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calçada
Fotografia: Manuel Manso

A calçada portuguesa é candidata a Património Cultural Imaterial

A Associação Calçada Portuguesa formalizou a candidatura de inscrição da calçada artística portuguesa no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.

Por Renata Lima Lobo
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A calçada portuguesa poderá brevemente ser inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. Pelo menos é essa a vontade da Associação Calçada Portuguesa (ACP), que apresentou esta sexta-feira a candidatura “Arte e Saber-Fazer da Calçada Portuguesa”. E este é apenas um primeiro passo. No horizonte está uma candidatura a Património Cultural Imaterial da Humanidade, junto da UNESCO.

A candidatura agora apresentada não só destaca a arte final, como os artistas, os calceteiros, uma profissão em vias de extinção. António Prôa, ex-vereador municipal e secretário-geral da associação e acérrimo defensor da calçada artística portuguesa, sublinhou durante a apresentação que são eles “a base e o fundamento desta proposta”.  Prôa, que em 2016 assinou – juntamente com o então vereador Manuel Salgado – a proposta do regresso do Monumento ao Calceteiro às ruas de Lisboa, defendeu mesmo que a capital não seria a mesma sem calçada artística. 

monumento ao calceteiro
Fotografia: Duarte DragoMonumento ao Calceteiro, em 2017


Há, no entanto, ameaças ao futuro desta expressão artística nacional, que se querem ver combatidas com a aprovação desta candidatura. É o caso da diminuição dos mestres calceteiros ao longo dos anos, uma profissão que carece de certificação e de remuneração adequada. Se em 1927 Lisboa contava com 400 calceteiros, em 1979 eram menos de 30 e hoje estão apenas 11 no activo.

“É incontestável a importância do saber fazer da calçada portuguesa e se não se acautelar o apoio directo aos calceteiros e às suas equipas de modo que tenham orgulho e reconhecimento da sua arte, a calçada portuguesa, tal como a conhecemos, desaparecerá a curto prazo”, alerta o secretário-geral da ACP, que dedica esta candidatura aos calceteiros. Porque é deles esta arte que embeleza o chão que pisamos tantas vezes sem ver com olhos de ver.

Também presente, Fernando Medina, presidente da CML, explicou que em Lisboa há sítios em que a calçada foi substituída por pavimento confortável, nomeadamente em zonas inclinadas sem carácter histórico e com uma população envelhecida. Mas defende que essa opção veio a par com uma valorização e incremento das zonas de utilização de calçada artística e de reconstrução do espaço público da cidade de Lisboa, dando como exemplos as obras no Eixo Central ou no Cais do Sodré.

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