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A camisola está à venda no site da estilista Tory Burch por 695€
© DRA camisola está à venda no site da estilista Tory Burch por 695€

Designer de moda norte-americana vende camisola poveira por 695€

Sem qualquer referência à sua origem portuguesa, a peça é em tudo idêntica à tradicional camisola da Póvoa de Varzim, que está em processo de certificação.

Por Ana Patrícia Silva
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A polémica estalou esta semana com uma chamada de atenção do Público. Uma peça de artesanato portuguesa, com mais de um século de história, está a ser vendida, sem qualquer indicação da sua origem, por 695€ euros – dez vezes mais do que uma camisola original tricotada e bordada à mão, na Póvoa de Varzim. Encontra-se à venda no site da designer de moda norte-americana Tory Burch, como se fosse da sua autoria.

De acordo com o Público, a peça chegou a estar identificada como uma "sweater inspirada na baja mexicana", mas é em tudo semelhante à tradicional camisola poveira, com os motivos marítimos, os símbolos dos pescadores da Póvoa de Varzim e a coroa da bandeira monárquica nacional. Também não faltam aquilo a que as bordadeiras chamam "tremidinhos" – carreiras em ponto de liga que se encontram no decote e nas cavas – e os "castelinhos", efeitos em ziguezague que orlam os punhos, cós, ombros e golas.

Tory Burch
© DRA camisola está à venda no site da estilista Tory Burch por 695€

Entretanto, centenas de pessoas invadiram as redes sociais da marca, para acusar a estilista de usurpação de um elemento do património cultural da Póvoa de Varzim. A Junta e o Município da Póvoa de Varzim já endereçaram os seus protestos à empresa da estilista, mas ainda não terão obtido resposta. No site, a camisola mudou de nome e perdeu a "inspiração mexicana".

A camisola poveira, originalmente usada pelos "homens do mar", remonta ao século XIX, tendo sido um elemento integrante do traje de romaria e festa do pescador poveiro. Sobre a malha de lã branca são bordados vários motivos relacionados com a vida dos pescadores, como barcos, âncoras, peixes, caranguejos, conchas e estrelas, entre outros. Encontra-se há seis meses em processo de certificação pelas entidades locais.

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