Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Porto icon-chevron-right Música nortenha: oito nomes aos quais deve estar atento este ano
Chico da Tina
© Andreia Gomes Carvalho Chico da Tina "faz uma sarrabulhada de trap, electrónica, concertina e as gírias regionais do Alto Minho"

Música nortenha: oito nomes aos quais deve estar atento este ano

A música nortenha está boa e recomenda-se. Apresentamos-lhe oito novos compositores, rappers e bandas de rock e electrónica que vão dar que falar.

Por Ana Patrícia Silva
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Década nova, música nova. Bom, mais ou menos. Alguns destes nomes não lhe serão completamente estranhos ao ouvido, mas outros poderão passar mais despercebidos, sobretudo para quem anda à margem da ecléctica música que se faz no norte. Vai daí, não há melhor pretexto que o virar da página do calendário para renovar a sua playlist com boa música de compositores, letristas, cantores e bandas que vão dar que falar nos próximos tempos. Do rock ao samba, passando pelo rap ou pela música electrónica, há ritmos para todos os gostos. Eis oito nomes da música nortenha a que deve estar atento. 

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Música nortenha: oito nomes aos quais deve estar atento este ano

1
Marta Carvalho
© Manuel Lino

Marta Carvalho

Raras vezes se ouve uma voz com tanta confiança e segurança num single de estreia. Com “Deslizes”, tema que escreveu e co-produziu com Suaveyouknow e wndrlst, Marta Carvalho mostrou-se sintonizada com o r&b contemporâneo, polido pela pop e cantado em português. A cantora e compositora do Porto aprendeu a tocar clarinete e guitarra, tocou em orquestras, foi finalista do The Voice em 2016, mudou-se para Lisboa e integrou os Great Dane Studios como compositora e letrista. Em 2020 completa 21 anos, é uma das compositoras convidadas no Festival da Canção e vai apresentar o segundo single e a primeira digressão.

> facebook.com/martacarvalhomusic

2
Lonzdale's Fantasy
© DR

Lonzdale's Fantasy

É ao vivo que o electro-banjo-punk dos Lonzdale's Fantasy tem espaço para espernear. São constituídos por Nils Meisel (banjo, electrónica) e Kenneth Stitt (voz, performance), formaram-se no Porto em 2018 e atravessam o hip-hop e o pugilismo punk com surrealismo lírico. A partir de uma rudimentar base rítmica, Kenneth Stitt dispara vocalizações combativas e danças frenéticas em performances que carregam perigo e provocação. É um som hostil, de visceralidade libertadora, um espaço catártico onde os Lonzdale's Fantasy podem respirar, ruminar e refugiar-se da podridão do mundo.

> londzdalesfantasy.bandcamp.com

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3
Carol
© Sara Sofia de Melo

Carol

Nasceu com o samba, no samba se criou, e do danado do samba nunca se separou. Carollyne Barreira tem 22 anos e vive no Porto, mas nasceu no Nordeste brasileiro. Em casa sempre teve instrumentos de percussão e de cordas para brincar, participava no grupo de samba do pai e cantava na igreja. Criou este projecto há três anos, depois de uma desilusão amorosa que a levou a “encontrar a cura no processo de composição”. Dando carinhos de amor e carícias de mel aos ouvidos, Carol usa a voz e o violão para fazer “sambinhas tristes que impulsionam uma visão fraccionada sobre este nosso estado frágil enquanto ser humano”.

> carollymusic.bandcamp.com

4
Gator, The Alligator
© DR

Gator, The Alligator

O rock não morreu e continua a ser tocado bem alto e sujo em Barcelos. Na última década, a terra do galináceo fez mais pelo rock nacional do que qualquer outro ponto do país. A nova geração não dá sinais de abrandar e os Gator, The Alligator são uma das mais entusiasmantes bandas a manter a chama acesa. São quatro amigos que se conhecem desde os tempos de escola, submetidos aos feitiços do fuzz e do garage rock psicadélico, carregados com ansiedade juvenil, irreverência punk e riffs estrondosos. Em Fevereiro arrancam com uma digressão europeia e em Março deve chegar um novo álbum.

> gatorthealligator.bandcamp.com

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5
Cláudia Pascoal
© DR

Cláudia Pascoal

Em 2018, a canção “O Jardim”, com Isaura, foi o último lugar mais injusto de sempre na Eurovisão. Não terá sido fácil sobreviver a esse resultado, mas Cláudia Pascoal não é pessoa para desistir. Antes já passara por programas como The Voice e Ídolos e a vida ensinou-lhe a resistir e a continuar a tentar. Em Março deste ano chega o álbum de estreia produzido por Tiago Bettencourt e com colaborações como Samuel Úria, que assina e com ela canta o single “Viver”. A soprar miminhos ao ouvido, embalada por uma brisa brasileira, a expressividade natural de Cláudia Pascoal mostra que encontrou finalmente o seu lugar.

> facebook.com/claudiapascoalmusic

6
Bug
© Marcos Ferreira

Bug

Ele escreve poemas para que eles o curem, mas um dia percebeu que os devia partilhar com o mundo. Integrado na vertente mais granítica, cinzenta e conscienciosa do hip-hop portuense, Bernardo Valinhas é uma das novas apostas da Paga-lhe o Quarto, editora liderada por Keso. No EP Tripolar, com produções de Duarte Dias, Kap e do próprio, o rapper de Paços de Ferreira revela-se intimista e introspectivo. Usando as rimas e batidas como terapia, muniu-se do poder curativo da poesia. Com uma lírica de lince, usa o rap e a spoken word para mostrar os desabafos de um artista que tenta resolver as suas inseguranças a partir da música.

> bit.ly/tripolar

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7
Conferência Inferno
© Marta Teixeira

Conferência Inferno

Embrenhados em nevoeiro, entre o Porto, Vila Real e Aveiro, Raul Mendiratta e Francisco Lima formam o duo Conferência Inferno. Moldam uma electrónica dançável de uma matriz marcial com delírios de ritmos kraut, punk com ferrugem e atmosfera darkwave. É o som do submundo, retratos de cidades urbano-depressivas e gentrificadas, com uma lírica tingida de tons nocturnos e surrealistas. Na decadência e no cinzentismo nortenho encontram a beleza e uma inesperada vontade de dançar. Depois de lançarem o EP Bazar Esotérico, para este ano vão preparar mais música e mais concertos.

> conferenciainferno.bandcamp.com

8
Chico da Tina
© Andreia Gomes Carvalho

Chico da Tina

Chico da Tina (Francisco da Concertina) é um rapper e skater de Viana do Castelo que faz uma sarrabulhada de trap, electrónica, concertina e as gírias regionais do Alto Minho. Com uma escrita crítica e caricatural, com sentido cómico e bairrista, desconstrói os lugares comuns do discurso de ostentação e auto-superação do rap. Chico da Tina cavalga o vernáculo minhoto com rudeza, subverte o linguajar minhoto e usa caralhadas como vírgulas. O seu cancioneiro é vívido em detalhes, entre contos anais, lampreias ilegais, marisco galego, mamilos, minetes e outros manjares.

> chicodatina.bandcamp.com

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