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Do pôr ao nascer do sol, Mula ocupa o Porto com 36 horas de criação independente

A 22 de Março, estreia-se a Mula, um evento gratuito que se desenrola em vários espaços da cidade ao longo de 36 horas. Performances, leituras, gastronomia e um concerto integram o vasto programa.

Escrito por
Manuela Bagão
Ewa Dziarnowska,
©Spyros Rennt | Ewa Dziarnowska, "This Resting, Patience"
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Mais do que um festival, a Mula é um encontro entre os artistas e o público, num evento que mistura várias linguagens artísticas, com o foco principal apontado à dança contemporânea. A edição piloto acontece em pleno equinócio da Primavera e terá lugar em sete espaços da cidade do Porto, num total de 16 eventos. E 36 horas seguidas.

Sismógrafo, Mala Voadora, Rampa, Passos Manuel, Teatro do Ferro, Ogi by Euskalduna e Hotelier são os palcos deste ano zero da Mula, que será marcado pela presença de 22 artistas de 13 nacionalidades, além de um workshop somático, de leituras oraculares, de leituras nocturnas, de festas e de um concerto.

“Gratuita e aberta a toda a comunidade, esta edição piloto da Mula afirma a dança em formatos híbridos e contemporâneos, criando novas pontes, novos públicos e espaços de encontro em contextos independentes, onde a convivialidade é central”, explicam em comunicado as directoras da Mula, Cristina Planas Leitão e Luísa Saraiva.

O coice de saída dá-se na padaria Ogi by Euskalduna, com a instalação “CΛLΛU CΛLΛU”, de Catarina Miranda, uma vídeo-dança criada em diálogo com objectos expositivos do Museu do Romântico do Porto, em colaboração com Só Filipe. Destaque ainda para “Casino”, no Sismógrafo, da coreógrafa sueco-chilena Ofelia Jarg Ortega, que partilha com Nina Sandino e Jao Moon uma pista de dança ficcional, situada num clube latino-americano de salsa; ou “This resting, patience”, de Ewa Dziarnowska, um formato experimental que, ao longo de três horas de performance, propõe “a sensualidade e a dança como tecnologias intemporais e democráticas de desconstrução do mundo e de projecção do presente contínuo para um futuro duradouro, essencialmente terno, apaixonado e atento”.

CΛLΛU CΛLΛU
©DRCΛLΛU CΛLΛU, de Catarina Miranda

A programação guarda espaço para um workshop somático com António Ónio, no Hotelier, intitulado “Expelir, Digerir, Enxaguar”; assim como leituras oraculares com Rita Diamond Casais (mapa astral) e Piny (tarot); ou leituras nocturnas de textos que preparam revoluções, sonhos e reparações, com as diretoras da Mula, no Sismógrafo, e convidadas, na Mala Voadora. Entre elas, a investigadora Mariana Machado; a artista visual e co-fundadora da UNA – União Negra das Artes, Melissa Rodrigues; e a jornalista Mariana Duarte. O único concerto da Mula acontece no Hotelier, com Amuleto Apotropaico & Jejuno, projecto electrónico experimental composto por António Feiteira e Sara Rafael.

O convívio continua à mesa, numa primeira edição que conta com a participação dos curadores gastronómicos Paula Lopes (Hotelier); Vasco Coelho Santos (Euskalduna Studio); e Rigel Lazo (Arre!), entre sandes e pequenas refeições que vão alimentar a Mula no Sismógrafo, Mala Voadora e Hotelier, ao longo das 36 horas, mas em horários separados.

E será preciso energia também para o Club Mula, no Passos Manuel, com vários nomes da cena portuense (como bunny raver, |end|, MVRIA e UGHO) a passar música até às cinco da manhã. As actividades são gratuitas, com excepção do Club, leituras oraculares e, claro, da comida. No entanto, o público é convidado a fazer um donativo que reverterá, na íntegra, para os espaços independentes e também para organizações de solidariedade da zona centro de Portugal, vítimas do mau tempo. Todas as informações estão disponíveis no site da Mula.

Sismógrafo, Mala Voadora, Rampa, Passos Manuel, Teatro do Ferro, Ogi by Euskalduna e Hotelier. De 20 a 22 de Março (Dom). Entrada gratuita

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