e luminosos. Há 19 quartos, um restaurante e uma adega com provas de vinhos.

Pelas janelas com vista para as vinhas passou a entrar mais luz e sente-se agora uma leveza diferente em cada canto. Estamos em pleno coração do Douro vinhateiro, na pacata aldeia de Celeirós, em Sabrosa, onde a antiga Quinta do Portal ganhou uma nova vida. Foi aqui que se ergueu a The Manor House Celeirós, o novo empreendimento da The Fladgate Partnership, grupo que detém o hotel The Yeatman, em Vila Nova de Gaia, e o The Vintage House, no Pinhão, e que adquiriu este espaço em 2024, iniciando um processo de renovação profunda nos edifícios existentes.
Foi quase como "começar do zero", sem perder a essência, tal como explica Paulo Santos, director de turismo no Douro do grupo. “Este espaço precisava de luz, de suavidade e de liberdade. Quando entrei aqui pela primeira vez, a sensação que tive foi semelhante a entrar num sítio que parece que não respira, que está um pouco fechado. E com esta paisagem à frente, não precisamos de ter muito aqui dentro”.
Depois de um período de obras e de uma renovação total da marca, em Maio deste ano a The Manor House Celeirós abriu as portas com a sua casa principal de 12 quartos mais leve; uma casa adjacente com mais cinco quartos que foi totalmente renovada; um restaurante com comida da região e técnicas contemporâneas; e ainda um moderno centro de visitas composto pela adega e cheio de novidades para o futuro.
Entrando na casa principal, que antigamente servia de edifício de apoio à actividade agrícola da quinta, percebe-se que o espaço não sofreu alterações profundas relativamente ao que já existia. As paredes foram pintadas com tons mais claros, o mobiliário que estava obsoleto foi retirado e foram renovados alguns espaços. Os 12 quartos têm uma bonita decoração campestre, onde predominam os tons pastel, o mobiliário vintage, quadros com imagens do Douro, novas amenities que foram acrescentadas e as casas de banho foram renovadas. Já na sala principal, onde também foram feitas algumas alterações a nível do mobiliário, uma enorme janela com vista para as vinhas e para a piscina exterior recebe-nos com todo o seu esplendor. E há ainda uma sala onde é servido um pequeno-almoço recheado de coisas boas.
Adjacente a este edifício, encontra-se a Casa do Lagar, composta por sete quartos que evocam antigas actividades ligadas ao lagar de azeite da quinta. Este espaço foi o que sofreu alterações mais significativas, tendo sido renovado praticamente na sua totalidade. Aos quatro quartos já existentes acrescentaram mais três, incluindo uma suíte com kitchenette e sala de estar, e a decoração mudou para dar lugar a uma outra mais confortável e ligada à essência da quinta. Mantiveram-se, no entanto, as paredes de granito e a placa original da Casa do Lagar, que dão um ar mais rústico ao espaço.
O lagar de granito, antigamente dedicado à produção de azeite, e a prensa de ferro, que também existia neste local, foram desmontados e guardados no armazém para, no futuro, serem colocados no centro de visitas, de forma a contar a história de como se fazia o azeite da propriedade.
Quando a fome apertar, o Casa das Pipas Restaurant é a opção a ter em conta, com o chef Milton Ferreira a fazer uma cozinha tradicional duriense interpretada à luz das novas técnicas e com produtos locais. Natural de Lamego, o chef de 35 anos já esteve em vários países, como Canadá e Espanha, passou por cozinhas de espaços como o The Yeatman e o Visita, mas regressou ao Douro e está actualmente à frente da oferta gastronómica da The Manor House e do Vintage House. “Sempre acreditei nesta região e acredito que temos um potencial enorme para crescer”, destaca.
Para mostrar todo o potencial gastronómico da região do Douro existem dois menus de degustação. Pode optar pelo menu de cinco momentos (85€ com harmonização de vinho ou 60€ sem harmonização) e pelo menu Identidade do Chef, composto por oito momentos (125€ com harmonização de vinhos e 100€ sem harmonização). Ambos são trabalhados sazonalmente, com produtos da época, e sempre com o Douro como inspiração. “Trabalhamos com receitas tradicionais, mas com uma apresentação contemporânea e a influência das minhas viagens”, acrescenta o chef.
É com vista para as vinhas – quase como se estivéssemos literalmente em cima delas – que pode apreciar uma boa refeição neste local. Por aqui brilham entradas como a salada de lombo de atum, com molho de gengibre, cremoso de espinafre e óleo de manjericão; a salada de polvo com caldo de cebola e pimentos, num prato mais outonal e de conforto; e ainda as texturas de cogumelo shitaki em forma de tartelete, com puré e pickle de beterraba.
Do menu faz parte o ovo a baixa temperatura, uma reinterpretação dos ovos rotos preparado com enguia fumada, beterraba, cuscuz, caldo de vinagre de vinho do Porto, brócolos e uma folha de oblato no topo. A ideia é misturar tudo, tal como se faz com os ovos rotos, e, assim, sentir os sabores da região. Outra estrela da carta, e um dos pratos mais frescos, é o pregado com texturas de couve-flor, acompanhado de puré e cuscuz, caviar de limão e crocante de algas. Para terminar de forma bem doce, peça a panacotta de baunilha com frutos vermelhos, petazetas e gelado de morango. Tudo isto, claro, acompanhado do bom vinho que percorre as várias castas do Douro.
A estadia não fica completa sem uma passagem pelo Centro de Visitas, a poucos metros do restaurante e onde se guardam os vinhos da propriedade e se fazem provas sob marcação. Neste edifício projectado pelo arquitecto Álvaro Siza Vieira também foram feitas algumas alterações, nomeadamente com a construção de uma nova sala no piso superior para provas de vinho, o aproveitamento do terraço para alguns eventos e a melhoria de algumas condições que tornam a adega mais visitável. “Esta era uma adega de vinhos que, por acaso, tinha visitas e faziam-se provas. Mas a concepção do edifício não é muito visitável, porque era tudo muito fechado. Mais uma vez, faltava-lhe luz, faltava visão do que é que é o Douro”, explica Paulo Santos.
Por aqui, agora, pode fazer provas de vinhos do grupo The Fladgate Partnership – entre Taylor’s, Fonseca e Quinta do Portal. Há também outras possibilidades para quem se instala por estes lados, como piqueniques nos miradouros da quinta, passeios no Douro a bordo de barcos rabelos ou de bicicletas por entre as vinhas. E é ainda possível reservar todo o hotel para casamentos, aniversários e outros eventos. Sempre com mais luz para ver o Douro.
The Manor House Celeirós, N323 (Sabrosa). 25 993 7000. Quarto duplo entre 180€-200€ por noite
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