Sopro

Teatro
Sopro
©Christophe Raynaud de Lage Sopro de Tiago Rodrigues

A Time Out diz

O teatro está em ruínas. Aquele de que aqui se 
fala e os outros, com produções senhoriais, onde
 os pontos sempre sopram ao ritmo das brancas dos actores. Em Sopro, espectáculo de Tiago Rodrigues que se estreou no Festival d’Avignon em 2017 e
 que agora é reposto no Teatro Nacional São João, 
a insistência da dicotomia real vs ficção é quase ditatorial. Dizem-nos que é sobre uma ponto que há 39 anos trabalha em teatro, dizem-nos que é sobre 
o desafio de persuasão de um director que quer escrever uma peça para essa ponto. E depois dizem-nos: “A peça não é biográfica, é bastante ficcional embora se inspire, muitas vezes, em episódios verídicos de bastidores de vários teatros”, garante Tiago, director artístico do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.

Podem dizer à vontade, mas Sopro é Cristina Vidal, ponto do D. Maria II há 29 anos, na profissão há 41. Sopro é a forma como Cristina Vidal não olha o público, Sopro é a sua constante estadia no lugar menos iluminado do palco, Sopro é “colocarmos
 no centro aquilo que está ameaçado”, explica o encenador. Apesar de ter esta ideia na cabeça há alguns anos, foi quando surgiu o convite do Festival d’Avignon que Tiago Rodrigues pensou “que era interessante que no centro dessa criação estivesse alguém que simboliza a vida de uma grande instituição, de uma casa do teatro e numa profissão que já só se encontra nesta casa, bem como com uma ideia de teatro onde estes artesãos do palco, que estão em extinção, ainda existem”.

Tentando não tropeçar na vegetação em palco, cinco actores e uma ponto revisitam enredos (ora mais reais, ora mais ficcionados) de bastidores. Uma directora de teatro com uma doença terminal, a história da ponto que com apenas cinco anos viu teatro pela primeira vez na caixa do ponto, o actor que dizia o texto sempre de forma diferente e errada. Episódios que gravitam em torno da antipresença de Cristina Vidal, como se estivéssemos num ensaio de flashbacks do teatro português.

Cristina fez Tiago Rodrigues garantir que não seria actriz. E ainda que esteja na ficha técnica, Cristina Vidal não o é. Faz aquilo que costuma fazer na penumbra: pontar. “O facto de a Cristina ser vista é que transforma o olhar do público.”

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