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Ilustração de Tiago Leal Era Uma Vez... Um Vírus, de Carmen Garcia e Tiago Leal

“Era Uma Vez... Um Vírus”: este livro grátis explica a pandemia às crianças

O objectivo é, mais do que combater a desinformação desde cedo, tranquilizar os miúdos. A enfermeira Carmen Garcia explica porquê.

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Escrito por
Raquel Dias da Silva
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A “nova realidade” pode já não ser assim tão nova, mas o coronavírus continua a ser uma preocupação e é normal as crianças ficarem confusas e nervosas com tantas mudanças nas suas rotinas diárias. “Escrevi esta história agora, porque só agora o meu filho mais velho começou a mostrar sinais de ansiedade. E tenho a certeza de que continua a ser preciso falar disto com todas as crianças”, assegura Carmen Garcia, que por videochamada nos fala do Era Uma Vez… Um Vírus, um livro que é também uma ferramenta de educação para a saúde e já está disponível gratuitamente em formato digital.

Enfermeira e mãe, Carmen está tão familiarizada com a situação epidemiológica do país como com a importância de descomplicar a pandemia em família. Por isso mesmo, para desmistificar o assunto e sossegar os seus dois filhos, criou uma história acerca do coronavírus, “que vivia muito infeliz e passava o tempo a sonhar com uma casa-nariz”. “O mais velho foi forçado a fazer o teste duas vezes, depois de dois casos positivos na sua creche”, recorda-se. “A certa altura apercebi-me que ele estava em pânico, porque passava os dias a perguntar-me se tinha o vírus, se o irmão tinha, se eu tenho. Muitas vezes eles vão para a escola e estranham serem os únicos. Então, ele também me pergunta se os amigos estão doentes em casa.”

Era Uma Vez... Um Vírus
Ilustração de Tiago LealEra Uma Vez... Um Vírus, de Carmen Garcia e Tiago Leal

A primeira vez que contou a história do coronavírus, que “à boleia entre narizes completou a volta ao mundo”, foi em sua casa à hora da sopa, mas também a partilha com outras crianças no centro de testagem Covid-19, onde faz algumas horas. Conta-nos que são raros os miúdos que não vão com medo e que, depois de perceberem melhor o que é “isto do corona” e como podem lidar com ele, todos fazem perguntas. “É importante proporcionar-lhes a oportunidade de expor as suas dúvidas e inquietações”, sugere. “Por isso, quando percebi que podia abrir a porta ao diálogo entre pais e filhos, falei com o Tiago Leal, da Ego Editora, com quem já tinha trabalhado, e disse-lhe que precisava que ele fizesse as ilustrações de graça. E ele fez, porque também sempre foi da opinião de que não se cobra por uma ferramenta de educação para a saúde deste tipo.”

A ideia era contar com o apoio da Direcção-Geral da Saúde na impressão e distribuição, para que chegasse a todas as crianças do pré-escolar e do 1.º ciclo. Sem qualquer resposta aos contactos realizados, Carmen e Tiago avançaram na mesma e decidiram fazer um e-book, para colocar numa plataforma digital, onde pudesse ser descarregado de forma gratuita.

Cronista no Público, com crónicas semanais publicadas no suplemento P2, a enfermeira acabou por ver o jornal associar-se à iniciativa, juntamente com a Multicare. “Conseguimos o que queríamos, que era pôr o livro na ‘rua’ a custo zero. Agora, estou a trabalhar na produção de uma série de televisão, já gravámos o episódio-piloto e a ideia é apresentar uma espécie de Rua Sésamo do século XXI com vários blocos, incluindo um de educação para a saúde”, revela. “Queremos muito ensinar coisas como a reanimação cardiorrespiratória, porque o suporte de vida pode e deve-se aprender desde cedo. A comunicação de ciência é-me muito querida e tenho pena que comuniquemos tão pouco para as crianças.”

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