Playlist Time Out: as melhores canções da semana

De Kylie Minogue a J. Balvin, de Colombia a Lisboa, não passe sem a playlist Time Out: as melhores canções da semana
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Photograph: Darenote Ltd Kylie Minogue
Por Jorge Manuel Lopes |
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O ano 2018 começou com pé a fundo no acelerador nos universos da pop e da música de dança. Há regressos inspirados de Kylie Minogue e Tracey Thorn, fulgurante electrónica nacional graças a Branko, PEDRO e P. Adrix, e mais um tratado de reggaeton por J. Balvin. Siga pela playlist Time Out e conheça as melhores canções da semana.  

Playlist Time Out: as melhores canções da semana

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Bad Gyal - "Blink"

Bad Gyal é uma cantora catalã que em “Blink” faz uma viagem musical que em teoria parece naturalíssima: partida da Ibéria, voo rasante pela América do Sul para recolher ingredientes reggaeton, paragem demorada nas Caraíbas para encher o tema com dancehall e novo atravessamento do Atlântico para chegar às ilhas britânicas, onde o produto é depositado nas mãos de DJ Florentino, cavalheiro que trocou a Colombia por Manchester e que, talvez por isso, trava o calor rítmico com ambientes que parecem vindos do grime. Atacada por auto-tune, a voz de Bad Gyal, aliás Alba Farelo, dança entre um aguaceiro de palmas digitais. O festival Sonar anda atento e chamou-a para a edição de 2017.

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Branko + PEDRO - "MPTS"

Um ex-Buraka Som Sistema (Branko) alia-se a um dos produtores em ascensão no mapa da electrónica de dança sem fronteiras (PEDRO, nome civil Pedro Maurício, ex-nome artístico Kking Kong). O resultado é um toque a reunir tribal com o título certo – “MPTS” é uma contracção de “Meus Putos”. A versão integral pouco passa dos três minutos de hipnose.

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Hayley Kiyoko - "Curious"

Desde a infância (vai nos 26 anos) que Hayley Kiyoko alterna entre cinema, televisão e música. O seu primeiro álbum em nome próprio, Expectations, está prestes a chegar (sai a 30 de Março) e contém esta inspirada variação, um pouco menos exuberante, do instrumental de “Work from Home” das Fifth Harmony. Os versos e o óptimo vídeo (co-realizado por Kiyoko em parceria com James Larese) remam na mesma direcção: este é um triângulo amoroso bissexual de conveniência onde Hayley questiona a parceira relutante em sair do armário: “I can handle things – like I wish that you would/ You’ve been out of reach, could you explain?/ I think that you should/ What you been up to?/ Who's been loving you good?”

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J. Balvin, Jeon, Anitta - "Machika"

Ninguém se queixará se J. Balvin mantiver a média de pelo menos um single brilhante por ano. Em 2017 foi “Mi Gente”. Agora há um mais tenso e atarefado “Machika”, bem servido por um vídeo cujo ambiente pós-apocalíptico tem muito de Mad Max. Tema a tema, do cantor colombiano vem-se tornando seguro esperar algum do reggaeton mais state of the art deste tempo. Jeon (de Aruba) e Anitta (do Rio de Janeiro) ajudam à festa.

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Kylie Minogue - "Dancing"

O primeiro impacto pode causar alguma estranheza. Não pela mistura de EDM com country (há anos que este é um namoro consumado, mesmo que poucas vezes feliz), mas pela presença de Kylie Minogue neste cenário, alternando um tom intimista nos versos com a explosão eufórica no refrão. À segunda ou terceira audição já é perfeitamente aceitável defender que “Dancing” não mais poderá faltar em vindouras playlists e best ofs da diva australiana. O tema foi escrito a três mãos (Minogue, Steve McEwan e Nathan Chapman, este último presente na produção de todos os álbuns de Taylor Swifft até 1989) e é carregado por uma mensagem positiva mas lúcida, rara nestes tempos, levada à conclusão lógica e feliz e metafísica na frase central do refrão: “When I go out, I wanna go out dancing”. O vídeo, entre o motel de cores carregadas e a boîte reluzente, é uma delícia. Golden, o álbum que contém “Dancing”, chega a 6 de Abril.

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P. Adrix - "Zelda Shyt"

O que P. Adrix aqui apresenta ainda será kuduro, mesmo que os ritmos, indecisos e ansiosos, tenham margens  distorcidas e esbatidas, como se tivesse sido expostos aos primeiros álbuns de The Aphex Twin. A melodia, circular, poderia ser de filme britânico de suspense suburbano de uns anos 1960 monocromáticos, atravessando os dois minutos e 43 segundos de tempo de antena como prenuncio de uma psicose que não eclode.  O ambiente  está saturado mas não sobrelotado. De descendência angolana, P. Adrix nasceu e cresceu em Lisboa, tem 22 anos e vive em Manchester desde os 19. A 23 de Fevereiro chega Álbum Desconhecido via Príncipe Discos.

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Tracey Thorn - "Queen"

A canção que anuncia a chegada do álbum Record a 2 de Março vem carregada de sentido de urgência, ao qual não será alheio a presença na produção de Ewan Pearson. O sangue galopa nas veias desta pérola synthpop-electro, com riff de guitarra a condizer irrompendo pela segunda metade do tema. Sob um certo ângulo, e com a ajuda do ambiente urbano e nocturno do vídeo, “Queen” parece o reverso enérgico de pelo menos metade do repertório dos Blue Nile.

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