Música

O seu guia para os melhores concertos em Lisboa, festivais e últimas notícias de música

Duquesa traz o 'Norte Litoral' a Lisboa
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Duquesa traz o 'Norte Litoral' a Lisboa

Duquesa é a personagem que Nuno Rodrigues, vocalista e guitarrista dos Glockenwise, encarna quando se apanha em palco e em estúdio sem a banda de garage rock com quem toca desde a adolescência. Falámos uns dias antes da apresentação do novo disco, Norte Litoral, no MusicBox.   Da última vez que falámos, no ano passado, estavas a considerar estagiar num escritório de advogados. O que estás a fazer agora? Desde que terminei a licenciatura, para aí em 2013/2014, que andei só a tocar. Não fazia mais nada. Mas estava aborrecido por não ter o que fazer entre as nove e as cinco, como as pessoas normais, e decidi arranjar um trabalho a sério (risos). E agora estou a estagiar. Mas acabei por não seguir o caminho tradicional, por não ir para uma sociedade de advogados fazer coisas chatas. Estou num escritório pequeno no Porto. Fazemos várias coisas porque é importante que tenha contacto com as áreas todas durante o estágio. Mas a minha área de interesse é a propriedade intelectual e os direito de autor. Conseguias viver só da música, se quisesses? Os meus únicos rendimentos neste momento são da música, visto que não recebo nada pelo estágio. A maior parte dos estágios em advocacia não são remunerados. Por isso continua a ser apenas a musica. Não é uma vida muito glamorosa, mas é fixe ter esse sustento. Ainda por cima a fazer uma coisa de que gosto.  Como é que equilibras a música e esse trabalho das nove à cinco? O teu patrono não se importa que te baldes ao trabalho para dar en

10 canções pop primaveris
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10 canções pop primaveris

Simon & Garfunkel e The Beatles ou os contemporâneos Noel and the Whale e The Divine Comedy inspiraram-se na Primavera para criar algumas das melhores canções pop de sempre. Festeje a chegada da nova estação com os phones nas orelhas e o volume no máximo. 

Os melhores concertos em Lisboa esta semana
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Os melhores concertos em Lisboa esta semana

Por toda a cidade há concertos. Alguns valem mais a pena do que outros, por isso siga as nossas sugestões dos melhores concertos em Lisboa esta semana.

Slow J: “A minha música é para toda a gente”
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Slow J: “A minha música é para toda a gente”

Conversámos com um dos nomes maiores do hip-hop nacional enquanto bebia um chá na Champanheria do Largo. Ainda disponibilizou uma fita métrica para servir do suporte do gravador. Slow J é um artesão sem medidas fixas.   Posso perguntar-te porque é que tens uma fita métrica no bolso?  Tenho que levar um móvel e preciso de saber se cabe no carro.  Estás em mudanças, é isso?  Ya, mudei-me há duas semanas para a Parede. Antes estive seis meses no Cais do Sodré a fazer uma residência artística, tinha o quarto e o estúdio pegados, num espaço que se chama Lost Lisbon. Tinha um ambiente muito fixe... Foi aí que fizeste parte do disco?  Sim. Antes já tinha estado 5 ou 6 meses no estúdio do Fred [Ferreira, produtor].  Quanto tempo levaste para fazer este disco?  Dois anos.  Chega?  Mais ou menos...saiu-me mesmo do corpo. Foi a primeira vez que investi tanto tempo numa cena minha e o balanço agrada-me. O disco ultrapassou as minhas expectativas e ao mesmo tempo vivi bem...passei por grandes experiências.  Essas experiências levaram-te a escutar o Presidente Mujica, ao ponto de teres dois samples do homem no disco?  Identifiquei-me muito com as ideias do gajo, os samples que estão lá vêm especificamente de um documentário que é o Human, não sei se já viste... Confesso que não.  Vale a pena. É um documentário que filma pessoas pelo mundo inteiro, sempre num fundo preto, e com histórias de todo o tipo, desde o Mujica até um perfeito anónimo com experiências humanas fortes. Q

Cinco fugas ao fado de Camané
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Cinco fugas ao fado de Camané

Camané é um dos melhores fadistas portugueses. Correcção: é um dos melhores cantores. Ao longo dos anos, afastou-se mais do que uma vez do fado, colaborando com outros músicos e cantando outros autores, das versões de António Variações dos Humanos à recente recriação de “Space Oddity”, de David Bowie, na companhia de David Fonseca, passando pelas várias colaborações com os Dead Combo. E estas cinco fugas ao fado que merecem ser ouvidas. 

