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Mosteiro de São Bento da Vitória reabre em Outubro. Cinco coisas que não sabe sobre esta jóia do Porto

Localizado no centro histórico, o monumento reabre no próximo dia 1 de Outubro, após a obra de requalificação que arrancou no final do ano passado.

Escrito por
Manuela Bagão
Mosteiro de São Bento da Vitória
TNSJ | Mosteiro de São Bento da Vitória
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Localizado no Centro Histórico do Porto, Património Mundial da UNESCO desde 1996, ergue-se há vários séculos um dos edifícios mais monumentais da cidade. Está, aliás, classificado como Monumento Nacional desde 1977 e guarda séculos de histórias. Uma delas começa agora. O Mosteiro de São Bento da Vitória vai reabrir portas em Outubro, depois de um período obras, e estará disponível para todos os que o queiram visitar. Eis cinco factos sobre este monumento que vão deixá-lo com ainda mais vontade de o conhecer.

1 - Ricas obras

Actualmente, o Mosteiro de São Bento da Vitória é um espaço multifacetado. Para além de acolher o Arquivo Distrital do Porto, parte do edifício está afecta ao Teatro Nacional São João (TNSJ), que ali estende um dos seus braços de programação, aliando cultura ao património histórico. E o mosteiro vai estar de cara lavada no arranque da próxima temporada. A obra de requalificação arrancou a 2 de Dezembro do ano passado e envolveu um financiamento de quase cinco milhões de euros, ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) da Cultura. Mas se os planos iniciais se centravam sobretudo na eficiência energética do edifício, os trabalhos passaram a incluir uma outra intervenção, de 400 mil euros, na antiga sala de tribunal militar, que está a ser convertida numa black box, um espaço mais intimista, com cerca de 60 lugares e bancada retrátil. Os trabalhos terminam a 31 de agosto e o espaço abre ao público a 1 de outubro com um concerto do ciclo Musical-mente.

Pedro Sobrado, vereador da Cultura da Câmara Municipal do Porto, anunciou a reabertura deste espaço durante a apresentação da nova temporada do TNSJ e afirmou que a intervenção representa "uma mudança de vida" para o monumento nacional. "Esta intervenção acaba por ser a mais significativa intervenção do PRR Cultura na cidade do Porto e na região norte. E não é uma obra de manutenção ou mesmo de manutenção musculada. É uma obra que representa uma viragem infraestructural no mosteiro", referiu em conferência de imprensa, acrescentando que as obras permitiram oferecer melhores condições de conforto, acessibilidade e de trabalho.

2. Obra de Santa Engrácia

E, por falar em obras, saiba que durante muito tempo foram a vista deste mosteiro. Por vontade dos monges da antiga Congregação Beneditina Portuguesa, a construção do Mosteiro de São Bento da Vitória começou em 1604, mas prolongou-se até ao final do século XVII, num processo longo e marcado por diferentes fases de obra. A igreja só foi iniciada mais tarde, em 1693, e a decoração interior estendeu-se até ao século XVIII. Ou seja, o edifício que hoje vemos resulta de várias gerações de intervenção, o que ajuda a explicar a sua riqueza arquitectónica e diversidade de estilos.

Mosteiro São Bento da Vitória
Manuel de SousaMosteiro São Bento da Vitória

3. Um espaço multiusos

Ao longo da sua história, o mosteiro teve funções bastante diferentes daquelas para que foi criado inicialmente. Durante a Guerra Peninsular (1808), foi transformado em hospital militar e, após a extinção das ordens religiosas em 1835, passou a funcionar como tribunal militar, prisão e até um quartel. Esta diversidade de usos ilustra como o património religioso em Portugal tem sido continuamente adaptado a novas funções.

4. Reconversão

O edifício situava-se dentro das muralhas do Velho Porto, junto à Porta do Olival, em terrenos que em tempos tinham sido ocupados pela Judiaria Nova, que desaparece no final do século XV, quando os judeus são expulsos de Portugal ou forçados a converterem-se. Construído no local da antiga sinagoga, o mosteiro esconde um detalhe curioso: uma inscrição num bloco de granito onde se lê “Quae fuerat sedes Tenebrarum est Regia Solis Expulsis Tenebris Sol Benedicius ovat”, que se traduz em “O que foi sede das trevas é agora o reino do sol; expulsas as trevas, o sol de São Bento triunfa”. A inscrição foi originalmente colocada sobre a entrada do mosteiro, mas acabou por ficar ocultada quando, mais tarde, se construiu uma parede de apoio ao coro alto, fechando essa zona.

Mosteiro de São Bento da Vitória
TNSJO hall de entrada do Mosteiro de São Bento da Vitória

5. Uma ligação entre a religião e a literatura

Já no século XIX, o mosteiro cruza-se com uma figura improvável: o visconde Almeida Garrett, assim identificado na bibliografia histórica. Mais conhecido como escritor, era também um influente político liberal e então Par do Reino, membro da câmara alta. Foi por sua diligência (a pedido do seu irmão, Alexandre José) que a igreja, já sem comunidade monástica, foi cedida à Arquiconfraria do Santíssimo e Imaculado Coração de Maria para a Conversão dos Pecadores, por Portaria Régia de 25 de julho de 1853. Um episódio pouco conhecido que liga Garrett, de forma inesperada, à história do mosteiro.

Rua de São Bento da Vitória, 45 (Porto)

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