Bom Jesus em Braga
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Cinco coisas que só pode fazer em Braga

Festas religiosas ou pagãs, uma infinidade de doces carregados de açúcar e muito o que fazer. A capital do Minho tem tudo para o deixar feliz.

Mariana Morais Pinheiro
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Braga dá por muitos nomes. É Cidade dos Arcebispos, Roma portuguesa e cidade dos sinos, dona de tradições e hábitos peculiares, que não se encontram em mais lado nenhum. A capital do Minho tem muito para descobrir. Dos restaurantes que confeccionam boa comida tradicional, aos que figuram no Guia Michelin com menus dignos de estrelas; das inúmeras galerias de arte contemporânea às igrejas seculares em cada esquina. 

Mas a verdade é que há muito mais para descobrir além de tudo isto. Tem festas religiosas conhecidas pela Europa fora, eventos que atraem milhares de pessoas à cidade todos os anos, doces carregados de história e açúcar e costumes caricatos que não se encontram em mais lado nenhum. Brinde ao seu lado insólito com uma banana e um moscatel. Coisa normal por aqui.

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Cinco coisas que só pode fazer em Braga

Participe numa Semana Santa como deve ser

Se há coisa religiosamente levada a sério por estes lados, é a Semana Santa, a última da Quaresma e o período que vai do Domingo de Ramos ao Domingo de Páscoa. Decoram-se os altares das igrejas com flores e velas; os turistas enchem os hotéis e os restaurantes; abrem-se os Calvários – os oito quadros representativos da Paixão de Cristo que estão espalhados pela cidade e fechados durante todo ano –; instalam-se as rulotes de farturas e a música sacra ecoa pelos altifalantes. Às procissões seculares dos Passos e do Senhor Ecce Homo, juntaram-se, nas últimas décadas, outras duas que se tornaram também muito concorridas: a Procissão da Burrinha e a Procissão do Enterro do Senhor. A primeira conta a história que antecedeu a Páscoa, focando-se em episódios como o chamamento de Abrãao, a escravidão no Egipto, a saga de Moisés e a infância de Jesus, incluindo a sua fuga, nos braços de Maria, que ia montada numa burrinha. Já a Procissão do Enterro do Senhor é uma das mais solenes e comoventes. As matracas dos famosos farricocos vão silenciosas e as bandeiras e os estandartes arrastam-se pelo chão. Os farricocos, símbolo da cidade, vestem túnicas negras, têm a cabeça coberta e percorrem a cidade descalços, empunhando as matracas, uma espécie de máquina de fazer ruído. Apesar de nesta procissão não se fazerem ouvir, na Procissão do Senhor Ecce Homo abrem o cortejo e assustam almas mais sensíveis.

Viva como um romano por uns dias

Bracara Augusta foi uma importante cidade há cerca de dois mil anos e as suas ruínas arqueológicas despontam um pouco por todo o lado, lembrando-nos da imponência desses tempos. Na colina do Alto da Cividade foram descobertos, em 1977, os primeiros vestígios das termas públicas romanas. Anos mais tarde, nas suas imediações, foram também encontradas ruínas do que terá sido um anfiteatro de grande valor patrimonial. Espreite ainda a Fonte do Ídolo, do século I, muito bem preservada, e parte de um aqueduto com mais de 90 metros de extensão, que viu a luz em 2005, enquanto se construía a Escola de Direito da Universidade do Minho. Se quiser ficar a conhecer tudo isto e muito mais, nada melhor do que uma visita ao Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa, que se dedica a preservar, documentar e divulgar a história da ocupação humana do território, sobretudo durante a Época Romana. Depois da aula de História, o lazer. Todos os anos, em Maio, Braga recua no tempo e veste-se a rigor com togas, túnicas e coroas de louros e de flores nas cabeças, para receber, durante uma semana, a Braga Romana, evento que pretende recriar o quotidiano romano na antiga Bracara Augusta. Há barraquinhas com artesanato, comida, bebida e muita animação pelas ruas, de espectáculos com fogo a recriações de actuações de lutadores como se estes estivessem no Circo Máximo, em Roma. Ao longo dos cinco dias que dura o evento é possível ainda visitar acampamentos de legionários, participar em jogos, admirar cavalos e aves de rapina e assistir a celebrações solenes (e a sério), como um baptizado e um casamento.   

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Coma doces típicos nas melhores pastelarias da cidade

As pastelarias e doçarias da cidade são um assunto sério. Porta-estandartes do que de melhor aqui se faz, orgulho não lhes falta quando servem à mesa aquilo que preparam com experiência e carinho. Na Doçaria Cruz de Pedra, por exemplo, faz-se um pudim Abade de Priscos bem guloso, seguindo à risca a receita original – onde entram muitos ovos, vinho do Porto, toucinho, canela e manteiga. Peça a dose individual que vem acompanhada por um cálice de aguardente velha fresquinha. Já na Doçaria São Vicente, verdadeira instituição gastronómica na cidade, com quase 200 anos, a clientela habitual não passa sem outros exemplares, como os moletinhos, uma espécie de pãezinhos doces; os sameirinhos, uns barquinhos de massa estaladiça com recheio de doce de ovos e amêndoa, que foram criados pelas freiras do Santuário do Sameiro; ou as viúvas, um pastel com recheio de ovos, açúcar, amêndoa e canela. Num edifício renovado junto ao Arco da Porta Nova, fica a Tíbias de Braga, casa que tem nas famosas tíbias o seu ex-libris. Preparadas com massa de choux, são recheadas com diferentes sabores: clássico (creme de pasteleiro), avelã ou café. E já que aqui está, leve para casa um embrulho com Fidalguinhos para comer com o chá. Estes biscoitos têm um aspecto caricato: são finos e entrelaçados, como as pernas dos fidalgos que não precisavam de trabalhar.

