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Há um novo supper club no Porto onde os jantares são temáticos e a mesa é partilhada com estranhos

Todos os meses, Fernanda e Paulo abrem as portas da sua casa e organizam jantares temáticos para estranhos. O 15|16 SupperClub quer mostrar que à mesa não se envelhece.

Ana Catarina Peixoto
Escrito por
Ana Catarina Peixoto
Jornalista, Porto
15|16 Supper Club
A.C.P. | O 15|16 Supper Club foi criado por Fernanda Rossi e Paulo Visani
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Fernanda Rossi e Paulo Visani abrem-nos as portas do seu apartamento no Porto. Acolhem-nos com toda a hospitalidade e convidam-nos a partilhar a mesa de jantar com amigos, amigos de amigos e desconhecidos, para ouvir histórias e, acima de tudo, para desligar dos estímulos do mundo digital – sempre acompanhados por boa comida. “Estamos todos em fases diferentes da vida, mas é bom lembrarmo-nos que temos de nos divertir pelo meio”, sublinha Fernanda. Foi com esta premissa em mente que este casal de São Paulo, a viver no Porto há dez anos, criou o 15|16 Supper Club, um projecto que todos os meses reúne dez pessoas para uma experiência gastronómica na sua casa, com menus temáticos e um ambiente intimista. 

À nossa espera, na primeira edição deste projecto, está uma mesa delicadamente decorada com o tema do mês de Outubro – a abóbora – e, em redor dela, um conjunto diverso de convidados que se vão conhecendo pela primeira vez. “Sintam-se como se estivessem em vossa casa”, dizem-nos. Assim será duas vezes por mês até ao próximo ano, com 12 edições temáticas disponíveis para quem estiver interessado em partilhar a mesa de jantar com outras pessoas e conhecer novas histórias. É, por isso, fácil de entender o mote do projecto: “À mesa não se envelhece”.

15|16 Supper Club
A.C.P.Fernanda Rossi e o marido criaram o 15|16 Supper Club

O jantar é feito por Fernanda, tradutora e amante de culinária desde criança, influenciada pelos momentos ao pé do fogão a lenha na casa no interior de São Paulo; pelo fabrico artesanal de queijo, massas e pães; e pela diversidade gastronómica da cidade, combinada com o legado da culinária italiana, terra natal da família do seu marido. É na cozinha, num rodopio, que a vamos encontrando a preparar todos os pratos: seja à volta do fogão ou a fazer, à mão, os ravioli que integram a refeição. Por aqui, explica, tudo é feito com ingredientes naturais e locais, sem necessidade de grandes máquinas na cozinha. “Queremos também mostrar que cozinhar não é um bicho de sete cabeças. Isto é cozinha de casa. É possível comer bem, sem gastar muito e cuidar da nossa saúde. O nosso ponto principal é este resgate de uma vida simples, fora do mundo digital. Estar presente e aproveitar a vida”, reforça Fernanda. 

Comer com tempo e com sabor a casa

Enquanto Fernanda cozinha, Paulo vai ajudando em algumas tarefas: prepara a sala e recebe os convidados – de amigos a familiares e pessoas que ficaram a conhecer o projecto e que quiseram participar na experiência. “Queremos resgatar este acto de comer e de conversar”, refere, acrescentando que hoje em dia há a tendência de comer à pressa, sem aproveitar a refeição, ou ter o tempo contado quando se vai a um restaurante.

15|16 Supper Club
A.C.P.15|16 Supper Club

O casal decidiu retomar um antigo projecto de sucesso em São Paulo, o Clube de Babette, onde um conjunto de amigos se reunia mensalmente para provar menus temáticos, conversar e partilhar histórias. "Tínhamos um grupo de amigos que gostava muito de cozinhar e combinávamos jantares nas nossas casas com frequência. Os jantares começaram a ficar num nível fantástico de comida e quando reparámos tínhamos jantares com 40 pessoas. Depois, centralizámos tudo na nossa casa em São Paulo e virou uma confraria. Todas as semanas era uma festa. Gostávamos dessa vida de slow motion, de estar no presente e de aproveitar o agora”, explica Paulo.

