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'Diet Plan for the Western Man'. E se o que comemos não for uma escolha?

Diet Plan for the Western Man
© DR Diet Plan for the Western Man

É um espectáculo com comida e, naturalmente, acontece à mesa. Mas esta não é uma mesa qualquer – é uma estrutura em ziguezague, com quatro alturas diferentes, em que a comodidade não é de todo prioridade. Não espere recostar-se no banco mais confortável do mundo nem sair de barriga cheia depois de um bom jantar. Diet Plan for the Western Man, conferência-performance que se estreou no ano passado na Bienal de Berlim e que está em cena no Ateneu Comercial do Porto de quinta 11 a sábado 13, no âmbito da programação do Teatro Municipal do Porto, quer fazer precisamente o contrário. O objectivo é criar uma inquietação no público sobre a “complexidade do sistema que governa a forma como a comida acaba na nossa mesa”, conta Carlos Azeredo Mesquita.

O designer e artista visual – criador e intérprete da peça a meias com a coreógrafa Luísa Saraiva – nota que os espectáculos com comida seguem normalmente uma abordagem afectiva ligada “às memórias e à pertença”. “Não queremos falar de como o caril da tua avó te faz pensar nas férias”, atira. Em vez disso, pretende-se reflectir sobre “a comida enquanto arma ao serviço da dominação cultural”. “Tem a ver com relações de poder, trocas comerciais, rotas criadas e questões de exploração”, sublinha Luísa Saraiva.

O acesso que uma população tem a certos produtos alimentares é marcado por esse conjunto de factores que, boa parte das vezes, nos passa ao lado quando comemos. “Como habitantes de uma sociedade em que tudo está disponível, achamos que a comida é bastante inócua”, observa Carlos Azeredo Mesquita. As relações de poder são tratadas através de referências da história da arte, da antropologia e da cultura pop e isso traduz-se, por exemplo, no diálogo estabelecido pelos dois intérpretes enquanto andam sobre a mesa e falam ao público “de cima para baixo”.

A comida tem um papel tão relevante na peça como o texto ou o espaço cénico. A carta é confeccionada pelo chef Vasco Coelho Santos, do Euskalduna Studio, e foi feita à medida
 do projecto. “O Vasco deu um grande input criativo e artístico”, revela Luísa Saraiva. São seis os pratos servidos durante o espectáculo, “todos eles bizarros, já que a comida tem uma missão e quer causar algum tipo de reacção”, diz o artista. O menu só é conhecido chegada a hora da performance e não são precisos talheres. Ao longo de uma hora, a peça quer assumidamente tirar o pensamento e o estômago da zona de conforto. Os criadores deixam um aviso ao público: “Este espectáculo não é recomendado a pessoas que tenham alergias mentais.”

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