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Tapisco (FECHADO)

Restaurantes, Petiscos Baixa
3 /5 estrelas
Tapisco
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© João SaramagoBacalhau à Brás do Tapisco
Tapisco
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© Marco DuarteTapisco
Tapisco - Ovos mexidos com alheira
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©Marco DuarteOvos mexidos com alheira do Tapisco
Tapisco
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©Marco DuarteTapisco
Tapisco
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©Marco DuarteTapisco
Tapisco
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©DRTapisco

A Time Out diz

3 /5 estrelas

Atenção, continuamos a tentar dar-lhe a informação mais actualizada. Mas os tempos são instáveis, por isso confirme se os espaços continuam abertos.

O meu primeiro contacto com a vizinha Espanha (do qual me recordo), foi através da minha avó que, volta e meia, gulosa como só ela, ia a Vigo comprar caramelos. Foi à conta de um desses caramelos que a Filosofia surgiu de rompante na minha vida e, com ela, a inevitabilidade de que não se pode ter tudo e que, por vezes, acabamos mesmo sem nada. Lembro-me de como aquela pasta de açúcar dura e cozinhada industrialmente se agarrou a um molar de leite periclitante. Nesse momento deu-se uma espécie de paradoxo de Schrödinger – já não era um dente, mas um dente com caramelo. Mas também não era bem um caramelo, era uma coisa repugnante cheia de cavidades enterrada em algo que era bom. Resultado? Um caramelo incomestível e uma miúda desdentada e inconsolável.

Não me caiu nenhum dente quando fui ao Tapisco, o primeiro espaço de Henrique Sá Pessoa no Porto – que conjuga petiscos portugueses com tapas espanholas –, mas caiu-me o queixo porque estava à espera de melhor. Afinal, trata-se de uma carta pensada por um chef que conquistou, há uns anos, uma estrela Michelin para o seu Alma, em Lisboa. Ainda antes de avançar com esta crítica, é preciso fazer uma referência a Rui Sanches, também responsável pelo projecto e a máquina que põe a funcionar o império Multifood, que detém dezenas de restaurantes, como as cadeias Honorato e Vitaminas, e restaurantes de topo, como o Alma.

Não sendo uma grande apreciadora de paelhas, levei comigo uma expert no assunto. Uma portuguesa com uma data de costelas espanholas e de apelido impronunciável que se gaba de fazer uma de comer e chorar por mais (ainda estou para ver).

Ficou meia hora à minha espera, sentada no bonito restaurante na Rua Mouzinho da Silveira, enquanto eu tentava desesperadamente enfiar o carro em qualquer buraco que aparecesse. Ninguém merece o desespero de jantar na Baixa ao fim-de-semana. Foi comendo umas batatas bravas (que cheguei a tempo de petiscar), com uma fritura um pouco tristonha e mole e um molho de alioli e salsa brava ligeiramente picante mas nada que me tirasse do sério (7€).

Seguiu-se a famosa La Bomba do Porto (8€/2 uni.), o ex-líbris do restaurante, que me deixou encantada quando a provei no primeiro espaço em Lisboa, mas que aqui atirou com o meu hype pelas escadas abaixo. A carne com alguma alheira à mistura que recheava esta bola de batata, que posteriormente é frita, estava bem temperada e saborosa, carregada de pimenta preta, mas a consistência do resto tendia para o fraquito. Até o molho (o mesmo das batatas bravas), por cima, me parecera melhor na capital. Bonzinho, mas nada de incrível. Bem melhor apresentaram-se os huevos rotos com paletilla ibérica (13€). Boas batatas fritas aos palitos, carne fumada de qualidade, um ovo de gema líquida a pedir para ser envolvido e, na base, uma cebolada suave, não muito carregada nas especiarias para não ofuscar os outros sabores.

Depois, a paelha negra com sépia e alioli (29€/2 pessoas). A minha companhia torceu o nariz a tanta inovação mas, verdade seja dita, o arroz estava bem cozinhado, os cubinhos de lula tenros e as gambas no ponto. Ainda assim, um preço exagerado para um prato que apesar de bem confeccionado não ficou na memória (se tivesse ficado não me teria esquecido das sobras no carro).

Nas sobremesas, o sorvete de limão com espuma de Vermute (esta bebida espirituosa é uma das grandes apostas da casa) revelou-se um pouco enjoativo (5€) e a crema catalana (6€), de travo a laranja, cumpria o necessário, tal como todos os outros pratos. Contudo, nenhum me deixou com vontade de sair dali e ir tocar castanholas.

*As críticas da Time Out dizem respeito a uma ou mais visitas feitas pelos críticos da revista, de forma anónima, à data de publicação em papel. Não nos responsabilizamos nem actualizamos informações relativas a alterações de chef, carta ou espaço. Foi assim que aconteceu.

Por Dulce Dantas Marinho

Publicado:

Detalhes

Endereço Rua Mouzinho da Silveira, 165
Porto
4050-485
Preço 30€-40€
Contato
Horário Seg-Dom 19.00-00.00
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