Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Porto icon-chevron-right Viagens: O Minho e a mão de Deus

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© DREste alojamento premium está cheio de actividades em sintonia com a natureza
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© Miguel BessaO rio Âncora proporciona várias actividades
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© DRA piscina é sustentável e ecológica
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© DRO alojamento é referido em revistas de arquitectura especializadas de todo o mundo

Viagens: O Minho e a mão de Deus

Podíamos jurar a pés juntos que um sítio assim, tão verde e tão encantador, seria obra do divino. Fomos conhecer o novo Portugal Active Ocean Lodge e foi o diabo para nos tirarem de lá

Por Mariana Morais Pinheiro
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Há quem diga que quando Deus se predispôs a criar o Paraíso fez um primeiro esboço. Dele resultou o Minho, um pedaço de terra ali entre o mar e a montanha, muito verde e irregular, cheio de árvores de copas frondosas com troncos robustos e pássaros chilreantes pendurados nos seus galhos.

Das suas paredes graníticas caem cascatas de água cristalina, que se estendem em cursos a perder de vista. O Minho sabe o que vale. É vaidoso, cheio de chieira, como se diz para estes lados, e, apesar de estabelecido desde o princípio dos tempos e criado pela mão de Deus, é modesto e sabe receber e adaptar-se a quem acaba de chegar.

É em Freixieiro de Soutelo, a menos de meia hora de Viana do Castelo, que fica o Portugal Active Ocean Lodge. Inaugurado este ano, é um desses cenários onde Adão e Eva se passeariam, tal como vieram ao mundo e sem folhas de figueira, dada a paz e a privacidade reinantes.

A casa em pedra e com um extenso jardim em redor (são 9 mil metros quadrados de tranquilidade) reflecte uma dualidade encantadora. À austeridade granítica exterior, que lembra as típicas casas de quinta da região, contrapõem-se as linhas contemporâneas interiores, os amplos espaços, a luz que entra pelas portadas rasgadas na fachada, as casas de banho com maciços blocos de mármore. Não é por acaso que, volta e meia, aparece referida em revistas de arquitectura especializadas de todo o mundo.

Foi pensada para que estivesse em total comunhão com a natureza. E está. Os quatro quartos, um deles suíte, têm todos acesso ao jardim e acomodam oito pessoas (a pedido cabem até dez na casa). E se procura uma noite reparadora e bem dormida, é aqui que a encontra. Os confortáveis colchões e as pesadas portas que isolam o barulho (praticamente inexistente) propiciam tudo isso. Na sala, os sofás apelam ao convívio em noites mais frias, com uma lareira acesa e livros e jogos nas prateleiras das bonitas estantes de madeira.

Mas os grandes janelões instigam, em dias soalheiros, a que a vida aconteça lá fora. E há tanto para fazer. Comece por tomar o pequeno-almoço no jardim, um daqueles pequenos luxos nem sempre possíveis para quem vive na cidade. Ao dispor dos hóspedes há uma cozinha totalmente equipada, mas se não estiver para aí virado, peça um chef ao domicílio para lhe preparar refeições com alguns dos produtos mais típicos da região, harmonizados com bons vinhos das redondezas.

Sim, a Portugal Active, a empresa de Ricardo Viana que alia alojamento a actividades de desporto e aventura – como passeios de bicicleta ou a cavalo na praia –, também estabelece parcerias com cozinheiros, massagistas, instrutores de yoga, motoristas e outros serviços. Tudo para que possa relaxar e aproveitar o tempo a dois, em família ou com os amigos da melhor maneira possível. A casa e os programas estão preparados para qualquer um destes cenários.

Depois do almoço, durma uma sesta embalado pelo vaivém das redes penduradas nas árvores, cujas folhas filtram os raios ultravioleta. E por falar neles, impera também mencionar a piscina que prende o olhar assim que se entra na casa. Além de bonita e altamente convidativa, é sustentável e ecológica. Em vez de sal ou cloro, tem filtragem ultravioleta e oxigénio activo, ou seja, é menos agressiva para a pele e para o cabelo e perfeita para crianças. À noite, iluminada e com uma temperatura da água a 30 ºC, é impossível resistir-lhe e não dar um mergulho.

O rio mesmo ao lado

Quando lhe dissemos que este era um pequeno paraíso, não estávamos longe da verdade. Dentro da propriedade não há macieiras nem serpentes, mas há outro tipo de tentações a que é difícil resistir. Há um acesso privado e directo ao rio Âncora, escoltado pela vegetação autóctone.

De caiaque ou a fazer stand up paddle é fácil deixar-se embalar pelas águas límpidas e calmas até à praia. A aventura demora 20 minutos mas não tem de terminar assim que avista o areal. A Portugal Active, que tem ainda um outro alojamento, a casa Mountain Lodge, em Geraz do Lima, com vista de montanha, é uma das empresas locais parceiras do Blueways, a marca de promoção de desporto náutico do Alto Minho.