Jazz & Clássica

10 motivos para se apaixonar por Mahler
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10 motivos para se apaixonar por Mahler

Gustav Mahler (1860-1911) deixou uma obra relativamente breve, pois faleceu com apenas 50 anos e boa parte do seu tempo estava tomado pelos afazeres como maestro e director da Ópera da Corte (Hofoper) de Viena, pelo que só nas férias de Verão podia consagrar-se à composição. O espectro de géneros a que se dedicou foi também invulgarmente limitado: sinfonias e canções, para voz e piano e ou voz e orquestra. Não deve ver-se nesta escolha um sinal de conservadorismo ou estreiteza de espírito – a perspectiva de Mahler sobre o que deveria ser uma sinfonia era muito abrangente, como ficou bem explícito na famosa resposta que deu ao compositor finlandês Jean Sibelius que cultivava um conceito de sinfonia regido por regras austeras e uma lógica interna muito coerente: “Não! A sinfonia deve ser como o mundo, deve abarcar tudo”. E. com efeito, nas sinfonias e canções de Mahler está o mundo inteiro. A soprano Iwona Sobotka, o barítono Luís Rodrigues, a Orquestra Metropolitana de Lisboa e o maestro Michael Zilm apresentam a colecção de canções orquestrais Des Knaben Wunderhorn, de Mahler; o programa inclui a Sinfonia n.º 4 Trágica, de Schubert. CCB, domingo 26, 17.00, 5-20€

10 obras clássicas que celebram a Primavera
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10 obras clássicas que celebram a Primavera

A Primavera tem vindo a inspirar compositores ao longo dos séculos e como a estação se reveste de diferentes formas em diferentes climas, os resultados têm sido muito variados, podendo incluir ou não cucos, campainhas e lepidópteros  

Sete razões para começar a gostar de Wagner
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Sete razões para começar a gostar de Wagner

Richard Wagner tem má fama e parte dela é justificada: não tem culpa de ter sido o compositor favorito de Hitler e o compositor semi-oficial do III Reich, mas é verdade que, em 1850, escreveu, sob pseudónimo, um artigo intitulado “O Judaísmo na Música”, em que atacava violentamente os compositores judeus Mendelssohn e Meyerbeer e considerava o judeu como um elemento estranho e nocivo à cultura alemã; e não o fez de ânimo leve, pois republicou o panfleto em 1869 sob o seu próprio nome. E também é certo que possuía um carácter execravelmente egocêntrico, tinha uma ideia desmedidamente exaltada de si mesmo e não era estorvado por escrúpulos na luta por obter aquilo a que julgava ter direito: “Não sou feito da mesma massa que as outras pessoas. Necessito de esplendor, beleza e luz e o mundo deve-me aquilo de que necessito. Não posso viver com um mísero ordenado de organista, como o nosso mestre Bach”. Numa carta a um potencial mecenas, o Barão Robert Freiherr von Hornstein, garantia: “A assistência que ireis dar-me, permitir-vos-á desfrutar da minha intimidade e creio que ficareis agradado por saber que, no próximo Verão, poderemos passar três meses juntos numa das vossas propriedades, de preferência na zona do Reno” – é talvez o pedido de empréstimo mais petulante alguma vez feito. O facto de ter sido detestável como pessoa, não impede que tenha composto excelente música, embora esta seja muitas vezes vista como empolada, enfática e maçadora e de as suas óperas terem fama de se

Sete bateristas que marcaram a história do jazz
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Sete bateristas que marcaram a história do jazz