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Há qualquer coisa de ritual pagão na criação de um sino. É enterrado antes de nascer e sai da terra queimado, coberto de fuligem e pó. É robusto, pesado e forte. E o esforço dos homens que o trabalham e desenterram é grande. A paixão também. Alguns já deram à luz centenas de sinos. Trabalham há mais de 40 anos na Fundição de Sinos de Braga de Serafim da Silva Jerónimo, fundada em 1932 e a única em Portugal activa neste ofício. Agora é preciso poli-los, para que brilhem, e afiná-los para que ressoem, enfeitando carrilhões e campanários. Mas antes disso há ainda muito a fazer. Um trabalho tão bruto quanto encantador. Primeiro fabricam-se dois moldes, um para o perfil interior e outro para o perfil exterior do sino. O molde interior é o primeiro a ser criado e, sobre este, é feito um outro, o chamado falso sino, que é feito com material refractário, preparado para aguentar altas temperaturas, e coberto por uma película fina de cera. Após um período de secagem de vários dias, separam-se os moldes. Cria-se um espaço entre ambos, para onde o bronze será vazado, e aquece-se o forno. Mas um sino nunca nasce só, até porque o processo é dispendioso. Quando o forno é elevado ao ângulo perfeito para que se comece a verter o bronze, que borbulha a 1040ºC, já há mais moldes de sinos enterrados no chão. O metal fundido segue através de canais de tijolinho até cada um deles, soterrados numa vala. Assim que o sino arrefece, parte-se o molde e ele nasce. Único.

Visitas sob pedido e marcação para geral@jeronimobraga.com

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É provavelmente um dos mais peculiares costumes bracarenses. Dita a tradição que, na véspera de Natal, umas horas antes da Consoada, família e amigos se reúnam junto à Casa das Bananas, na rua do Souto, para desejar boas festas e para beber um copo de Moscatel e comer uma banana. Há muitas teorias quanto à origem desta insólita romaria que enche as principais artérias do centro histórico, mas a mais consensual é aquela que relata que o dono oferecia as bananas, que ficavam muito maduras, aos clientes que por lá apareciam para beber um Moscatel. Ao que parece, as duas coisas juntas caem que nem ginjas e a prática começou a ganhar adeptos que foram trazendo amigos e conhecidos. O Natal do Bananeiro é hoje conhecido aqui e além-fronteiras, tendo atraído a atenção da imprensa estrangeira e conquistado os turistas que visitam a cidade nesta época do ano. Se nunca participou em nenhum, tome nota: deixe o carro em casa; traga a sua garrafa de Moscatel e o seu cacho de bananas (também pode comprar no local, mas prepare-se para as filas); deixe a mesa pronta e o bacalhau da Consoada já adiantado.

Mais passeios por outras paragens

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É uma das mais bonitas vilas de Portugal e uma visita ao Minho não fica completa sem uma passagem por aqui. Em Ponte de Lima não faltam recantos – dentro ou fora de portas – que valem muito a pena descobrir. Dos restaurantes rústicos com sua gastronomia ímpar e fortemente tradicional aos jardins e trilhos pela natureza de cortar a respiração, por aqui há programas capazes de entreter toda a família. E ao contrário do que conta a lenda do rio Lethes, antigo nome do rio Lima, que dizia que quem o atravessasse rapidamente se esqueceria de tudo, esta vila minhota é para lá de inesquecível. 

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  • Coisas para fazer

Quando as bússolas apontam para Nordeste, encontram-se, entre montes e vales, aldeias castiças que parecem resistir aos avanços do tempo, onde habitam línguas que quase já não se falam. Conservam a memória de quando a vida se vivia mais devagar, em que o espírito comunitário era mais forte do que qualquer lei. Nestas aldeias que parecem suspensas no tempo e que criam raízes profundas nas terras altas de Trás-os-Montes, os hábitos e costumes passam de geração em geração, a natureza cresce selvagem e indomável e as paisagens são de cortar a respiração. E a hospitalidade transmontana, calorosa e genuína como em mais lado nenhum, tem sempre à sua espera café e bolos de laranja acabados de fazer. 

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Cabrito assado no forno a lenha, bochechas de porco bísaro, saladas de tomate coração de boi (quando é tempo dele), arroz de salpicão ou arroz de costela à lavrador, alheiras reinterpretadas à luz das novas tendências, tartes de amêndoa ou tartes de cereja de Resende. Do restaurante mais tradicional, onde se faz o mesmo prato da mesma forma há mais de 30 anos, ao espaço mais vanguardista, comandado por chefs com estrelas Michelin no currículo, a gastronomia duriense é rica e bem tratada. Andámos pela região vinhateira a meter a colher nos pratos dos melhores restaurantes no Douro, porque tão importante quanto os vinhos que aqui se fazem é a comida que os acompanha.

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