Festival Internacional de Música de Espinho

Um festival com
uma programação muito abrangente, do Barroco ao século XX, com uma diversidade de solistas e obras de referência assinaláveis

©DREdgar Moreau

Aos 15 ANOS, o violoncelista Edgar Moreau (n. 1994, Paris) venceu o prémio de juventude do Concurso Tchaikovsky e aos 19 assinou um contrato de exclusividade com a Erato, cujo primeiro fruto foi Play, um veículo promocional recheado de peças de bravura e morceaux favoris. Foi preciso esperar pelo segundo CD para confirmar que Moreau é muito mais do que um tecnicista espaventoso: Il Giovincello, título que evoca, ao mesmo tempo, “violoncello” e “giovane” (rapazote), foi registado com o ensemble de instrumentos de época Il Pomo d’Oro e recebeu grandes elogios da crítica. O programa que o “giovincello” Edgar Moreau e Il Pomo d’Oro trazem a Espinho (Sex 6) é similar ao do CD: concertos para violoncelo de Vivaldi, de Boccherini e do menos conhecido Giovanni Benedetto Platti e peças orquestrais de Johann Adolf Hasse. A quem fique seduzido por Moreau – quem não ficará? – recomenda-se o seu novo CD, de 2018, em que toca, em parceria com David Kadouch, as sonatas para violoncelo e piano de Franck e Poulenc.

O pianista alemão Lars Vogt tinha apenas 20 anos quando obteve o 2.º prémio no Concurso de Leeds de 1990 e tem, desde então, vindo a construir uma sólida carreira que não se
tem ficado só pelo teclado:
Vogt revelou-se também um maestro dotado, o que lhe valeu, em 2015, a nomeação para a direcção musical da Northern Sinfonia. Com esta formação e acumulando as funções de pianista e maestro gravou os cinco concertos para piano
de Beethoven, para a etiqueta Ondine, tendo os três CDs, lançados em 2017-18, obtido críticas muito favoráveis. Será, pois, um privilégio ouvir Lars Vogt, agora dirigindo (a partir do piano) a Real Filharmonia de Galícia (Sáb 7), nos concertos n.º 2 e 3 de Beethoven e na Sinfonia n.º 1 Clássica, de Prokofiev.

A música para alaúde solo de Bach é uma das facetas do compositor menos conhecidas do público em geral, mas exerce irresistível fascínio junto de alaudistas. A atracção destes por Bach é tal que
não se contentam em tocar
as poucas peças que Bach compôs para o instrumento
e recorrem a peças originalmente destinadas
a outros instrumentos. É o que fará o alaudista bósnio Edin Karamazov (Sex 20, Capela de N. Sra. da Ajuda), um colaborador de Andreas Scholl e Sting, num programa que contempla transcrições das Suítes para violoncelo solo BWV 1007 e 1010 e da Ciaconna da Partita para violino solo BWV 1004.

A componente clássica 
do festival inclui ainda um programa da Orquestra Clássica de Espinho (Dom 1), dirigida por Pedro Alves, com Pedro e o Lobo de Prokofiev (narrado por Mário Alves),
e a Sinfonia dos Brinquedos, atribuída a Leopold Mozart.

O jazz tem também presença de peso no FIME, com a aliança entre o quinteto do saxofonista Émile Parisien e o veterano clarinetista e saxofonista Michel Portal (Sex 13), uma parceria iniciada em Sfumato (2016, ACT) e prosseguida no recém-editado SfumatoLive in Marciac. O grupo conta
com Manu Codja (guitarra), Roberto Negro (piano), Simon Tailleau (contrabaixo) e Mário Costa (bateria).

O veterano multi-instrumentista brasileiro Hermeto Pascoal apresenta- -se em duas modalidades: com o seu sexteto (Sáb 14) e com a Orquestra de Jazz de Espinho (Dom 15, Praça Exterior da Piscina Solário Atlântico), com direcção de Daniel Dias e Paulo Perfeito.

O FIME encerra com Mário Laginha e a Orquestra Clássica de Espinho, dirigida por
 Jan Wierzba (Sáb 21, Pç. Dr.
José Salvador) interpretando
o Concerto para piano do próprio Laginha e outra peça concertística para piano “encavalitada” entre a música clássica e o jazz: a Rhapsody in Blue, de Gershwin.


Auditório de Espinho. Até Sáb 21, 22.00. 8€ por concerto.

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