Participe numa Semana Santa como deve ser


Se há coisa religiosamente levada a sério por estes lados, é a Semana Santa, a última da Quaresma e o período que vai do Domingo de Ramos ao Domingo de Páscoa. Decoram-se os altares das igrejas com flores e velas; os turistas enchem os hotéis e os restaurantes; abrem-se os Calvários – os oito quadros representativos da Paixão de Cristo que estão espalhados pela cidade e fechados durante todo ano –; instalam-se as rulotes de farturas e a música sacra ecoa pelos altifalantes. Às procissões seculares dos Passos e do Senhor Ecce Homo, juntaram-se, nas últimas décadas, outras duas que se tornaram também muito concorridas: a Procissão da Burrinha e a Procissão do Enterro do Senhor. A primeira conta a história que antecedeu a Páscoa, focando-se em episódios como o chamamento de Abrãao, a escravidão no Egipto, a saga de Moisés e a infância de Jesus, incluindo a sua fuga, nos braços de Maria, que ia montada numa burrinha. Já a Procissão do Enterro do Senhor é uma das mais solenes e comoventes. As matracas dos famosos farricocos vão silenciosas e as bandeiras e os estandartes arrastam-se pelo chão. Os farricocos, símbolo da cidade, vestem túnicas negras, têm a cabeça coberta e percorrem a cidade descalços, empunhando as matracas, uma espécie de máquina de fazer ruído. Apesar de nesta procissão não se fazerem ouvir, na Procissão do Senhor Ecce Homo abrem o cortejo e assustam almas mais sensíveis.















