Bocca

Restaurantes, Pizza Foz
3 /5 estrelas
Bocca - Salmone
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Quando me sento à mesa de um restaurante e pergunto “o que é que recomenda?” é como se pedisse: “vá, diga-me lá o que é que é bom”. Não sou dona de nenhum estabelecimento, mas ando no métier há tempo suficiente para saber que muitas vezes essa é a base para abrir um negócio. “Ah, eu faço uns ovos mexidos com espargos óptimos” – toma lá uma casa de petiscos; “Ah, eu nasci em Matosinhos e sempre fui comprar peixe a Angeiras” – inventa-se uma peixaria moderna; “Ah, eu não vivo sem carne e sempre quis ter um sítio com bifes maturados” – faça-se um templo carnívoro. Graças a Deus, boa parte das pessoas tem amor ao dinheiro e constrói a coisa com tino. Planeiam bem, trazem gente com estudos, passagens por uma ou outra cozinha de renome. A coisa compõe-se. Quero com isto dizer que deve haver um mote para um restaurante. Um sítio que serve um bocadinho de tudo deixa-me sempre com alguma desconfiança. Mais ainda quando a resposta à pergunta, “mas aconselha-me x ou y?” é algo como “vendemos tanto uma coisa como outra, é difícil dizer”.

Foi tal e qual o que se passou no Bocca, o restaurante que ocupou com estilo a antiga Portugália do Passeio Alegre – não era difícil, dada a arquitectura do sítio e toda a sua transparência.

–“Recomenda-me as pizzas ou a carta normal?”
– “Somos um restaurante mediterrânico, vendemos 50% pizzas, 50% os outros pratos. Depende do que lhe apetecer.

”Voltamos à estaca zero. Olho para a carta e vejo uma entrada de meia desfeita com bacalhau, uma salada de salmão fumado, um carpaccio de polvo, um ceviche do mar, um costeletão e pizzas em forno de lenha... Até aqui, nada que nunca tenha provado, e em bom, no Porto. Aumenta a desconfiança.

Faço o pedido, chega de seguida à mesa um couvert com umas tostinhas ocas e secas e um paté de Philadelphia com cebolinho, cheio de alho. Muito fraco o cartão de apresentação. Logo de seguida, uma vichyssoise morna, que mais parecia um creme de bebé, pouco aveludada, com croûtons e cebolinho. A esta hora, as minhas suspeitas de que que jogar em todas as frentes faz com que não se brilhe em nenhuma estavam a ganhar sustento.

Chegou em seguida um carpaccio de vitela com parmesão, rúcula e alcaparras, já melhor, mas nada que ficasse na memória. Até porque lhe faltavam uns pingos de limão e alguma pimenta. Até aqui o Bocca era um redondo três estrelas. Tão redondo quanto o eco (ok, eu gosto de imaginar que o eco se propaga em círculos) das conversas dos clientes das outras mesas na sala semivazia.

E quando eu já esperava tudo, veio para a mesa um saboroso ceviche de corvina – supermediterrânico, note-se...
 O peixe em fatias finas em vez de cubos, um óptimo puré de batata doce, cebola confitada, malagueta, leite de tigre, tudo muito bom. Ao mesmo tempo um rosbife – outra especialidade do Mediterrâneo – com a carne muito mal passada, bem cozinhada por fora, um excelente e apurado molho, batatas fritas caseiras muito fininhas e, pena, um esparregado insosso que não está ao nível do resto.

Para acabar, um bolo de laranja, coisa rara de se encontrar nos restaurantes. Mas demasiado açucarado e a esfarelar-se rapidamente.

Noves fora, paguei 55€ por tudo, com dois copos de vinho, o que não é caro para os dias que correm. Ainda assim, acho que falta ao Bocca identidade. Falta também aprumo em alguns pratos, falta-lhe a qualidade e a imaginação que foi posta no ceviche. Do três redondo passou para o três alto, mas é preciso um bocadinho mais para convencer.

*As críticas da Time Out dizem respeito a uma ou mais visitas feitas pelos críticos da revista, de forma anónima, à data de publicação em papel. Não nos responsabilizamos nem actualizamos informações relativas a alterações de chef, carta ou espaço. Foi assim que aconteceu.

Por Marta Brown

Publicado:

Nome do local Bocca
Contato
Endereço Rua do Passeio Alegre, 3
Foz
Porto
4150-570
Horário Dom-Qui 12.00-23.00, Sex-Sáb 12.30-00.00
Preço 30€
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