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De Rusowski a Gorillaz, estes foram os melhores concertos do Primavera Sound 2026

O Parque da Cidade despediu-se de mais uma edição histórica. Da energia política dos Kneecap à mística dos Gorillaz, passámos em revista os espectáculos mais marcantes deste ano.

Hugo Geada
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Hugo Geada
Jornalista
Primavera Sound Porto
Hugo Lima | Primavera Sound Porto
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Depois de abandonar o Parque da Cidade, mesmo a tempo de evitar a chuva e a trovoada, o Porto despediu-se de mais uma edição histórica. Entre o calor insuportável e as enchentes memoráveis, o festival voltou a ser um farol do melhor que a música alternativa tem para oferecer. Eis os seis concertos que definiram esta edição.

Kneecap: A adrenalina da revolta irlandesa

Quebrando a barreira de estilos, não com um pé de cabra, mas com muita música de intervenção, o trio norte-irlandês assinou o espectáculo mais electrizante do primeiro dia. Com uma identidade visual fortíssima, coroada por ski masks, transformaram o recinto ora numa pista de dança, ora num ringue de wrestling, tal era a dimensão do mosh. Misturando o sotaque cerrado com tiradas politizadas, rimas em irlandês e batidas de acid house e dubstep, o grupo provou que tem uma alta-voltagem suficiente para liderar o cartaz de qualquer festival do mundo.

Kneecap
Hugo LimaKneecap

Rusowski: O futuro da música espanhola

A primeira grande enchente do Primavera Sound pertenceu a este fenómeno de Valladolid. Com candelabros no palco e uma banda de longas cabeleiras pretas, o artista provou que a música em espanhol continua a dominar a cena. Numa mistura irresistível de R&B, reggaeton, techno e até jazz, Rusowski pôs toda a gente a perrear com temas como "SukkKk!!" e "Malibu". O concerto foi uma explosão que mostrou que todo o hype em torno do músico é justificado, terminando com uma pistola de t-shirts a disparar para uma multidão rendida.

Rusowsky
Hugo LimaRusowsky

Gorillaz: Os gurus que provocaram uma comunhão de gerações

Os óbvios cabeças de cartaz do dia 12 trouxeram uma proposta diferente, menos dependente do aspecto virtual e focada numa banda orgânica. Baseado no mais recente disco, The Mountain, o concerto arrancou ao som de cítaras e sopros indianos. Damon Albarn, apesar de assumir o papel de protagonista, desfilou uma parada de estrelas em palco, incluindo Joe Talbot dos Idles e Yasiin Bey, ex-Mos Deg. Entre homenagens aos amigos falecidos e os clássicos imortais, foi um momento de comunhão absoluta que uniu gerações.

Gorillaz
Hugo LimaGorillaz

Joey Valence & Brae: não há tempo a perder para a nostalgia

A noite do segundo dia fechou em modo de celebração absoluta com a dupla norte-americana. Como uns novos Beastie Boys que fundem punk, rap e electrónica, entraram a rasgar com uma energia incansável. Entre o mosh e muito humor à mistura, distribuíram referências da cultura pop (como o Ben 10 e Pokémon), transformando o Parque da Cidade numa bonita ode à amizade e à liberdade. Uma actuação que deixou os corpos doridos, mas as almas completamente cheias.

Joey Valence & Brae:
Hugo LimaJoey Valence & Brae:

Mike D: não é perfeito, mas o Beastie Boy pode ter um trunfo na manga

Com uma banda e o protagonista vestidos completamente de cor-de-rosa, parecendo uns minions rebeldes, a banda do lendário Beastie Boy — a substituir Dijon — abriu as hostilidades com "Hello Brooklyn" deixando um certo rasto de nostalgia. No entanto, apesar de interpretar versões de "Looking Down the Barrel of a Gun" e “So What'cha Want”, Mike D, de 60 anos, manteve-se fiel à sua história, mostrando que sabe envelhecer com classe e reinventar-se. Com os dois filhos na banda, retirou alguma ferrugem inicial e destilou pura confiança e carisma num hip hop old school com um ar refrescante. Ainda não ouvimos o disco novo, mas já estamos a salivar por ele.

Mike D
Hugo LimaMike D

Model/Actriz: barulho extremo para fechar o festival com chave de ouro

A banda de culto nova-iorquina entregou uma das actuações mais extremas e inesquecíveis do último dia. O concerto foi uma descarga de energia e ruído do início ao fim, assente num noise rock físico e teatral. O vocalista, Cole Haden, incorporou o espírito do body horror, típicos de filmes do realizador David Cronenberg, nas suas letras e uma performance física, que envolveu muitas danças, gritos e desaparecer na audiência para cantar, num espectáculo bem envolvente. Usando a guitarra como um novo instrumento, o grupo equilibrou a setlist entre músicas distorcidas e baladas, gerando um concerto de pura catarse sónica.

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