Notícias / Vida urbana

Cinco perguntas a... Laura Lupini

Oitoo
©DR André Bateira, Francisco Koehler, Laura Lupini, Joao Machado, Diogo Morais, Jorge Moutinho, Maria Pais de Sousa, Nuno Rodrigues, são o colectivo de arquitectos oitoo

Depois de fazerem um inventário dos espaços abandonados no Porto o ateliê oitoo escolheu quatro para receberem as acções “Eu queria que isto fosse...”. E o que é esta iniciativa? Como pode participar? Estas são algumas das perguntas que fizemos a Laura Lupini ⅛ deste ateliê. O oitoo é um gabinete de arquitectura que tem a função de observatório e se dedica à discussão e organização de iniciativas relacionadas com os lotes e edifícios abandonados ou subaproveitados no Porto.

 

Como surgiu a ideia de começar a organizar as acções “Eu queria que isto fosse...” no Porto?

Surgiu porque no Porto existem vários lotes devolutos (abandonados) e há falta de serviços de bairro. A ideia veio de uma artista urbanista que se chama Candy Chan e cuja acção se chamava “I wish this was”. Ela colocava papéis nos edifícios devolutos e deixava uma caneta para que o cidadão escrevesse o que é que aquele edifício/espaço podia ser para aquele bairro ou cidade. É uma experiência de participação colectiva.

Porque é que acham este tipo de iniciativas importantes para a cidade?

O Porto está a viver uma fase importante, temos visto muitas obras de reabilitação da cidade mas tudo com fins muito focados no turismo. Isto por um lado é bom, por outro lado tem causado muitos problemas aos cidadãos, às pessoas que tiveram que sair do centro e às que ainda vivem lá. Esse é o nosso target, o cidadão.

Qual é o objectivo concreto destas acções? O que é que acham que vão conseguir mudar?

O objectivo para já é o lançamento do debate público. Depois de se investir nestas acções, pode aí existir uma participação do cidadão e investimento de modo a que haja reabilitações em cadeia. Os edifícios/lotes podem ser transformados em locais como jardins comunitários, parques ou serviços de bairro, por exemplo. O objectivo é também incentivar a que os espaços ganhem uma nova vida e nós estamos a propor-nos para fazer isso e o nosso trabalho pode ser também esse.  

Isto tem tido impacto nos portuenses?

Ainda só fizemos uma acção, que foi muito positiva. As pessoas param para falar connosco, escrevem e felicitam-nos. Outro dos objectivos destas acções é também fazer com que os cidadãos tenham consciência e voz para falar daquilo que se passa na cidade.

Como é que as pessoas podem participar? Só preenchendo a frase?

Nestas acções o que pedimos é que parem e que pensem no que é que falta no bairro deles ou no bairro onde trabalham ou onde têm os filhos na escola. 

 

Os autocolantes utilizados nas acções de rua
©DR

 

As quatro acções planeadas vão passar por várias ruas da cidade. A primeira paragem foi a Rua dos Bragas, e a segunda, na Rua Álvaro Castelões, foi cancelada por causa do mau tempo e será em breve reagendada. Dentro de dois dias acontece na Rua de Cedofeita (16 de Março) e por último na Rua da Constituição (23 de Março).

 

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