No princípio, a bateria servia para marcar o tempo, mas as inovações trazidas por bateristas excepcionais foram alterando o seu papel e convertendo-o num par dos outros instrumentistas. Eis sete dos muitos nomes que fizeram essa revolução

As nossas escolhas

Notorious B.I.G.: 20 anos depois, 10 canções obrigatórias
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Notorious B.I.G.: 20 anos depois, 10 canções obrigatórias

Christopher George Latore Wallace. O nome, dito assim por inteiro, diz-lhe alguma coisa? Aqui vai uma ajuda: este senhor tornou-se gente enquanto Notorious B.I.G., um dos grandes rappers da história. E a história, infelizmente, relembra-nos que hoje se assinalam 20 anos da sua morte. Nada como recuperar algumas das suas melhores canções. Antes disso, passemos os olhos pela sua carreira, que foi também a sua vida. Nasceu em Brooklyn a 21 de Maio de 1972 e morreu a 9 de Março de 1997 em Los Angeles por um assassino, nunca descoberto, que disparou a partir de um carro e que se pôs a milhas. Notorious estava em Los Angeles a promover o seu segundo disco Life After Death, que viria a ser editado dia 25 de Março de 1997, uns dias depois do seu desaparecimento. Antes disso já tinha editado o seminal Ready to Die, em 1994. Dono (provavelmente) do melhor flow de sempre, Biggie Smalls tem hits que teimam em permanecer por aqui (pensemos em “Juicy” ou em “Big Poppa”) e um historial de vida problemática. A disputa East Coast-West Coast, que o opôs a 2Pac, foi dos temas mais falados e que mais controvérsia gerou nos anos 90. Arrufos à parte, B.I.G. é um dos nossos reis eternos. Agora que se assinalam os vinte anos da sua morte (e dia 25 os 20 anos de Life After Death) deixemo-nos de ruído desnecessário e concentremo-nos na sua música. Os temas que seguem são para ouvir em loop. Como, de resto, toda a sua discografia. Longa vida a Biggie.

10 pérolas secretas da música pop
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10 pérolas secretas da música pop

O prólogo ao livro de poemas Os conjurados (1985), a derradeira obra de Jorge Luís Borges, é tão precioso e iluminador como o melhor dos seus poemas. Escreve Borges, do alto da infinita sabedoria dos seus 86 anos: “Com o correr dos anos, observei que a beleza, tal como a felicidade, é frequente. Não se passa um dia em que não estejamos, um instante, no paraíso. Não há poeta, por medíocre que seja, que não tenha escrito o melhor verso da literatura, mas também os mais infelizes. A beleza não é privilégio de uns quantos nomes ilustres”. Seguem-se dez comprovativos, não de como mesmo poetas medíocres são capazes de magníficos versos, mas de que existem criadores talentosos a viver longe dos holofotes, porque, pura e simplesmente, não existe uma relação entre talento e reconhecimento. São 10 músicas pop que poucos conhecem, mas todos deviam conhecer. 

As músicas favoritas dos grandes líderes mundiais
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As músicas favoritas dos grandes líderes mundiais

As preferências musicais dos líderes políticos poderiam revelar, se fossem sinceras, o seu lado mais íntimo e humano. Porém, nada nos garante que os políticos, que tantas vezes mentem ou se ficam pela meia-verdade sobre assuntos sérios, de importância capital e de interesse nacional, não falseiem as suas inclinações mais íntimas e subjectivas. Muitos são os factores que podem convidar à distorção: uns pretendem mostrar-se mais cultos e sofisticados do que realmente são e afectam conhecimentos e familiaridades que não possuem (ficaram famosos os “concertos para violino de Chopin” de um certo secretário de Estado da Cultura); pelo contrário, outros, receando intimidar o cidadão comum ao denunciar um gosto demasiado “intelectual”, fingirão ser adeptos de artistas populares; muitos privilegiarão os artistas nacionais, como se isso revelasse um mais firme empenhamento no serviço da nação; outros cingirão as escolhas a artistas no mesmo comprimento de onda ideológico; outros delegarão a elaboração da playlist oficial a uma equipa de assessores e consultores de imagem, que farão a selecção regendo-se por sondagens e estudos de opinião, de forma a projectar uma imagem pública do líder tão consensual e abrangente quanto possível, de modo a não alienar potenciais eleitores; e quase todos simularão uma paixão pela música muito mais intensa do que a real. É com estas reservas em mente que deveremos tomar as listas de músicas favoritas que, de vez em quando, surgem na imprensa.

