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Quem faz, pela calada, a montagem de exposições no Porto?

Trabalham na sombra, mas são eles que tornam a arte visível. Falámos com três responsáveis pela montagem de exposições no Porto e revelámos as suas histórias

Bruno Fonseca
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©Marco DuarteBruno Fonseca
Jaime Guimarães
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©Marco DuarteJaime Guimarães
João Brites
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©João SaramagoJoão Brites
Por Sérgio Gomes da Costa |
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Aqui estão três, mas há muitos mais espalhados pela cidade. São eles os responsáveis por dar vida às exposições da Invicta. Montam cenários em Serralves, na Culturgest ou até no Museu Nacional Soares dos Reis e nem sempre os seus percursos de vida começaram entre peças de arte valiosas - há mesmo quem tenha entrado no mercado laboral através da agricultura e tenha acabado por tirar um curso de Gestão de Património, tal a paixão por esta área. Trabalham na sombra, longe da luz da ribalta, e gostam de fazer os outros brilhar. Conheça a história de quem faz, pela calada, a montagem de exposições no Porto.

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Quem faz, pela calada, a montagem de exposições no Porto?

João Brites
©João Saramago

João Brites

Está há 30 anos nesta actividade e faz parte da equipa de Serralves desde 1998. Começou por ajudar alguns amigos, como Gerardo Burmester e Albuquerque Mendes, mas o passatempo acabou por se tornar modo de vida. Antes disso, trabalhou numa empresa de móveis e tratava das exposições nos tempos livres, numa época efervescente no campo artístico, ali pelas décadas de 80 e 90. Não tem dúvida de que para fazer bem este trabalho é preciso gostar de arte: “Aí vemos se a pessoa é adequada ou não. Há muita gente que não tem essa sensibilidade. Uma peça de luz pode ser só uma lâmpada que se muda quando se funde, mas essa lâmpada tem de ser tratada como se fosse de cristal ou a última no mundo.” Também não deixa de realçar que é preciso ter “paciência, muita paciência, porque alguns artistas são difíceis e nós temos de saber lidar com isso”. Mas
no meio de tudo já houve alguns episódios curiosos, como aquele em que levou o norte- americano Mel Bochner à lota de Matosinhos.

Bruno Fonseca
©Marco Duarte

Bruno Fonseca

“Os artistas estrangeiros 
não estão habituados a 
que uma pessoa faça uma parede, depois a pinte, a seguir monte uma projecção de vídeo e a seguir trate de um sistema de áudio. Ficam impressionados com a
 nossa versatilidade.” Bruno Fonseca descreve assim os técnicos portugueses desta área. Quanto a si, não duvida que o jeito para os trabalhos manuais contribuiu muito para a entrada nesse mundo, ainda estudante na Faculdade de Belas Artes. Houve outras actividades pelo meio, como a construção de cenários e a decoração de montras, mas acabou dedicado às exposições. Entretanto, perdeu a conta aos sítios onde trabalhou. Actualmente, está na Culturgest Porto. Entre os segredos da profissão, destaca a necessidade de gerir a relação com os artistas, “de saber quando sugerir ou não alguma coisa, para não criar instabilidade”. Também tem de se estar preparado para “saber a que horas se sai de manhã de casa e nunca saber a que horas se chega”.

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Jaime Guimarães
©Marco Duarte

Jaime Guimarães

Começou de tractor. Explicando melhor, deu os primeiros passos no mundo do trabalho numa quinta
 em Vairão, aos 18 anos, manobrando um tractor nas lides agrícolas. Acontece que essa quinta veio a receber
 o Museu Agrícola de Entre Douro e Minho e aí a vida
 de Jaime Guimarães deu uma volta grande. Passou a trabalhar nesse museu, o que incluiu a procura de peças para o seu acervo por todo
 o Douro e Minho. Em 2008 veio para o Museu Nacional Soares dos Reis, passando a trabalhar com peças bem mais delicadas. Ou seja, deixou de usar luvas para proteger as mãos e passou 
a usá-las para preservar as peças. De resto, diz que a adaptação foi fácil, bastando “uma pessoa gostar do que faz”. O empenho foi tanto
 que tirou uma licenciatura 
em Gestão de Património por iniciativa própria. Por esta altura já podia organizar uma exposição com todo o material que guardou das exposições em que participou, como panfletos, convites, layouts, plantas e apontamentos da montagem.

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© João Saramago
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