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O fotógrafo Rui Teixeira decidiu partilhar com o mundo a sua colecção de máquinas analógicas e abriu, em Agosto, o Vintage Cameras Porto Museum & Shop, na rua de Santa Catarina.

Rui Teixeira é fotógrafo e um ávido coleccionador de câmaras fotográficas. Começou, primeiro, por comprá-las para decorar o seu espaço de fotografia de casamentos, mas continuou depois por pura paixão. Até há bem pouco tempo, acomodados em caixas na sua garagem, viviam, longe dos olhares do mundo, mais de 800 equipamentos analógicos. Este ano, Rui decidiu dar-lhes uma outra vida e partilhar o seu tesouro com todos os curiosos e amantes de fotografia. O Vintage Cameras Porto Museum & Shop é o novo espaço na rua de Santa Catarina onde é possível viajar pela história da fotografia analógica e, ao mesmo tempo, comprar aquela máquina com a qual já anda a sonhar há bastante tempo.
Entre máquinas fotográficas utilizadas na saga Harry Potter e câmaras destinadas à espionagem (em formato de isqueiro, rádio e de maços de tabaco) ou até um exemplar de uma Hasselblad 500C, que fotografou a primeira imagem da superfície da Lua, o Vintage Cameras Porto tem expostas cerca de 700 câmaras analógicas – de todas as cores, feitios e sempre com uma história para contar. “Temos câmaras desde 1850 até à última câmara analógica e a primeira digital a ser produzida em série. Temos algumas câmaras únicas, como uma que foi pintada à mão por um artista ucraniano, ou a que foi comprada há cerca de 100 anos na Photo-Bazar Porto”, explica o responsável do espaço que abriu portas no dia 19 de Agosto, no Dia Mundial da Fotografia.
Ao longo de várias prateleiras, sempre acompanhadas de uma legenda e até recorrendo a um áudio tour disponível em nove línguas, conta-se a história da fotografia analógica, dividida por 12 colecções organizadas por ordem cronológica. Desde as primeiras máquinas, coloridas e de pequenas dimensões, “utilizadas quase como objecto de luxo pelas senhoras da burguesia para fotografar o quotidiano”, a câmaras mais simples e acessíveis, aqui revisitam-se vários anos de história.
As câmaras mais históricas e raras, acrescenta Rui, são especiais e, por isso, não estão à venda – até porque não é fácil desapegar-se destes equipamentos ou conseguir encontrar semelhantes. Mas há várias outras disponíveis para compra e a vários preços. A mais cara é uma Leica que custa 8200 euros.
A ideia de criar este projecto surgiu em Abril, quando um dos filhos de Rui Teixeira, que também trabalha no negócio da fotografia de casamentos, sugeriu abrir uma loja para revelação de fotografias e venda de câmaras fotográficas. “Andei um mês a tentar dissuadi-lo da ideia. Até que um dia, ele lembrou-se de fazermos um museu e loja. A ideia de um museu despertou em mim uma grande curiosidade. Em dois dias tomámos conta deste espaço e começámos a trabalhar para este projecto”, revela.
Seguiu-se a compra de mais câmaras para ter em exposição e à venda, “para que houvesse uma narrativa real de toda a cronologia, de todas as câmaras que foram relevantes para a história das máquinas fotográficas”. Esta compra, acrescenta, é feita cuidadosamente em lojas internacionais e em alguns mercados que Rui visita.
A ideia do Vintage Cameras Porto Museum & Shop é simples e inovadora na cidade, garante o responsável. “Alguém vem cá ver o museu – seja um apaixonado pela fotografia, um turista, uma pessoa daqui do Porto ou um estudante de fotografia – encontra uma câmara gira e, se quiser levá-la, nós temos uma igual ou idêntica ou, na pior das hipóteses, da mesma época”.
Em stock estão ainda cerca de 300 câmaras para substituir as que vão sendo vendidas. Quanto a Rui, continua a comprar máquinas, para que o espólio seja cada vez mais completo: “É dos aspectos mais engraçados deste projecto e que faz com que possa continuar a comprar. Por outro lado, é um museu muito dinâmico, porque quem vem cá hoje vê algumas câmaras e, talvez daqui a um ano, encontre cá outras diferentes”.
Apesar de estar aberta há cerca de um mês, esta loja-museu tem sido um sucesso, atraindo visitantes de diversas idades, nacionalidades e gostos, muitos deles com curiosidade de experimentar outro dos grandes sucessos deste projecto: uma cabine fotográfica, localizada logo à entrada do espaço, que permite recuar até aos anos 20 e eternizar momentos através de retratos. Há ainda uma zona onde é possível comprar rolos fotográficos e outros materiais e, em breve, será possível fazer revelação de fotos. Até lá, Rui vai continuar a mostrar o seu tesouro analógico ao mundo.
Rua de Santa Catarina, 47, 1º andar (Porto). Seg-Sáb 10.30-13.00, 14.30-19.00.
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