Aretha Franklin retira-se. Devemos-lhe todo o “Respect”
Música

Aretha Franklin retira-se. Devemos-lhe todo o “Respect”

A realeza que se cuide. Quando uma rainha informa que o seu reinado está a chegar ao fim, as televisões atropelam-se para ver quem chega primeiro. E logo esta, Rainha da Soul, Rainha da Voz, Rainha, apenas, que dispensa qualquer título à frente. Aretha Franklin, a nossa Rainha preferida, acaba de anunciar a sua retirada do mundo da música durante o ano de 2017.  E não fosse da melhor realeza que a monarquia musical já teve e isto não acabaria em grande. O jubileu de Aretha mais não é que um disco colaborativo com Stevie Wonder, a editar em Setembro, e que será uma homenagem à cidade onde se fez gente: Detroit. Prestemos-lhe, também nós, vassalagem.  Ao canal televisivo regional Detroit WDIV Local 4 a diva confessou que estava na hora: “Estou muito agradecida e satisfeita com a minha carreira, de onde veio aquilo que atingi até agora”. Dito isto, foi a própria a admitir que esta é uma meia reforma. Ou seja, se por um lado, aos 74 anos, quer dedicar mais tempo aos seus netos e restante família, também esclarece que parar totalmente não é consigo. “Não vou ficar sentada, sem fazer nada. Isso não seria bom. Estou aberta a seleccionar coisas, uma vez por mês, mas nunca mais do que seis meses por ano”, explicou à televisão local. Felizmente.  Apesar de ter nascido em Memphis, Aretha mudou-se para Detroit aos cinco anos, onde começaria a cantar gospel em coros de igrejas locais. Em 1956 editaria o seu primeiro disco, com selo da Columbia, com sucesso razoável. Mas foi em 1967, qu

Sete filmes sobre músicos
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Sete filmes sobre músicos

Filmar a vida dos músicos é vulgar. Fazê-lo bem (há um longo rol de películas medíocres) é outra conversa. Com as injustiças próprias de uma lista, esta orienta-se pela qualidade cinematográfica propriamente dita, isto é, por esse raro saber de equilibrar a obra e a vida de um músico com a sétima arte. 

Últimas notícias

Nos Alive. Já não há passes para os 3 dias e há bilhetes a voar
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Nos Alive. Já não há passes para os 3 dias e há bilhetes a voar

Se está a pensar ir ao Nos Alive e ainda não tratou dos bilhetes é melhor despachar-se depois da leitura deste texto — e ir começando a pensar no que vai fazer à sua vidinha.    Segundo a organização do festival, agendado para os dias 6, 7 e 8 de Julho, os passes para os três já esgotaram. Em comunicado, adiantam ainda que o último dia do evento no Passeio Marítimo de Algés, liderado pelos Depeche Mode, segue pelo mesmo caminho. Ao que tudo indica, o dia está apenas à distância de 300 bilhetes para esgotar (atenção, que à hora a que ler esta publicação é provável que o número já tenha reduzido). Se entretanto está a fazer contas, recordamos que o preço do bilhete diário é de 59€. Simon Green, mais conhecido como Bonomo, é uma das mais recentes confirmações do Nos Alive. O britânico actua dia 6 no Palco Heineken. Acompanhe o resto do cartaz aqui.   

