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MEXE: o encontro internacional de arte e comunidade está de volta para a quinta edição

MEXE - Quando Quebra Queima
© Mayra Azzi Pode ver Quando Quebra Queima no último dia do festival na Escola Alexandre Herculano

Através de espectáculos, conferências, cinema, encontros, concertos e oficinas, a quinta edição do MEXE quer propor-nos novas formas de viver e conviver “em tempos de confusão”. O programa do festival conta com criações vindas do Brasil, da Tanzânia, de Espanha e do Uganda. A partir de hoje e até domingo 22 (além de algumas actividades preliminares), em vários espaços e ruas do Porto.

Pensamento, formação, apresentação e documentação são os quatro pilares desta edição, que este ano procura expandir o conceito de práticas artísticas comunitárias, desde sempre a sua marca identitária, para “um conceito de política mais transversal”. “Muitas vezes sentíamos que o MEXE era um festival de artes feito com pessoas que não tinham acesso às artes. Esse é um conceito extremamente reduzido, já que esta componente comunitária e política é uma componente inerente à criação artística contemporânea”, explica Hugo Cruz, director artístico do MEXE.

Com uma programação mais forte, vitaminada e ainda mais diversa do que em anos anteriores (o que não correspondeu a mais apoios financeiros, pelo contrário – mesmo apesar das “mais de 400 abordagens a entidades públicas e privadas”), esta edição está ancorada no tema “o comum”. “O comum em tempos de confusão” e da crise da democracia, das lutas identitárias, do (sempre presente) ódio racista, da aversão aos modos de ser que fogem à normatividade. É preciso pensar e pôr em prática “novas formas de nos podermos encontrar”. “A concepção de ‘comum’ dos anos 60 provavelmente já não faz sentido hoje e é muito urgente perceber que reconfigurações políticas nos podem trazer outros modos de conviver enquanto cidadãos”, reflecte Hugo Cruz. “A própria criação artística está à procura de como fazer esta criação colectiva e parece-me que pode dar um excelente contributo do ponto de vista social mais alargado.”

 

Duck March
© DR

 

E é precisamente sobre a “dificuldade de fazer coisas em conjunto” que se debruça o espectáculo Synectikos, do Colectivo Lisarco, de Madrid, que integra bailarinos com síndrome de Down (Teatro Carlos Alberto, sexta 20). Empty The Space, dos coreógrafos e performers Antonio Bukhar Ssebuuma e Faizal M. Ddamba, do Uganda, é uma reflexão sobre a ocupação do espaço e como nos podemos organizar nessa interacção, “o que também remete para o tema do festival” (Teatro Carlos Alberto, quinta 19). Com mais de 400 participantes de seis países – que irão circular por vários pontos da cidade, desde o Bairro da Pasteleira a escolas, teatros e praças públicas –, esta edição dá protagonismo à criação artística da América Latina, de África e do Sul da Europa, num momento em que as instituições e programadores europeus estão a começar a perceber que não podem continuar a ignorar o que se passa fora das cartografias eurocêntricas (resta saber se não é coisa passageira).

“O mundo real fez entender às instituições culturais – que são bastante mais fechadas e elitistas do que teoricamente deviam ser – que ainda temos muita pedra para partir”, afirma o director artístico do MEXE. “As pessoas estão tão fragmentadas neste momento que é impossível fechar os olhos ao facto de as coisas não poderem continuar a funcionar da mesma forma.” E para nos ajudar a pensar sobre isso temos o espectáculo Isto é um Negro? e o grupo brasileiro ColectivA Ocupação, formado na sequência do movimento estudantil que teve lugar em São Paulo durante 2015. Estes estudantes e artistas apresentam no MEXE a performance Quando Quebra Queima (domingo 22 na Escola Alexandre Herculano), antecedida pela conversa Corpo, Arte e Escola em Serralves, na terça 17. Atenções redobradas também para Children of The New World, um solo de dança do tanzaniano Samwel Japhet sobre o abuso infantil (sexta 20 no Metro da Trindade e sábado 21 na Escadaria da Igreja de Santo Ildefonso).

 

Children of the New World
© Nante a Dance

 

No que toca a criadores portugueses, a performer e realizadora Tânia Dinis estreia Viajar no tempo dos outros – Fontainhas, um mergulho nos arquivos pessoais de moradores e antigos moradores da zona das Fontainhas, numa altura em que o Porto se está a tornar numa cidade para turistas e não para habitantes (quarta 18, Lavadouro das Fontainhas). Nesse sentido, será pertinente ver também Mapa de Vontades, primeiro na Praça dos Poveiros (dia 21), depois na Feira do Cerco (a 22), uma actividade em que os moradores podem “tornar gráficos os seus desejos para aqueles lugares”.

 

Viajar no tempo dos outros - Fontainhas
© Tânia Dinis

 

De resto, vale a pena referir o Encontro Internacional de Reflexão sobre Práticas Artísticas Comunitárias, que envolve várias universidades e mais de 100 investigadores, a marcha de grávidas Duck March. Na Praça de São Lázaro, o meeting point do festival e uma das novidades deste ano, acontecem vários momentos de interesse, como a conferência de Vladimir Safatle, da Universidade de São Paulo (segunda 16), o concerto do Fado Bicha (sexta 20) e o baile comunitário que encerra este MEXE, onde muito vai acontecer. 

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