O Blueways, projecto liderado pela Comunidade Intermunicipal do Alto Minho, tem como princípios basilares a sustentabilidade e o enriquecimento e a promoção da rede de percursos azuis inseridos em espaços naturais da região do Alto Minho. As experiências têm sempre água por perto, como canoagem, canyoning, kitesurf ou passeios de barco, entre outros. Basta ficar atento às datas que vão sendo publicadas na página de Facebook.

Se optar por ficar pelas margens, há caminhadas, passeios de bicicleta, trilhos para explorar, observação de fauna e flora e visitas a lagoas e cascatas ainda muito pouco conhecidas, escondidas bem no meio da natureza e longe de olhares curiosos. O caminho até elas faz-se com um guia experiente, umas boas sapatilhas nos pés e um fato de banho no corpo – através de um território que tem tanto de bruto como de belo e permanece ainda praticamente intocado. Tal e qual aquele com que o primeiro homem e a primeira mulher se depararam à entrada do Éden.

Portugal Active, Avenida do Cabedelo, 1851 (Viana do Castelo/sede). 92 716 1771. A partir de 450€ até 700 euros. Estadia mínima de duas noites.

Já que aqui está

Portugal Active Ocean Lodge
Portugal Active Ocean Lodge
© DR

Dê um salto a Viana do Castelo

A Princesa do Lima, nome pelo qual também é conhecida, é uma bonita cidade para se ficar a deambular pelas ruas sem pressas. Com monte, rio e mar, Viana oferece diversão a todos os que a visitam. Suba de elevador até ao Monte de Santa Luzia e deixe-se impressionar por uma das mais bonitas paisagens portuguesas.

Depois, desça até à cidade e alugue uma bicicleta no À Moda Antiga – Retro Market & Bistro (Largo João Tomás da Costa, 63,), um espaço catita que alia uma loja com marcas centenárias, muitas delas artesanais, a um restaurante que trabalha sobretudo com produtos da estação.

Próxima paragem: o navio-hospital Gil Eanes. Construído em 1955, mostra-lhe como eram as antigas enfermarias e blocos operatórios em alto-mar. Antes de abandonar o barco, ou seja, antes de regressar a casa, passe na Confeitaria Manuel Natário e coma as míticas bolas de Berlim. Informação útil: há duas fornadas diárias, às 11.30 e as 16.30 (ao domingo só neste último horário).

Café Caçana
Café Caçana
© DR

Petisque na esplanada do Caçana

Por vezes, os maiores prazeres da vida podem ser muito simples ou custar muito pouco. Petiscar na esplanada do Café Caçana, em Espantar (e de espantar), que fica a pouco mais de 20 minutos de Viana do Castelo, pode ser um desses casos. Porque tem uma vista maravilhosa que vai da Serra de Arga até ao mar e porque os petiscos que vão aparecendo à mesa, despretensiosos e bem temperados, são feitos por mãos experientes. Pratinhos de rojões, moelas tenras e saborosas, asinhas de frango estaladiças, pires com cubos de queijo e marmelada, malgas de caldo verde e uma infinidade de sandes de presunto e de chouriço matam a fome a quem por lá aparece. Para beber? Champarrião, claro, uma mistura de vinho verde, cerveja, açúcar, canela e 7up, para brindar ao sol que se põe.

Estrada de Espantar, 1036 (Viana do Castelo). 96 918 8304. Qua-Seg 10.00-00.00.

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Se me dão licença, tomo a liberdade de começar este texto com um relato na primeira pessoa. A tentativa tosca de manter a distância para não corromper a ética que se exige à prática jornalística obrigar-me-ia a ser uma mera espectadora de uma das melhores experiências que tive o privilégio de viver, e isso, sendo perfeitamente possível, não é o que quero fazer. O Dá Licença, antes de ser o magnífico sítio que é, era para ser só uma casa de férias de Victor Borges e Franck Laigneau, que procuravam um pequeno refúgio no campo para onde pudessem fugir quando a vida em Paris se tornasse demasiado frenética. Acabaram por se mudar definitivamente para a antiga Herdade das Freiras, em Estremoz, depois de terem assistido àquele que dizem ter sido o pôr-do-sol mais inspirador que viram na vida e, de repente viram-se a braços com uma propriedade de 120 hectares com três edifícios, um olival a perder de vista, muito mato por desbravar e um potencial tremendo para dar vida à ideia acabadinha de surgir: criar uma casa aberta onde se reunissem arte e natureza nas suas formas mais puras e que pudesse ser vivida como uma viagem sensorial pelas artes e ofícios numa perspectiva simultaneamente utilitária e contemplativa. Victor deixou o trabalho na Hermès, Franck fechou a galeria de arte que tinha ao pé do Musée D'Orsay e juntos começaram a projectar aquele que, três anos mais tarde, viria a ser o boutique hotel mais bonito de que há memória. O nome, que ainda pensámos que pudesse vir de um

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