António Zambujo volta ao Coliseu por uma noite (por agora)
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António Zambujo volta ao Coliseu por uma noite (por agora)

António Zambujo é um sério fenómeno de popularidade. No início do mês esgotou três concertos na Fundação Gulbenkian (e arriscamos escrever que só não esgotou o quarto porque não o marcaram), onde apresentou o disco Até Pensei que Fosse Minha. Se não arranjou bilhete, ou quer repetir a dose, está com sorte: Zambujo também vai cantar o repertório de Chico Buarque no Coliseu de Lisboa no dia 24 de Junho. É muito provável que os bilhetes para esta primeira data esgotem num ápice, mas se isso acontecer não será o fim do mundo. Será apenas a deixa para marcar mais uma noite no Coliseu. Pelo menos a julgar pelo padrão que se começa a formar em torno das suas apresentações em Lisboa. Aceitam-se apostas: quantos Coliseus vai esgotar António Zambujo desta vez?

Nick Cave & The Bad Seeds anunciam best of
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Nick Cave & The Bad Seeds anunciam best of

Chama-se Lovely Creatures – The Best Of Nick Cave & The Bad Seeds 1984-2014 e aglomera 30 anos de música de um dos maiores   Nick Cave não necessita de desculpas, nem de qualquer género de substantivo após maior. É, simplesmente. E assim sendo também não é preciso grandes motivos para editar um best of. Em conjunto com a sua banda de (quase) sempre anuncia Lovely Creatures – The Best Of Nick Cave & The Bad Seeds 1984-2014, disco que recupera 30 anos da sua melhor música. Tomemo-la, portanto, como uma das melhores notícias dos últimos tempos. Com o selo da Mute Records/BMG está nas lojas a 5 de Maio. Numa declaração disponibilizada pela editora, Nick Cave argumentou: “Há pessoas que não sabem onde começar com os Bad Seeds. Outros que conhecem o catálogo melhor que eu. São muitas canções. Aquelas que escolhemos são as que, por alguma razão, permaneceram. Alguns desses temas são aqueles que nos exigem tocar ao vivo. Outros são simplesmente os nossos preferidos. Outros são demasiado grandes e têm demasiada história para ficarem de lado. E ainda há aqueles não conseguirem, pobres coisas. Esses são aqueles que devem descobrir por vocês”. No fundo, é uma visita automática ao imaginário Nick Cave, esse senhor que tantos nos segurou em momentos delicados, esse senhor que sempre nos ensinou a olhar mais longe. A respirar, a falar com o silêncio. Da estreia From Her To Eternity (1984) até Push The Sky Away (2014), o seu décimo quinto disco de estúdio. O objecto foi compilado por Nic

Thundercat, em modo 'Drunk'
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Thundercat, em modo 'Drunk'

O terceiro disco do músico de Los Angeles acaba de sair e segue o seu nome: 23 canções de alcoolémia soul, para beber até ao fim  Quem te avisa teu amigo é. Portanto aqui siga o conselho: Thundercat é para escutar até se cansar. Sendo que o mais certo é não alcançar esse ponto. Ao terceiro disco, a terceira vitória do multi-instrumentista que anda sempre com o baixo às costas. Drunk, sucessor de The Golden Age of Apocalypse (2011) e de Apocalypse (2013), tudo editado pela Brainfeeder, do amigo e colaborador de sempre Flying Lotus, é um objecto meio alienígena que carece de enquadramento fixo. É, isso certamente, uma harmonia soul para quem quiser dançar slows, uma praia atestada de elementos, um vai-vem sem risco de queda para o abismo.  E se há tendência que facilmente se identifica em Thundercat é um abdicar gradual da electrónica. Ou seja, não é que tenha desaparecido, mas está mais discreta, menos mandona na hora de se fazer notar na sonoridade. O baixo parece mandar nisto tudo, sendo que talvez, na verdade, seja sobretudo o real ponto-zero, de onde tudo parte.  23 temas onde se contam várias colaborações: Kendrick Lamar, Wiz Khalifa, Pharrell Williams, Michael McDonald e Kenny Loggins. É, no fim de contas, um disco para se ir descobrindo. Esta “Walk On By” (com Kendrick Lamar) é um belo abrir de portas.