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Feitoria

Restaurantes, Pan-asiático Belém
5 /5 estrelas
5 /5 estrelas
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Feitoria
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Feitoria - Altis Belém
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Feitoria
3/5
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Feitoria - Trufas
4/5
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Feitoria - Bife
5/5
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A Time Out diz

5 /5 estrelas

Em semana de chuva de estrelas, sentámo-nos à mesa do Feitoria para uma incrível viagem, conduzida pela chef João Rodrigues

Sabor, qualidade, criatividade, aparato. Bastariam estas palavras para descrever uma refeição no Feitoria. E, por consequência, a cozinha de João Rodrigues. Mas antes, um pequeno intróito.

O chef sucedeu a José Cordeiro 
à frente do Altis Belém. Agarrou a estrela Michelin ganha em 2012 e,
 mais do que isso, escalou um caminho surpreendente e consistente, bem sustentado pela qualidade da matéria-prima escolhida – prova disso é o menu Terra, uma exímia degustação 100% vegetariana de três pratos, em boa parte assegurada pela Quinta do Poial. Se merecia a segunda estrela, como foi vaticinado e acabou por não acontecer? Merecia. Os critérios dos inspectores do guia são subjectivos, já se sabe, mas quem dá a dupla estrela ao Belcanto e ao Yeatman, dá também ao Feitoria. É tudo a mesma liga.

Jantei lá no dia em que choveram estrelas, já depois de anunciados os resultados. Nenhum sinal de desilusão, nenhum sinal de impaciência, nenhum percalço na sala em três horas de refeição. Aqui pratica-se serviço de mesa sério, silencioso e atencioso. A velha guarda da escola de hotelaria. Ponto final. Vamos à comidinha.

O sabor. Esteve presente do início ao
fim da refeição, em todos os pratos, aperitivos e minidoses. Sempre com a intensidade correcta, mesmo quando o produto base vinha mascarado. Esteve no aperitivo que abriu as hostilidades, composto por um fresco cubo de melão infusionado com hibisco e raspas de lima no topo; na falsa cereja de foie gras mi cuit coberto de gel de cereja (esplendoroso, a rebentar na boca); e na air baguette recheada de queijo de Azeitão e copita. E esteve na cevadinha cremosa com legumes, coração de alface grelhada e marinada de pimentos. Trazia o seu quê de italiano no conjunto, um equilíbrio perfeito de sabores.

A qualidade. É sabido que um bom produto não faz um prato, mas contribui bastante para o seu sucesso. João Rodrigues rodeou-se de bons fornecedores (lotas de Peniche e Algarve no peixe e marisco; Poial nos legumes e frutas bio) e a melhor prova disso foi o prato de tomates biológicos, regado com água de tomate e azeite de coentros. Fora de série. Várias cores e vários sabores em cada um dos frutos. A acompanhar, telhas de milho crocante, primas chiques das pipocas, que se desfaziam na boca e me deram vontade de pedir um saco inteiro para levar. Qualidade também na recriação da caldeirada portuguesa, com um creme de batata, cebola e pimento, amêijoa-real, berbigão, percebes, algas e salicórnia, que vinha a acompanhar o pregado salteado. Cheiro a mar e sabor intenso a cada colherada.

Criatividade. Não há aqui espumas desnecessárias, excesso de texturas ou de sabores. E isso é, a meu ver, a maior prova de criatividade e know-how de um chef. Gostei muito da combinação do amuse-bouche, salmonete cru, braseado na pele, com um cubo de pêra nashi, um de aipo e outro de pepino, mergulhados num saboroso caldo dashi de romã. Palmas. E da sobremesa de pêssego, mascarpone e hortelã caramelizada – que apetece emoldurar de tão bonita –, um conjunto de sabores bem trabalhado, a chegar na temperatura certa, feito com crocante de lúcia-lima na base, um creme de iogurte e mascarpone, pêssego do Paraguai e pêssego aromatizado com late harvest em pedaços e ainda menta caramelizada.

Aparato. Dois momentos fizeram virar cabeças na sala. Primeiro na recriação da matança do porco, com uma presa ibérica médio-mal passada (a deixar um pequeno travo a sangue na boca), que trazia um pedaço de lenha ao lado
a fumegar, só para recriar o ambiente afumado;depoisapré-sobremesaa representaroiníciodoInverno,um pedaço de merengue, feito através da infusão de carqueja e essência de menta, servido directamente de um balde de gelo, que me pôs a deitar fumo da boca e do nariz; vinha acompanhado de microcoscorões com gel de yuzu em formato folha de azevinho, trazidos em cima de um bonsai num vaso, já sem folhas , mas cheio de “neve”.

Resumindo a noite. Vieram dois menus, o Terra (três pratos, 80€) e o Tradição (quatro pratos, 95€), mais dois aperitivos, um amuse-bouche, uma pré-sobremesa e chocolates no final. Nem todos os pratos chegaram às cinco estrelas, uns ficaram ali nas quatro e meia. Mas chamando a estatística à equação, e porque mesmo no que esteve só muito bom a ideia e a qualidade sentiram-se, a média dá as merecidas cinco.

*As críticas da Time Out dizem respeito a uma ou mais visitas feitas pelos críticos da revista, de forma anónima, à data de publicação em papel. Não nos responsabilizamos nem actualizamos informações relativas a alterações de chef, carta ou espaço. Foi assim que aconteceu.

Por Marta Brown

Publicado:

Detalhes

Endereço Altis Belém Hotel & Spa
Doca do Bom Sucesso
Lisboa
1400-038
Preço Mais de 50€
Contato
Horário Seg-Sáb 19.30-23.00
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