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Com a chef Caroline Giandalia ao leme, o restaurante localizado no centro do Porto viaja com criatividade entre sabores de Portugal e do Brasil, com produtos locais e da época.

Para lá do portão de ferro do número 447 da rua de Santa Catarina há um refúgio que permite escapar ao rebuliço de uma das artérias mais movimentadas do Porto. O convite é que entre, desfrute do ambiente tranquilo e, sobretudo, viaje através dos sabores. O restaurante Gruta, comandado actualmente pela chef Caroline Giandalia, tem uma nova carta com pratos que cruzam a tradição de Portugal e do Brasil, com criatividade, ousadia e utilizando sempre ingredientes locais e sazonais.
Ao longo de todo o corredor da entrada e nos vários espaços interiores saltam à vista as plantas que vão compondo o restaurante, bem como as cerâmicas e ilustrações de autor penduradas nas paredes. A música brasileira ecoa suavemente, mas a verdadeira estrela é a comida, preparada por uma equipa constituída maioritariamente por mulheres – uma herança deixada pela antiga chef Rafaela Louzada, que deu início a este projecto em 2021, como forma de chamar a atenção para a valorização das mulheres em cozinhas profissionais. Rafaela tem hoje um restaurante em nome próprio no Time Out Market Porto. Com a chef Caroline a liderar, a equipa foi trabalhando gradualmente nas mudanças no menu, deixando de parte o conceito de pratos para partilhar e passando a trabalhar com doses individuais.
O foco principal continua a ser aproveitar o que de melhor existe em cada produto. "Queremos valorizar ao máximo o peixe e o marisco da nossa costa portuguesa e trazer ingredientes brasileiros, apresentados de formas diferentes do habitual”, explica a chef, ao leme do Gruta há cerca de um ano e meio. Natural do Rio de Janeiro, Caroline iniciou o seu percurso na pastelaria, num projecto de família no Brasil, e chegou a Portugal há seis anos, onde começou por trabalhar com José Avillez e, depois, com Ricardo Costa, no restaurante gastronómico do The Yeatman. Em 2024, a chef brasileira chegou ao Gruta e com ela uma visão autoral que cruza técnicas, referências e sabores de Portugal e do Brasil, sempre com um toque contemporâneo e criativo.
Em cada prato do menu, o foco está no produto e no que se pode fazer a partir dele, tendo sempre em mente a sazonalidade e o combate ao desperdício alimentar. É a partir de cada ingrediente, explica a chef, que se inicia o processo criativo: “É um processo que envolve muita pesquisa, gostamos de ir selecionando os ingredientes que queremos trabalhar e, a partir daí, desenvolver o resto. A ideia é partir sempre do zero e fazer tudo de uma forma original e criativa, trazer elementos diferentes, trazer produtos que ainda não são muito conhecidos aqui em Portugal. Sempre com elegância e delicadeza”.
Nas entradas, a nova carta conta com pratos que juntam o mar e a terra, como as vieiras com caramelo de tucupi, sagu de tucupi e texturas de tangerina (18€); mas também com as saborosas gambas selvagens salteadas em alho (16€), com molho de castanha de caju fermentada, óleo de pimenta malagueta e folhas da estação produzidas pelo projecto Formiga Gloriosa, um dos produtores locais. Há ainda sugestões como crudo de corvina selvagem curada, com molho à base de dashi e citrinos, kumquat, pickles de jalapeños e ovas de truta (12€); e pickle de abóbora fumada e beterraba, com puré de abóbora com alho negro, óleo de menta e queijo da Ilha de São Miguel dos Açores (14€).
Nos pratos principais brilham outras sugestões, como a corvina selvagem com puré de castanhas, molho de açaí, beurre blanc e chips de castanha (30€), um dos pratos estrelas da carta, que une dois ingredientes simbólicos de Portugal e do Brasil: a castanha típica desta época e o açaí, muito consumido no norte do Brasil acompanhado de peixe. "É um prato muito outonal, tem uma complexidade de sabores interessante", descreve a chef.
Há ainda outros que se destacam, como o reconfortante arroz de carabineiro algarvio (38€), com a acidez do aioli de lima e coentros; a moqueca de banana da terra grelhada, com arroz basmati e farofa de dendê (20€), ou cogumelo eryngi feito na brasa com molho de tamarindo, cogumelos silvestres salteados, puré de couve-flor, salada de funcho e molho de cogumelos (26€).
Para terminar a refeição, a carta conta com uma diversidade de sobremesas que voltam a juntar os melhores ingredientes brasileiros e portugueses. Destaque para o bolo de mandioca, com uma cama de cocada morena e queijo coalho grelhado com mel (10€), que remete à infância da chef no Brasil, acompanhado ainda por pipocas feitas com tapioca. Há ainda pavlova com gelado de wasabi, gel e mousse de cerejas (10€); bolo embebido em calda de vinho do Porto Dry White com pêra caramelizada e creme de cumaru (10€); e mousse de chocolate com bolo de chocolate amargo, ganache de chocolate branco caramelizado e gelado de cupuaçu (12€).
Para acompanhar toda a refeição, peça a carta de vinhos portugueses, cuidadosamente seleccionados, com um serviço pessoal, atento ao cliente e despretensioso.
Rua de Santa Catarina, 447 (Porto). 91 101 7007. Seg-Dom 18.00-22.00.
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