Mulheres que põem o Porto a mexer
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Da gastronomia à cultura: dez mulheres que põem o Porto a mexer

Nesta lista vivem mulheres de negócios, pioneiras no mundo artístico e mestres de ideias gastronómicas que, todos os dias, fazem a cidade fervilhar.

Ana Catarina Peixoto
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Escrevemos apenas sobre dez, mas podiam ser muitas mais. Umas lideram negócios históricos conhecidos internacionalmente, outras são pioneiras no mundo criativo contemporâneo e outras dão a conhecer projectos gastronómicos, espaços independentes e ideias que nos últimos anos têm colocado a cidade a fervilhar. Em vários mundos dominados por homens, estas mulheres têm rompido estereótipos e são exemplo de perseverança e profissionalismo e donas de uma ambição que já as fez alcançar diversos marcos. Da gastronomia ao mundo vínico, passando pela arte, pela cultura e pelos negócios independentes, estas mulheres põem o Porto a mexer. Espreite esta lista e fique a conhecê-las melhor. 

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Dez mulheres que põem o Porto a mexer

1. Verónica Dias, padeira da Brites

Por vezes fica difícil dissociar uma da outra. Talvez por causa da sua resiliência face à adversidade, é que Verónica Dias, padeira e fundadora da Brites, a padaria de fermentação natural e pastelaria artesanal no Marquês, seja tão frequentemente confundida com Brites de Almeida, símbolo da História de Portugal e a mais famosa padeira de todos os tempos: a de Aljubarrota. Quando em 2022 Verónica abria o seu pequeno espaço (que agora ocupa também a loja ao lado), dava início a um processo de fermentação que além de fazer crescer bons pães, dava também mais voz a todas as outras padeiras da cidade e do país. “Por isso é que o projecto se chama Brites que, para nós, significa resiliência. Queremos que a resiliência seja considerada uma coisa positiva, associada a técnica, a profissionalismo, a responsabilidade, a um cargo importante”, justificou na altura em entrevista à Time Out, acrescentando que numa área dominada por homens, há cada vez mais mulheres padeiras e pasteleiras que só precisam “de algum palco”.

2. Aurora Pinto, administradora da Livraria Lello

Se a Livraria Lello dispensa apresentações e é um dos locais mais emblemáticos da cidade, isso deve-se em grande parte ao trabalho de Aurora Pedro Pinto. Licenciada em Direito, os seus caminhos cruzaram-se com este espaço histórico em 2015, quando chegou à administração da livraria, juntamente com o marido. A partir daí, liderou um processo importante de modernização e internacionalização da Lello, que recentemente se tornou Monumento Nacional e que todos os anos atrai milhões de visitantes. Aurora Pinto tem centrado o seu trabalho não apenas na livraria, mas também na promoção da cultura e desenvolvimento de toda a cidade, com diversos projectos criados para dar mais dinâmica e vida ao Porto. Tal como a livraria que lidera, é um exemplo de ambição e trabalho que tem tido um impacto visível na cidade. 

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3. Beatriz Barros, criadora da Mishmash

Há cerca de dez anos, Beatriz Barros fundou a Mishmash, em Matosinhos, e nunca mais parou. Com o objectivo de redesenhar o conceito convencional de estacionário (material de papelaria), a designer de 33 anos já conseguiu levar os seus bonitos e sustentáveis cadernos até mais de 100 pontos de venda em todo o mundo, incluindo grandes museus, galerias de arte e lojas da especialidade. Na lista estão locais como o Museu Guggenheim, em Nova Iorque, o Barbican Centre, em Londres, e a Merci, em Paris, com uma produção feita 100% em Portugal. Com vontade, perseverança e talento, o negócio de Beatriz continua a crescer e é um dos casos de sucesso que fazem da cidade e da região um pólo cada vez mais criativo. 

  • Cafés/bares
  • Bonfim

Maria Lima é a estratega que transformou a Aquela Kombucha num fenómeno nacional, sem nunca largar o leme da autenticidade. Hoje, a partir da nova unidade industrial na Maia, para onde mudou a produção em 2024, após bater recordes de vendas, Maria passou a liderar uma equipa sólida e focou-se na expansão de um negócio que começou na cozinha da mãe. Foi nesse laboratório improvisado em 2018, que a empreendedora dominou a arte da fermentação, antes de arriscar tudo ao abrir o primeiro bar da bebida em Portugal, em 2020. No Porto, o seu percurso tornou-se sinónimo de uma liderança que não tem pressa e que valoriza o tempo para que tudo ganhe forma. Como a própria directora sublinha, "comprometer a qualidade do produto por causa do crescimento nunca será uma opção", uma premissa que mantém viva a missão de promover uma forma de vida mais consciente e com impacto local.

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5. Elisabete Fernandes, directora de vinhos do The Yeatman

Nas mãos de Elisabete Fernandes, directora de vinhos do The Yeatman Hotel, está uma das maiores e mais premiadas cartas de vinhos em Portugal. A sommelier, natural de Santa Maria da Feira, licenciou-se em microbiologia e, mais tarde, fez uma pós-graduação em enologia, chegando ao The Yeatman em 2010, no ano de abertura do hotel. Actualmente, trata da curadoria dos vinhos nacionais e internacionais servidos nos espaços do hotel, com particular foco no Restaurante Gastronómico, que já conquistou duas Estrelas Michelin. Se dúvidas houvesse sobre o seu papel no desenvolvimento vínico, em 2021 Elisabete foi considerada uma das 50 mulheres mais influentes no sector do vinho e bebidas espirituosas. Numa área dominada por homens, é uma voz activa de diversidade.

