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Barrica
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Haja barriga para este Barrica. O restaurante na Baixa onde o menu é segredo

No início da refeição é-lhe entregue um envelope com o menu, tente não espreitar.

Escrito por
Mariana Morais Pinheiro
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Deixe o carro longe e chegue cedo. O caminho até lá pede tempo e contemplação. Partindo do Jardim da Cordoaria em direcção ao Barrica, o novo restaurante do grupo YoursPorto (com alojamentos e experiências para quem visita a cidade), é possível sentir o pulsar da Invicta. Ouvem-se os sinos do carrilhão da Torre dos Clérigos que entoam melodias de Natal durante a quadra festiva; uma guia relembra a um grupo de estudantes o que foi o 25 de Abril à porta do Centro Português de Fotografia; e, descendo a rua de São Bento da Vitória, mulheres estendem nos varais roupa acabada de lavar. As peças agitam-se ao vento, como se estivessem a saudar o imponente vizinho que têm pela frente, o mosteiro que dá nome à rua. Por ela descem ainda turistas de vários continentes, seduzidos pelas sugestões de fotografias que o Miradouro da Vitória, ao fundo, proporciona, encontradas, possivelmente, em guias ou páginas da Internet.

Um corte à direita e entramos pela pacata rua de São Miguel. Sem placa a anunciar o espaço sobre a porta, gostam de deixar o mistério a pairar. E é com esse secretismo que alimentam quem se senta à sua mesa para jantar. A grande particularidade deste restaurante é não saber ao que se vai. E se o segredo é a alma do negócio, algumas coisas podemos revelar. A comida é boa e preparada com cuidado – no início da refeição é-lhe entregue um envelope com o menu, tente não espreitar – e o espaço, bonito e cheio de potencial. As paredes em pedra e a garrafeira em madeira, com cerca de 200 referências de vinhos, dão-lhe um aconchego que sabe bem nos dias frios. Lá fora, o pátio, com piscina reservada aos hóspedes do alojamento nos pisos superiores e uma vista digna de postal sobre o Douro e para a ponte D. Luís, grita por dias quentes de Verão. 

Barrica
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“Há cerca de dois anos abrimos este restaurante num outro registo, mas com a pandemia ficou tudo meio parado. Entretanto, o Bruno de Jesus, o nosso chef, que é também o do Álibi [outro restaurante do grupo, com garrafeira e alojamento] disse-nos que gostava de fazer outro tipo de cozinha, de autor, mais criativa. E aqui estamos”, começa Luís Gouveia, um dos gestores de negócio do grupo, juntamente com Miguel Matos. “Ele já tinha mostrado interesse em trabalhar num restaurante onde o menu fosse mais dinâmico, variasse com mais frequência, de acordo com o que, por exemplo, se encontra disponível e com mais qualidade naquele dia no mercado. E o mais engraçado é que as pessoas estão a alinhar connosco, vão trocando impressões sobre o que vão comendo durante a refeição, e quase nunca abrem o envelope antes de terminarem o jantar”, acrescenta Miguel, referindo que este é o “espaço mais refinado do grupo”.

A refeição, no dia em que a Time Out visitou o restaurante, arrancou com um couvert composto por três tipos de pão – de massa mãe, de azeitona e de arandos e passas –, acompanhados por manteiga de beterraba e azeite extra virgem. Um ceviche de robalo em leite de tigre com ovas tobiko sobre um tramezzini ligeiramente tostado chegou, depois, com frescura e suavidade à mesa, em forma de amuse-bouche, seguido de um reconfortante e guloso creme de couve-flor trufado com mini milho, salmão meia cura e dumpling de cebola roxa caramelizada. Nos pratos principais, atacou-se um risoto de aipo e coentros com bacalhau confitado em alho e ervas (braseado e com um ligeiro sabor a fumado), acompanhado por ervilha de quebrar salteada em azeite e tomate cereja frito; e um magret de pato em molho de tomilho. Igualmente saboroso, este vinha ainda com puré de cogumelos, cogumelo eringi salteado em manteiga e tempura de romanesco.

Barrica
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“Queria preparar algo esteticamente bom e bonito. E o meu mote foi pegar nos sabores da minha infância e dar-lhes uma roupagem mais contemporânea, apostando sempre numa óptica de sustentabilidade. Uma carta fixa e bem estruturada, gera menos desperdício”, explica o chef, enquanto pousa um corta-sabores, feito com amora, hortelã e gin, antes de trazer da cozinha a sobremesa: um pudim abade de Priscos com cremoso de abacaxi e gengibre e espuma de coco. 

Com um menu sempre em aberto, chamuças de vitela oriental com cebola confitada; sopas de peixe com miso, corvina e alga nori; robalos sauté com puré de milho assado; peitos de codorniz com alheira; e parfaits de coco com caramelo salgado foram alguns dos outros pratos também servidos por aqui. O menu, generoso, que inclui sempre seis momentos – couvert, amuse-bouche, entrada, prato de peixe, prato de carne e sobremesa – custa 50€ e a harmonização fica-lhe por mais 25€. O resto é segredo mas, se quiser, espalhe a palavra.

Rua de São Miguel, 25. 91 554 1027. Ter-Sáb 19.30-23.30.

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