Bruckner e Schoenberg

Música, Clássica e ópera
Michael Boder
©Alexander Vasiljev Michael Boder

A Time Out diz

Anton Bruckner começou a trabalhar na sua Sinfonia n.º 9 no Verão de 1887, mal terminou a Sinfonia n.º 8. Porém, a reacção do maestro Hermann Levi, cuja opinião Bruckner muito prezava, à partitura da n.º 8 – “Entendo ser impossível executar a n.º 8 no seu presente estado” – forçou o compositor a desviar a atenção para a revisão desta; e, talvez por esta rejeição ter acicatado a sua crónica insegurança, consagrou meses preciosos a rever também as Sinfonias n.º 2 e 3, só regressando à n.º 9 em 1891. No final de 1894 tinha concluído o III andamento, mas o IV nunca passou de um esboço, pois a doença debilitou-o de tal modo que os seus dois últimos anos
 de vida foram improdutivos. Faleceu a 11 de Outubro de 1896, deixando, supostamente, instruções para que a n.º 9, que via como a sua obra máxima, fosse concluída com o seu Te Deum no lugar do IV andamento em falta.

A acoplagem é pouco verosímil e não tem sido seguida, e neste concerto da Orquestra Sinfónica do Porto, com direcção de Michael Boder, os três andamentos da n.º 9 terão a companhia da Sinfonia de Câmara n.º 2, de Schoenberg, obra com uma génese igualmente complicada: foi iniciada em 1906 e concluída em 1939.

Por José Carlos Fernandes

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