Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Porto icon-chevron-right Criar com um cêntimo? Nos 20 anos da galeria Extéril é possível
A galeria é uma caixa de 2x2x2 no ateliê de Teixeira Barbosa
© Marco Duarte A galeria é uma caixa de 2x2x2 no ateliê de Teixeira Barbosa

Criar com um cêntimo? Nos 20 anos da galeria Extéril é possível

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Em 1999, Teixeira Barbosa, escultor, curador e professor, fez um corta-e-cola de materiais encontrados numa fábrica abandonada e construiu a Extéril, uma caixa de 2x2x2 metros, mais pequena do que uma casa de banho, que integrou no seu ateliê. Passados 20 anos, aquela que foi uma das primeiras galerias independentes do Porto – e uma das poucas que ainda resiste – já recebeu mais de 150 exposições de quase 200 artistas, sempre ancoradas no princípio de “produzir o máximo com o mínimo”.

A Extéril foi concebida para ser “uma escultura em contínuo movimento” e “um espaço de experimentação”, nota o seu fundador. E apesar das suas especificidades, como as frágeis paredes com apenas quatro milímetros de espessura, nunca viu a sua metamorfose a ser limitada ou impedida. “Quem participa [numa exposição] tem de visitar a galeria para perceber do que se trata”, considera Teixeira Barbosa, que abre a Extéril a vários formatos, “de simples papéis pendurados na parede, a pintura, escultura, vídeo ou instalação”.

A galeria funciona a custo zero desde que abriu e nela os artistas têm total liberdade criativa e expositiva. “O facto de não haver dinheiro gera maior responsabilidade pelo que cada um quer fazer e pelo que vai ou não gastar”, sublinha Teixeira Barbosa. Essa autonomia está na base de uma programação descontraída onde cabem artistas dos 20 aos 60 anos, consagrados e emergentes, e que valoriza sobretudo “o trabalho produzido”.

Para assinalar as duas décadas de actividade, o fundador da Extéril desafiou mais de 80 artistas a intervir livremente num suporte em papel de 8,8 x 8,8 cm no dia 7 de Dezembro, no evento aberto ao público que deu o mote para a exposição comemorativa: as obras criadas estarão na galeria até 18 de Janeiro. “O artista pode expandir-se naquele espaço mínimo", comenta Teixeira Barbosa.

Pedro Tudela, Clara Não, João Gigante, Francisco Venâncio, Júlio Dolbeth, Manuel Santos Maia, Joana Rêgo e Beatriz Albuquerque são alguns dos nomes abrangidos pela bolsa de criação artística no valor de um cêntimo que a (ficcionada) Fundação Extéril atribuiu aos participantes, que também têm direito a um certificado. “[Esta acção] é uma imensa ironia face ao financiamento deficitário das artes", remata.

Rua do Bonjardim, 1176 (Baixa). 7 de Dez a 18 Jan (por marcação: exteril@gmail.com). Grátis.

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