6. Rafaela Ferreira, chef do Exuberante

Nasceu em Viseu e a paixão pela gastronomia levantou fervura no restaurante dos pais. Aos 16 anos, tornou-se inevitável o seu percurso pela restauração e foi para Coimbra estudar. Fez estágios na Casa da Ínsua, em Penalva do Castelo, e no restaurante Feitoria, em Lisboa, antes de assumir o cargo de Chef de Cozinha do Altis Porto Hotel e do restaurante Exuberante, que abriram portas em Agosto de 2024. A sua cozinha é simples, delicada e saborosa, com uma grande aposta em ingredientes locais, biológicos e sazonais, dando, sobretudo, protagonismo aos vegetais. Rafaela faz parte daquela geração de jovens chefs com muito para mostrar, mas o seu trabalho já tem dado frutos: este ano venceu o prémio de Chef Revelação 2025 nos Prémios Mesa Marcada.

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7. Rita Magro, chef do Atrevo

Natural de Coimbra, Rita Magro fez história ao ser distinguida como a Jovem Chef do Ano pelo Guia Michelin em 2024. Na mesma noite em que Marlene Vieira recebe a tão desejada estrela para o seu Marlene,, em Lisboa, quebrando um jejum de 30 anos sem mulheres a serem premiadas com estrelas, Rita volta a subir ao palco, ao lado de Vítor Matos, para receber a primeira do Blind, o restaurante no hotel Torel Palace Porto, onde era chef executiva. Hoje está ao leme do Atrevo, no Bonfim, restaurante do Panorama Group, onde põe em prática uma cozinha experimental, com muita técnica, que aposta no ingrediente e na sua sazonalidade. Trabalha em estreita colaboração com pequenos produtores locais e a preferência por produtos frescos e de qualidade são premissas essenciais ao seu trabalho. O resultado? Pratos memoráveis e carregados de sabor, com raízes portuguesas e influências do mundo.

8. Teresa Rego, ilustradora

É provável que encontre Teresa Rego a trabalhar rodeada das bonitas e coloridas ilustrações que faz no seu atelier na Baixa do Porto e que têm chegado a grandes marcas e a projectos cheios de originalidade. A ilustradora é um caso de sucesso, tanto nas redes sociais, como na sua loja física, e com o seu trabalho tem contribuido para a consolidação do Porto como um pólo artístico independente. O seu percurso começou pela arquitectura, mas foi a ilustração que falou mais alto. Teresa estudou no Reino Unido e voltou para o Porto em 2019, altura em que decidiu abrir o atelier onde hoje desenvolve as suas próprias colecções e colaborações com várias marcas nacionais e internacionais.  

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9. Manu Souza, artista e fundadora da Nü

Abriu um dos primeiros locais de co-working no Porto dedicados à cerâmica e hoje continua a ser uma das figuras de proa de uma geração que revitalizou o gosto por uma cerâmica mais contemporânea e acessível na cidade. Manu Souza é a mente por detrás da Nü, no Bonfim, o atelier que criou em 2017 face à necessidade de ter um espaço para fazer as suas peças de cerâmica. Vai daí, juntou no mesmo lugar, pessoas de vários quadrantes e, além dos trabalhos com barro e das ilustrações, tem cursos de costura e outros workshops que ajudam a criar uma relação muito próxima com a comunidade criativa do Porto.

10. Cátia Monteiro, co-fundadora da Livraria Flâneur

Foi em 2015 que Cátia Monteiro decidiu cumprir um sonho e abrir as portas da Livraria Flâneur, na Boavista, juntamente com Arnaldo Vila Pouca. O projecto, que começou por ser uma livraria ambulante que distribuía livros de bicicleta, rapidamente ganhou uma casa física e tornou-se num exemplo cultural independente e de relevância na cidade, especializado em poesia, arte, romances e filosofia. Cátia ajudou a trazer ao porto mais lugares "de livros, pessoas e palavras". Mais de dez anos depois, continua a ter um um papel essencial no acesso à cultura na cidade. Palavra a palavra.

Mais projectos para admirar

  • Filmes

Dez filmes realizados por mulheres, dez maneiras particulares de olhar para o mundo e de o representar em imagens e em emoções, para a vida, para as relações entre os homens e as mulheres, para a amizade e para a rivalidade feminina, para a família, para as instituições sociais e a forma como as mulheres funcionam nelas. Realizados entre as décadas de 30 e de 90, esta dezena de títulos caracteriza-se pela enorme diversidade temática, de géneros e de registos, e de convicções políticas das suas autoras. E foram rodados, entre outras, por realizadoras americanas, alemãs, iranianas ou russas.

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  • Coisas para fazer

Por todo o lado, são os homens que se vêm mais representados na arte pública, entre estátuas, monumentos ou memoriais, um reflexo dos principais livros de história. No entanto, a história portuguesa também está representada no feminino, embora em menor número, graças a mulheres que acabaram por marcar o seu tempo. Das artes à política, todas estas mulheres, das mais diversas classes sociais, mereceram homenagem nas ruas da cidade do Porto. E muitas mais o merecerão, mas isso já é outra história. Para já, fique com algumas das estátuas da cidade que celebram as mulheres.

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