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Três perguntas a... Ivo Canelas

Três perguntas a... Ivo Canelas
© Hugo Macedo

Gelados, lutas com água ou poder ficar a ver televisão à noite depois da hora de ir para cama são apenas três de Todas As Coisas Maravilhosas, monólogo de Duncan Macmillan que fala de uma criança que escreve uma lista de razões para viver para ajudar a mãe a recuperar de uma depressão. Depois de estrear em Lisboa, a peça que conta com criação e interpretação de Ivo Canelas, pode ser vista no Hard Club até segunda 27.

O que é que foi mais interessante descobrir neste texto?

É um texto que toca em alguns assuntos que são ainda algo tabu na nossa sociedade, como a depressão clínica ou o suicídio como possível consequência desses estados depressivos. Depois, é a história de um miúdo que escreve uma lista de coisas maravilhosas para ajudar a mãe a combater um estado depressivo. Interessa-me trabalhar a forma como podemos fazer os outros pensar sobre temas transversais à sociedade através de um espectáculo onde, apesar da delicadeza do conteúdo, o humor não está ausente. O humor, como diz o Ricky Gervais, é uma ferramenta que nos torna quase invencíveis. Temos de rir daquilo que nos assusta que, em última análise, é a morte.

O Ivo caracteriza esta peça como “uma conversa”. Em que é que isto se reflecte?

Em primeiro lugar, não é uma plateia convencional. A sala está colocada em arena, portanto o público está ao meu redor e eu estou no meio a falar, por isso tenho de me aproximar mais de uma conversa que de um espectáculo completamente definido. Há uma série de momentos em que o público é chamado a envolver-se e isso obriga-me a estar sempre disponível para o que o público oferece e a fazer sempre algo diferente, o que faz com que seja mais uma conversa que um grande discurso [estruturado].

Qual a importância de uma lista como esta nos dias de hoje?

Temos de estar constantemente a deixar uma espécie de post-its uns para os outros para não esquecermos a nossa génese e a nossa finitude. Um amigo meu ligou-me um dia destes a dizer “Olha, não te vejo há dois meses e estava aqui a ver um artigo interessante sobre a quantidade média de vezes que vês um amigo ao longo da vida. Aqui diz que nos vamos encontrar mais quatro ou cinco vezes”. É muito importante ter este pragmatismo e chamar as coisas pelos nomes: isto é um facto, o que é que queres fazer com isso agora? Aceitar que a vida é curta, mas isso nós já sabíamos. Então e se fôssemos já beber um café? Vamos lá contrariar as estatísticas. Temos de estar muito atentos para não deixar passar tudo em dois segundos.

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