O Resto Já Devem Conhecer do Cinema

Teatro
O Resto Já Devem Conhecer do Cinema
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A Time Out diz

O Resto Já Devem Conhecer do Cinema leva-nos até Tebas, na Grécia Antiga, via As Fenícias de Eurípides, mas isto podia ser a Síria, ou
 um dos muitos campos de refugiados que atravessam 
o mundo, ou o Haiti, ou até mesmo a fronteira entre o México e os Estados Unidos. Indo directo ao assunto (e isto
 é mais complicado do que parece), esta peça de Martin Crimp (n.1956, Inglaterra), encenada por Nuno Carinhas e Fernando Mora Ramos (Teatro da Rainha), é sobre “o fio da história da humanidade”. Ou seja, “a violência”. “Ao ser uma peça sobre a humanidade é sobre a globalização e o homem contemporâneo. Este encadeamento da violência como motor da história permanece”, diz Fernando Mora Ramos. “Falamos de muros, de coisas impostas sempre pela lei da força e nunca pelo princípio da negociação.” Na conferência em que participou no Fórum do Futuro, Martin Crimp resumiu bem toda esta questão com o seguinte comentário, lembra Mora Ramos: “Parece que estamos vocacionados – nós, humanos – para corrigir um erro com outro erro ainda maior.”

“Por que não há outro modo de partilharmos as coisas?”, pergunta o encenador – e esta
 é uma das muitas perguntas que surgem a partir de um texto carregado de “ambiguidades”, “duplicidades”; um texto que “deixa muita coisa em aberto”, afirma Nuno Carinhas que trabalha pela primeira vez com o universo “Crimpiano”, especialidade de Mora Ramos – e é através dele que retomam uma parceria iniciada com O Fim das Possibilidades, de Sarrazac (2015). “A peça debate-se com as famílias reinantes do poder absoluto, com as questões que os gregos lançaram sobre
 a destruição, a sexualidade, a impunidade, a prepotência”, explica Nuno Carinhas. Ainda que noutros moldes, sem incestos e fratricídios à mistura, este tipo de poder tóxico “continua hoje”, assinala o ex-director artístico do TNSJ. Numa encenação que conta com um elenco intergeracional, importa dizer que nesta peça não há a habitual construção de uma personagem. Crimp não atribui propriamente um papel
a cada figura, mas uma função. São agentes. “Isso é muito claro nas Raparigas [o coro]”, aponta Fernando Mora Ramos. “Elas são agentes do tempo. Atalham caminho, incitam a personagem a prosseguir mediante um tema”, reforça Carinhas. E a palavra “atalho” é importante, assinala Mora Ramos, já que muitas das falas estão escritas como se fossem “telegramas”, “listas”. Há uma escrita turbinada, rítmica, de frases compactadas, muito parecida com a dos chats das redes sociais (e não falta ironia). “O Crimp joga muito com essa ideia de velocidade. Ele consegue meter no teatro coisas que são tão recentes e que o teatro ainda não conseguiu apanhar.” Esta peça é “muito textuda”, diz Mora Ramos, mas também “muito imagética” – afinal, não faltam referências ao cinema, sobretudo ao 
filme Édipo Rei, de Pasolini. O próprio título diz muito: “isto
 é o que quero que esteja aqui,
o resto já devem conhecer do cinema”, atira Nuno Carinhas, imaginando-se na cabeça de Martin Crimp. “Há uma ironia, também: imagens há muitas, filmes vêem muito, mas teatro vêem pouco”.

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