No ateliê de... Joana Duarte

A paixão de Joana pela cerâmica é tanta que até dói. Por isso, em 2015, nasceu a Lagrima. Entretanto passaram três anos e, felizmente, o sentimento não esmoreceu. A artista de 37 anos continua apaixonada pelas infinitas possibilidades de um bloco de barro

©João SaramagoAteliê de Joana Duarte

Num prédio rodeado de ateliês e artistas, e a poucos metros da Avenida dos Aliados, fica o espaço de Joana Duarte: uma sala pequena, com luz natural e rodeada de plantas. A ligação da artista com a cerâmica não é de agora. Quando era mais nova fazia acessórios e “muitas coisas em plasticina”, diz. Mais tarde optou pelo curso de design de moda. Ainda trabalhou alguns anos na área, mas a paixão pela cerâmica nunca foi esquecida. E ainda bem.

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No ateliê de... Joana Duarte

Um dia decidiu inscrever-se num curso da Cooperativa Árvore. Daí foi trabalhar para oficinas de alguns artesãos que faziam peças mais tradicionais,
 onde aprendeu muito do que hoje sabe, 
e o interesse pela cerâmica não parou de crescer.

O percurso nem sempre foi linear, conta. “Cometi muitos erros, experimentei muita coisa que não funcionou, mas valeu a pena.” Em 2015 desafiou um amigo, que entretanto deixou o projecto, a criar a Lagrima. “O nome Lagrima surgiu porque tenho algumas tatuagens com lágrimas
 e sempre achei que a lágrima tinha uma simbologia bonita, que era uma coisa com significado.”


Ao fundo do ateliê há uma série de estantes cheias de peças da mais recente colecção de Joana. “Faço sempre duas colecções, uma de Primavera e outra de Inverno. É uma influência que me ficou dos anos a trabalhar na área da moda. Estou formatada para pensar assim”, explica. E as cores variam de acordo com a estação. Por isso, pelas prateleiras do ateliê, há copos, vasos, tigelas e azulejos, em tons de rosa, verde e roxo.

Além destes, tem também uns pequenos germinadores que se colocam nos vasos e que “foram pensados para germinar caroços de abacate, que precisam de água constantemente.”

As saboneteiras são as peças mais recentes da marca. Isto porque Joana não pára de criar. Faz peças de cerâmica especiais para a época do Natal e até já criou um espanta-espíritos.

As peças estão à venda na loja scar.
ID, na Rua do Rosário, mas também já atravessaram as fronteiras da cidade. Pode encontra-las em Lisboa e em países como Espanha, França e Alemanha. Os preços vão dos 15€ aos 90€.

No ateliê de... Joana Duarte

Vasos em barro
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Vasos em barro

"Estas são as primeiras peças que fiz em roda de oleiro. É uma técnica difícil, e que já não uso, mas gosto de os guardar como recordação porque são especiais."

Rolo da massa
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Rolo da massa

Foi feito à medida numa carpintaria na Rua da Picaria. "Eles foram incríveis e fizeram de propósito para mim. Foi uma das primeiras coisas que comprei quando comecei a fazer cerâmica."

Carimbos
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Carimbos

"Dizem todos Lagrima e estou a coleccioná-los ao longo do tempo. O mais caro comprei-o há pouco. Encomendei-o dos EUA."

Vaso
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Vaso

"É da Vista Alegre. Pedi-o emprestado ao meu pai porque o adoro e é muito antigo", ri.

Mais artistas para conhecer no Porto

No ateliê de... Paulo Santos Rodrigo e Raquel Silva e Sá

O senhor Fernandes trava-nos o passo. “Vão subir a pé? É que um primeiro andar neste prédio equivale a um quinto”, diz desencorajador o porteiro, enquanto nos empurra para dentro do elevador e fecha a portinhola de fole. “Vão em frente e depois viram à esquerda”, acrescenta. O edifício Garagem Comércio do Porto, construído entre 1927 e 1932 por Rogério 
de Azevedo, com uma das frentes viradas para a Praça D. Filipa de Lencastre, é uma das construções mais icónicas da arquitectura modernista
 do Porto. 

Por Mariana Morais Pinheiro

Na casa de... Fernando Marques de Oliveira

Um cadeirão em tecido brocado com uns braços de madeira aconchegantes, do tempo de Napoleão III, ocupa o centro da sala. Há peças da Companhia das Índias sobre a mesa em frente ao sofá, e outras mais recentes, como os quadros de Fernando Marques de Oliveira pendurados pelas paredes cheias. “Gosto muito de peças antigas. Estou sempre atento aos leilões e leio imensa literatura sobre o assunto. Tenho uma predilecção por objectos dos séculos XVIII e XIX, que geralmente pertenceram a casas com história, carregadas de afectos”, conta o artista plástico.

Por Mariana Morais Pinheiro
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