A expectativa é acicatada pela pesada cortina de veludo esverdeada que separa a sala da antecâmara onde aguardamos, paredes meias com uma tentadora garrafeira iluminada. A entrada do Schistó, o restaurante fine dining da Quinta da Vacaria, baptizado em homenagem ao xisto, pedra que abunda nos subsolos e socalcos do Douro, foi pensada para nos fazer bater o coração com mais força. Assim que a transpomos, a taquicardia dispara e da penumbra é possível vislumbrar os mármores verdes da Guatemala e as mesas redondas, cobertas por toalhas engomadas e com pequenos candeeiros que emitem uma ténue luz de presença. O chef Vítor Matos está ao leme do projecto e pegou na cozinha tradicional duriense e deu-lhe uma nova roupagem, tendo sempre em atenção a proximidade dos ingredientes. Do menu de 10 momentos (180€) fazem parte pratos como a truta arco-íris com cabeça de porco fumada, enguia, açafroa e acelgas; o lúcio-perca com grão, caldeirada e línguas de bacalhau; e a bochecha de porco bísaro com cuscos, chouriço e ervilhas. Conte ainda com uma perdiz vermelha com cogumelos, tutano e flores do campo; e com um borrego de Resende com arroz carolino, grelos, limão e alecrim. A maçã de Armamar, produto autóctone, o azeite Quinta da Vacaria e alguns citrinos compõem a sobremesa que encerra a refeição.
Cabrito assado no forno a lenha, bochechas de porco bísaro, saladas de tomate coração de boi (quando é tempo dele), arroz de salpicão ou arroz de costela à lavrador, alheiras reinterpretadas à luz das novas tendências, tartes de amêndoa ou tartes de cereja de Resende. Do restaurante mais tradicional, onde se faz o mesmo prato da mesma forma há mais de 30 anos, ao espaço mais vanguardista, comandado por chefs com estrelas Michelin no currículo, a gastronomia duriense é rica e bem tratada. Andámos pela região vinhateira a meter a colher nos pratos dos melhores restaurantes no Douro, porque tão importante quanto os vinhos que aqui se fazem é a comida que os acompanha.
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