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O Império dos Sentidos
©IMDB O Império dos Sentidos

Nove filmes eróticos e de SM a sério

Nem todo o cinema erótico é suave e chocho. Aqui tem nove filmes eróticos e de sadomasoquismo que vale a pena ver

Por Eurico de Barros e Tiago Neto
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Já se fez muito bom cinema erótico. O Porteiro da Noite, de Liliana Cavani, História de O, de Just Jaeckin, ou A Pianista, de Michael Haneke, foram rodados entre os anos 70 e o início do século XXI, e são alguns dos filmes eróticos e de temática sadomasoquista que entraram para a história do cinema pela sua ousadia e qualidade. Mas não são os únicos. Com argumentos originais ou baseados em livros, com uma pitada de realidade ou fruto do génio criativo, mais e menos polémicos, eis nove filmes eróticos e de sadomasoquismo indispensáveis.

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Nove filmes eróticos e de SM a sério

1. 'O Porteiro da Noite', de Liliana Cavani (1974)

Um dos filmes mais genuinamente incómodos já feitos, ou não fosse assinado pela tantas vezes controversa Liliana Cavani. Charlotte Rampling é uma sobrevivente dos campos de concentração alemães da II Guerra Mundial que reencontra, a trabalhar como porteiro num hotel de Viena, o antigo oficial das SS (Dirk Bogarde) com o qual teve uma tão doentia como brutal relação sadomasoquista no campo, relação essa que é reatada. As reacções da crítica a O Porteiro da Noite foram do aplauso pelo tratamento corajoso do tema num contexto muito delicado, até à execração mais veemente, por “sensacionalismo pornográfico” ou “exploração do Holocausto”.

2. 'História de O', de Just Jaeckin (1975)

O realizador de Emmanuelle foi o responsável pela adaptação ao cinema do célebre romance erótico escrito pela escritora e jornalista francesa Pauline Réage (pseudónimo de Anne Cécile Desclos) em 1954. Uma jovem fotógrafa de moda (Corinne Cléry), a “O” do título, é levada pelo seu amante a uma casa de campo onde é submetida a uma série de humilhações e rituais sexuais e sadomasoquistas, servindo como moeda de troca daquele pelas dívidas que tem para com o proprietário. Tal como sucedeu com o livro, e apesar de Just Jaeckin se manter sempre dentro dos limites do erotismo softcore, História de O foi violentamente atacado pelos movimentos feministas.

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3. A Dama do Prazer, de Barbet Schroeder (1975)

Olivier (Gérard Depardieu), um ladrão manhoso, assalta a casa de uma dominadora profissional, Ariane (Bulle Ogier), que lhe propõe que ele fique como assistente dela. Olivier aceita e vai ficando pouco a pouco obcecado por Ariane, acabando por se apaixonar por ela, mas nunca se habituando à sua actividade de dominadora. A Dama do Prazer pode ser visto como uma história de amor insólita, passada num ambiente de sexualidade desviante e pesada, onde Barbet Schroeder filma cenas de submissão e tortura bastante gráficas em nome do realismo. O que não impediu o filme de ser proibido no Reino Unido, nem de levar o “X” de “pornográfico” nos EUA.

4. O Império dos Sentidos, de Nagisa Ôshima (1976)

Baseado numa história verídica, passada na década de 1930, no Japão, O Império dos Sentidos, de Nagisa Ôshima, é um filme visualmente forte sobre um homem que começa uma relação com uma das suas servas. Mas o desejo e a luxúria rapidamente dão lugar a uma obsessão sexual que, para ser alimentada, vai subindo exponencialmente de tom. No final, ambos chegam a um ponto em que nada mais existe à volta e tudo deve ser abandonado. Até mesmo a própria vida. 

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5. Os Frutos da Paixão, de Shuji Terayama (1981)

Este filme do escritor, fotógrafo e cineasta de vanguarda japonês Shuji Terayama baseia-se em Regresso a Roissy, a continuação de História de O, de Pauline Réage, sendo a acção agora situada na China. A jovem “O” (Isabelle Illiers) é posta pelo seu amante, o rico e poderoso Sir Stephen (Klaus Kinski), num bordel chinês, para que, submetendo-se passivamente a uma série de experiências e de torturas sexuais e sadomasoquistas, prove a extensão do seu amor por aquele. O filme tem um pano de fundo político, envolvendo uma revolta da população chinesa mais desfavorecida contra os europeus.

6. Ata-me!, de Pedro Almodóvar (1990)

Uma comédia negra e de costumes de Almodóvar, com um registo obviamente mais ligeiro do que a grande maioria dos outros filmes mainstream que tratam de relações de dominação e de práticas sadomasoquistas. Antonio Banderas interpreta Ricky, um homem sem família que recebe alta de um hospital psiquiátrico. Obcecado por Marina (Victoria Abril), uma ex-actriz de filmes pornográficos com a qual foi para a cama uma vez, quando ainda estava internado e fugiu da clínica, Ricky aprisiona-a no seu apartamento e tenta convencê-la a casar com ele e ter filhos. O elemento sadomasoquista é aqui utilizado essencialmente com fins cómicos e de sátira a este tipo de práticas.

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7. Topāzu, de Ryū Murakami (1992)

Realizado pelo escritor japonês Ryū Murakami (também o autor do livro homónimo) e musicado pelo genial Ryuichi Sakamoto, Topāzu (conhecido internacionalmente como Tokyo Decandence) conta, através de uma série de sequências sexualmente explícitas, a história de uma jovem prostituta apaixonada por um homem que já não quer nada com ela, ao mesmo tempo que satisfaz os fetiches e parafilias de algumas das mais corruptas e poderosas figuras de Tóquio. O filme é gráfico e violento e chegou mesmo a ser banido em alguns países, como a Austrália ou a Coreia do Sul.

8. A Pianista, de Michael Haneke (2001)

Triplamente premiado no Festival de Cannes (Grande Prémio, Melhor Actriz e Melhor Ator), este filme de Michael Haneke transpõe para a tela o livro homónimo da sua compatriota Elfriede Jelinek, passado em Viena. Erika, uma dotada pianista e professora de piano (Isabelle Huppert), quarentona e solteira, vive sob o domínio da mãe e entrega-se a uma série de comportamentos sexuais desviantes, praticando também a automutilação. Walter, um dos seus alunos (Benoit Magimel), sente-se atraído por ela, mas também chocado pelas suas fantasias sexuais e práticas sadomasoquistas, que Erika insiste em concretizar com ele. Um intenso e duro retrato da perversidade sexual extremada e no feminino.

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9. A Secretária, de Steven Shainberg (2002)

James Spader e Maggie Gyllenhaal são os intérpretes desta comédia dramática sobre um advogado excêntrico, Edward, que contrata para sua secretária, Lee, uma rapariga que teve alta de uma clínica psiquiátrica e possui capacidades intelectuais muito acima do que o emprego exige. Lee é extremamente passiva e invulgarmente obediente, aturando sem se queixar as irritações, exigências e minudências do seu patrão. Pouco a pouco, e entre algumas situações ridículas e desajeitadas, vai-se estabelecendo uma relação de dominador e dominada entre ambos, até que Edward e Lee acabam por se envolver sentimentalmente. Embora ela tenha um namorado, e uma relação convencional com este.

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