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Desenho, Ilustração, Quarentugas, André Oliveira, Pedro Carvalho
© Quarentugas

Dois projectos com histórias para espantar o medo

Começaram por ser a reacção de ilustradores e escritores a estes dias bizarros, mas depressa se tornaram num escape para todos nas redes sociais. Apresentamos dois projectos para rir e sonhar em plena pandemia.

Por Maria Monteiro
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Em poucas semanas, tivemos de nos adaptar a viver entre quatro paredes e a ter apenas um vislumbre do mundo através da janela. O ecrã tornou-se o novo ponto de encontro para ver amigos e familiares com quem ficámos impedidos de marcar um café ou um jantar. Mas, apesar das ferramentas para tentar enganar a solidão, a verdade é que estamos como pássaros numa gaiola, à espera de escapar para poder voltar a experienciar a beleza do exterior. Para nos facilitar a tarefa, têm surgido vários projectos criativos na Internet que começaram por ser a reacção dos artistas à sua própria clausura, mas acabaram por se transformar num passaporte colectivo para voar para bem longe de toda a negatividade. Eis dois exemplos, que misturam ilustração e escrita, para rir e sonhar em plena pandemia.

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Dois projectos com histórias para espantar o medo

Desenho, Ilustração, Quarentugas, André Oliveira, Pedro Carvalho
Desenho, Ilustração, Quarentugas, André Oliveira, Pedro Carvalho
©DR

Quarentugas

Antes do isolamento social imposto pela pandemia, ninguém imaginava que ficar entre quatro paredes poderia ser um carrossel de emoções. André Oliveira, argumentista de banda desenhada, andou entre o pânico, a estranheza e a angústia. Como já é seu hábito, resolveu fintá-las com humor e convocou Pedro Carvalho, ilustrador e seu colaborador, para embarcar nessa missão. Formavam-se, assim, os Quarentugas, dupla que publica uma tira de BD por dia no Instagram durante a quarentena.

“A melhor forma de espantar os nervosismos é brincar”, diz André. A par de Pedro, procurava uma “rotina nova que ajudasse a reagir à situação”. Os dois começaram a transformar os comportamentos das pessoas confinadas em material para a criação. Nos trabalhos que divulgam diariamente, cabem os padeiros que brotam em cada esquina, as máscaras caseiras feitas por mães e avós ou a tensão dos casais que não se dão – sátira que envolve super-heróis e até canibalismo. “Qualquer família portuguesa se identifica um bocadinho com isso neste momento”, garante Pedro Carvalho.

Há mais de 40 dias que criam em equipa, cada um em sua casa, num processo que começa com uma ideia de André Oliveira ou, em alguns casos, um brainstorming dos dois. “Essa é a parte difícil, depois levo cerca de 20 minutos a escrever”, explica. No final, envia o guião para Pedro, que dá vida às personagens da história. “É um estímulo diário, porque temos a pressão de ter ideias novas, mas divertimo-nos sempre.”

A capacidade de soltar umas boas gargalhadas pode ser uma boa arma para combater a incerteza dos dias que correm, segundo André Oliveira. A maior parte de nós está há quase dois meses sem ver familiares ou amigos e não sabe quando é que isso vai acontecer. “Face a essa perspectiva de futuro enevoada, o melhor que temos a fazer é perceber que não temos controlo sobre isto e ir brincando.”

É esse o desafio que os Quarentugas vão continuar a lançar a mais de mil seguidores, pelo menos “enquanto fizer sentido”. E não descartam a hipótese de reunir todas as tiras numa publicação, para que “haja memória futura, embora absolutamente ridícula, do que aconteceu”.

Para já, o objectivo continua a ser apenas um. “Se ajudarmos alguém a rir com isto, temos o trabalho feito”, remata Pedro Carvalho.

Ilustração, Desenho, Contos de Crianças, Um Dia de Cada Vez
Ilustração, Desenho, Contos de Crianças, Um Dia de Cada Vez
©DR

Um Dia de Cada Vez

Dançar com o vento, plantar um poema ou coser palavras são algumas ideias de David Machado e de Paulo Galindro para ocupar o tempo nesta quarentena. O escritor e o ilustrador, que já colaboraram em dois livros infantis, juntaram-se para ensinar miúdos (e não só) a levar um dia de cada vez com a página de Facebook. Todos os dias, oferecem “dicas, sugestões e instruções para quem está em casa” em forma de texto e ilustração – quase como se fossem folhas soltas de um livro para crianças.

Anteriormente, David Machado estava a escrever um diário “mais sério” sobre a pandemia, mas sentiu a necessidade de recuperar a ingenuidade e inocência das palavras. “O olhar ingénuo e inocente que uso quando escrevo para crianças ajuda-me a ver as coisas de outra maneira”, argumenta. É desse olhar que David e Paulo partem para “reflectir sobre a época que estamos a viver” através de uma “espécie de arte de guerrilha”.

Se, no princípio, o projecto era direccionado para crianças e para os pais que, a cada dia, teriam uma nova sugestão para lhes ler, com o tempo foi conquistando uma fiel audiência entre adultos. Numa altura em que a imaginação é, provavelmente, o meio de transporte mais seguro, “o olhar inocente [que é natural à criança] é muito útil para todos”. “Os adultos também o têm, embora esteja mais nas traseiras da nossa cabeça”, explica o escritor.

As publicações, que vivem de ilustrações encantadoras e textos tão simples quanto poéticos, já podem ser lidas em francês, espanhol ou italiano. No fundo, são mensagens universais para uma experiência universal, que poderá vir a ser eternizada em formato de livro. “Estamos a trabalhar para ter uma edição o mais brevemente possível". Há já um crowdfunding a decorrer para o efeito.

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