Mundo

Restaurantes, Global Baixa
4 /5 estrelas
Mundo
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O hall das casas de banho do Mundo
Pãezinhos no forno com mel - Mundo
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Pãezinhos no forno com mel
Sardinhas marinadas e porco ibérico
3/3
Sardinhas marinadas e porco ibérico

No início é uma alegria. Vamos viajar, ver o mundo, ser eternamente jovens. Depois há hipotecas para pagar ao banco, contas da luz astronómicas, berros da canalha e o mundo fica a ver-se por um canudo. Esquece lá a viagem ao Japão, a escapadinha a Itália, ou o jantar de sexta com os amigos da bola. Tudo parece muito mais complicado do que passar um camelo pelo buraco de uma agulha. Por isso, depois de muito queixume de que “já não íamos a lado nenhum”, levei a Rita a ver o Mundo.

Este restaurante, com a mão de Carlos Bravo e José Ribeiro, donos da Casa de Pasto da Palmeira e do LSD, e com a consultoria 
do chef João Pupo Lameiras, é um dos lugares mais animados da Baixa nas noites que correm. Nesse dia, o espaço de aspecto industrial, com candelabros sepultados sob quilos de estearina que pingavam das velas acesas, tinha um DJ à entrada. Da barra saiam bons cocktails com a assinatura do The Royal Club (entre os 7€ e os 8€) e pelas paredes havia desenhos do graffiter Fedor Rua:
 cinco mulheres, cada uma a representar um continente.

Antes de me atirar à comida, um parágrafo para elogiar o atendimento. Foi dos melhores que encontrei até hoje. Rápido, eficiente, simpático e altamente entendido sobre tudo o que saia da cozinha.

Ligaram-se as turbinas. A descolagem de um avião chamado Mundo começou com um pão branco e umas placas de massa wonton fritas, um tanto gordurosas, acompanhadas por uma manteiga de miso e por um chutney de banana e caril com queijo creme. Um couvert com alguma turbulência e que não ficou na memória. Rapidamente chegou à mesa o tiradito de vieiras (8€). A esta altura sobrevoávamos o Peru. O tiradito é um prato da cozinha nikkei, que funde influências peruanas e japonesas. Trazia umas vieiras frescas laminadas com um creme de abacate e baunilha, pastoso e adocicado, cortado pela acidez dos morangos ainda (demasiado) verdes. Ficou um pouco aquém do esperado.

Só depois é que o Mundo ganhou altitude. Seguiu-se um carpaccio mexicano (7,50€). Uma revelação que acontece poucos segundos depois de estar na boca. Explode o calor da malagueta, a frescura da hortelã, a carne macia cortada finamente, a tortilha estaladiça e o pico de gallo bem temperado.

Uns aromáticos aros de lula com sweet chilli e amendoim desapareceram à velocidade de um concorde (7€) e, sem darmos por ela, estávamos na Ásia. Aterrou sobre a mesa uma grande bandeja com saam de porco, um prato inspirado na cozinha coreana, que consiste em enrolar à mão pedaços de carne em vegetais (21€/para duas pessoas). A carne era gulosa e tenra, a desfazer-se, vinha com pimentos vermelhos e amarelos, crepes, couve roxa e líchias. Um festim. Também trazia alfaces, mas ficaram de parte por estarem mal lavadas.

Os noodles udon (13€), com cogumelos shitake, traziam as gambas secas e uma maionese desnecessária que nos fez querer chegar logo ao destino: as sobremesas (ambas a 5,50€). Aconselharam-nos o bom bolo ao vapor com chocolate, gelado de amendoim e caramelo, mas um pouco pesado a esta altura da viagem, daí termos achado mais piada aos churros com três molhos. Um de chocolate negro e pimenta rosa, outro um creme de matcha, e ainda outro de toffee com especiarias.

Todas as viagens têm um fim, é certo. Esta, ousada no percurso, aterrou em segurança. E teve um final feliz.

*As críticas da Time Out dizem respeito a uma ou mais visitas feitas pelos críticos da revista, de forma anónima, à data de publicação em papel. Não nos responsabilizamos nem actualizamos informações relativas a alterações de chef, carta ou espaço. Foi assim que aconteceu.

Por Ricardo Capitão

Publicado:

Nome do local Mundo
Contato
Endereço Rua da Picaria, 58
Porto
4050-477
Horário Dom-Qui 18.00-00.00, Sex-Sáb 18.00-02.00
Preço 40 a 50€
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