Dez anos depois de terem chegado a Portugal, e com os três filhos já crescidos, Fernanda e Paulo começaram a ter mais tempo e espaço livre na sua casa e decidiram recuperar esta tradição, mas agora no Porto. A forma de funcionamento é simples: todos os meses, o casal organiza no seu apartamento dois jantares e anuncia nas redes sociais do projecto as datas e o respectivo tema, sendo a morada e outros detalhes revelados mais perto do acontecimento. Uma vez lá, a ideia é aproveitar o ambiente, a comida e as pessoas, como se estivesse em sua casa.

15|16 Supper Club
A.C.P.Ravioli de abóbora com amaretti e mostarda di Mantova

No jantar de Outubro a abóbora foi a protagonista e esteve presente em todos os pratos, de uma forma mais óbvia ou mais discreta. Os aperitivos brilharam com pão Naan e hummus de abóbora, com um saboroso kibe de abóbora com recheio de espinafre e ainda com um creme mousseline de abóbora e cúrcuma em endívia. Já a entrada consistiu num carpaccio à Alain Passard de abóbora com romã, queijo feta e sementes de abóbora com salada de verdes.

Nos pratos principais, um ravioli di Mantova, um ravioli de abóbora com amaretti e mostarda de Mantova, e o Ragú Genovese, este com puré de abóbora e inhame, fizeram as honras. Para terminar, a sobremesa teve direito a gelado de semente de abóbora com brigadeiro de abóbora. Na mesa não faltou vinho e café para acompanhar os pratos, os temas de conversa e as histórias contadas.

Doze edições temáticas

Os próximos jantares deste supper club serão nos dias 8 e 22 de Novembro e terão como tema a azeitona (“Com quantas azeitonas se faz uma garrafa de azeite?”). Para participar é necessário fazer a reserva até 48 horas de antecedência. O jantar de cinco momentos (bebidas incluídas) tem um custo de 43€ e um limite máximo de dez participantes. Os menus não são inspirados numa culinária específica, havendo uma fusão de sabores que vão das especiarias asiáticas ao conforto das massas italianas, passando pelas raízes rurais do interior do Brasil.

15|16 Supper Club
A.C.P.Gelado de semente de abóbora com brigadeiro de abóbora

A experiência, conta Paulo, foi um desafio bonito de recuperar. “Há dez anos que não fazíamos isto e é uma responsabilidade abrir a casa a estranhos e mostrar a nossa forma de cozinhar. Mas enriquece-nos muito, porque cada pessoa tem uma história tão mais interessante do que a do outro e toda história é uma grande história”, sublinha, acrescentando que contam também com parceiros portugueses nos seus jantares, desde as toalhas da Campante e a cerâmica da Egg Back Home ao gin da Corema e os azeites e vinagres da Quinta Mourisca. 

Anote também os temas dos próximos meses: “O Natal também pode ser tropical”, em Dezembro; “Receitas infalíveis para ter um ano bom”, em Janeiro de 2026; “Não me leve a mal, hoje é Carnaval”, em Fevereiro; “Não se esqueça de cheirar as flores”, em Março; “A Páscoa é a desculpa perfeita para comer chocolate”, em Abril; “Com um limão fazemos mais do que limonada”, em Maio; “No nosso bailarico, o manjericão é o rei”; em Junho; “Carta de amor ao ovo”, em Julho; “Enquanto há figos, há amigos”, em Agosto e, por fim, o “Grand finale” acontece em Setembro. 

O objectivo, sublinha Fernanda, é trazer pessoas que, provavelmente, nunca se encontrariam na vida de outra forma. “Somos abertos a qualquer pessoa. Muitas vezes as pessoas esquecem-se de ouvir o outro e acham que determinada pessoa não tem nada para nos dizer – ou por ser muito jovem ou por ser muito velha, ou por ter um caminho de vida totalmente diferente. E, na verdade, todos têm alguma coisa para nos ensinar”. Acompanhado de boa comida é ainda melhor. 

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