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O Marmorista
©DRO Marmorista

Três pratos que tem (mesmo) de provar n’O Marmorista

Uma carta ecléctica, que espelha influências do mundo; uma decoração arrojada, com néones de cores garridas e formas geométricas; e um bar com boas bebidas e muita música. É disto que é feito o novo restaurante da Boavista.

Escrito por
Mariana Morais Pinheiro
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O que é que acontece quando um arquitecto, um advogado, um engenheiro e um investidor formado em literatura russa entram num espaço repleto de história e potencial? Acontece um projecto cheio de pinta que está a dar que falar na cidade. O Marmorista, que abriu as portas pouco antes de o ano acabar, surgiu da necessidade que este quarteto de sócios tinha em encontrar um sítio onde se pudesse “beber um copo a seguir ao jantar e ouvir música num ambiente relaxado, que primasse pela qualidade. Tanto dos ingredientes, como da música”, conta Filipe Teixeira, um dos mentores.

Há quatro anos compraram a Industrial Marmorista, uma antiga oficina de mármores na Boavista, mesmo junto ao Cemitério de Agramonte. “Quando precisávamos de fazer algum lavatório ou balcão em mármore, vínhamos aqui falar com o senhor Nelson. Um dia disseram-nos que ele estaria interessado em vender o negócio e nós ficámos com ele.” Da antiga vida deste grande armazém — com espaço para cerca de 80 pessoas no restaurante e mais 40 no bar — permanecem ainda alguns apontamentos, como as estatuetas sobre a armação de metal da cozinha, que fica mesmo no centro da sala.

O Marmorista
©DRO Marmorista

“É um espaço bonito, com patine e, por isso, decidimos preservar a sua identidade”, conta Filipe. A isso juntaram uma série de néones de cores garridas e formas geométricas. “Gosto muito de trabalhar com luz e os néones têm uma temperatura e cores próprias”, acrescenta. A decorar o espaço há ainda muitas plantas naturais, algum mobiliário, candeeiros e elementos vintage variados. “Muitas das coisas que vieram para aqui estavam guardadas nas casas de uns e de outros. Tem a ver um bocadinho com o nosso espírito de recolectores”, ri. 

Inspirados pelas viagens que fizeram pelo mundo, foi na Boavista que decidiram assentar arraiais. “A zona da Boavista é uma zona de fácil acesso, da qual gostamos muito. Queríamos um espaço longe das multidões.” A carta espelha essas influências de outras paragens. É mediterrânica, mas com alguns toques asiáticos. “Ecléctica, sem estar presa a nenhum conceito”, completa Filipe.

As entradas

Ostras com mignonette de espumante e framboesa (6,50€/2 unidades), ovos rotos com presunto pata negra (10€), burrata fumada com pesto e nozes (9,50€), raviólis de ricota e castanha com molho de boleto (preparados e cozinhados na perfeição, 9€), e ceviche de robalo, atum e camarão (11€) são algumas das entradas disponíveis no menu. Mas o bife tártaro com molho kimchi e togarashi (9€), que dá início a esta lista, muito aromático e saboroso, sobre uma fatia estaladiça de pão saloio, foi um dos nossos favoritos. “É feito com carne do lombo picada e leva uma maionese caseira preparada com chalota, cebolinho, sementes de sésamo preto e molho de kimchi. Por cima, togarashi”, descreve Luís Martins, o chef. 

Bife tártaro com molho kimchi e togarashi
©DRBife tártaro com molho kimchi e togarashi

Os pratos principais

O risoto de rabo de boi com pickles de cenoura (18,50€), com a carne a desfazer-se na boca e o arroz, ligeiramente al dente, cozinhado num caldo apurado, foi um claro vencedor na categoria dos pratos principais. “O rabo de boi é estufado durante cerca de quatro horas. Depois, a carne é desfiada, fazemos um rolo com ela e volta a cozinhar a baixa temperatura durante mais oito horas, pelo menos. Na altura de servir é fatiada e corada numa frigideira com azeite e manteiga”, explica Luís. O arroz não lhe fica atrás no que toca a dedicação e preparação. “Demora dois dias e é feito com ossos de vaca, legumes e vinho tinto.” Mas há mais, claro, do arroz de lavagante e tamboril (70€/2 pessoas), ao bife Wellington com batata rosti e espinafres (24€), passando pela cevadinha de shitake (13,50€) ou pelo robalo grelhado com risoto de espargos (18€).

Risoto de rabo de boi com pickles de cenoura
©DRRisoto de rabo de boi com pickles de cenoura

As sobremesas

É possível que já se sinta saciado, mas há sempre um espacinho guardado no estômago para este capítulo da refeição, cheio de propostas divertidas. Whiskey, limão, chocolate e café (6€), carvão vegetal, coco, iogurte e sésamo preto (8€) e sudachi, merengue, arroz e edamame (7€) são as opções doces da carta. No entanto, não saia sem pedir a que leva framboesa, rosa e pimento vermelho (9€). “Tem pimento confitado, gelado de água de rosas, framboesa em diferentes texturas — em crocante, mousse, pó e fruta fresca — e ainda um bolo de pistáchio”, remata. 

Framboesa, rosa e pimento vermelho
©DRFramboesa, rosa e pimento vermelho

Para acompanhar há cocktails clássicos e de autor, óptimas sangrias, uma infinidade de destilados, várias cervejas e, todas as quintas-feiras, sextas e sábados ao jantar, DJ sets com os residentes Semedo, Tomás Lobo, Céline, Bruma e Helena Guedes.

Rua da Meditação, 70 (Boavista). 22 118 2287. Seg-Qua 12.00-00.00. Qui-Sáb 12.00-02.00.

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