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Os 40 anos que Souto de Moura construiu estão na Casa da Arquitectura

Escrito por
Maria Monteiro
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“Os seus edifícios apresentam uma capacidade única de conciliar características opostas, como o poder e a modéstia, a coragem e a subtileza”, escreveu o júri do prémio Pritzker sobre a linguagem e o pensamento de Eduardo Souto de Moura (n. Porto, 1952), quando o distinguiu com o prémio maior da arquitectura em 2011. O arquitecto, nome maior da Escola do Porto e da arquitectura portuguesa, a par de Álvaro Siza, notabilizou-se por obras como o Estádio Municipal de Braga, o Metro do Porto ou a Casa de Histórias Paula Rego, em Cascais. Mas por trás das geometrias simples, superfícies planas e vidradas e conjugações de materiais que chegam ao projecto final, há um exaustivo processo de trabalho que permanece desconhecido.

A exposição Souto de Moura – Memória, Projectos, Obras inaugura na sexta 18 e fica até 6 de Setembro de 2020 na Casa da Arquitectura, em Matosinhos, para mostrar os bastidores de 40 anos de criação a partir de desenhos, fotografias e documentos nunca antes mostrados. Estes integram o acervo de 8500 peças cedidas pelo arquitecto à instituição (onde já havia depositado mais de exposição 600 maquetes) em Maio. “Só os cadernos de esquissos de Souto de Moura correspondem a mais de 80 mil páginas de estudo”, revela Nuno Graça Moura, que assina a curadoria da exposição com o italiano Francesco Dal Co.

Casa de Histórias Paula Rego
Casa de Histórias Paula Rego
© DR

Os dois arquitectos seleccionaram 40 projectos que ocupam uma área expositiva de 1200 m2, dividida entre a nave do edifício principal e a Galeria da Casa, pela primeira vez activadas em simultâneo por uma exposição. A nave acolhe projectos desenvolvidos pelo arquitecto entre 1979 e 2019, da requalificação de um edifício em ruínas no Gerês (o seu primeiro projecto edificado) à capela que desenhou para a Bienal de Veneza em 2018, entre outras casas e edifícios públicos. Já na Galeria vamos poder ter acesso àquilo que Souto de Moura está a fazer por estes dias, evocando-se “o espaço íntimo de projecto com elementos de referência e objectos que o arquitecto tem no escritório”, conta Nuno Sampaio. A ideia é acompanhar a produção actual do arquitecto durante o período da exposição, o que trará novidades ao longo dos meses. Esta rotatividade da mostra funciona como “um convite para que as pessoas voltem mais do que uma vez”, aponta o director-executivo da Casa da Arquitectura. “Os 40 anos de trabalho de um arquitecto como Souto de Moura não se explicam em duas horas.”

Também nesse sentido, haverá um catálogo editado pela Casa da Arquitectura e pela Yale University Press, onde constam ensaios de Álvaro Siza, Carlos Machado, Jorge Figueira, Giovanni Leoni ou Rafael Moneo. A exposição será acompanhada de uma vasta programação paralela que inclui conferências, debates, concertos e visitas guiadas quer à exposição, quer a edifícios projectados por Souto de Moura.

Nuno Sampaio ressalva a importância de “acolher, tratar, preservar e expor a arquitectura, já que, de acordo com as ordens profissionais, 60 a 65% do trabalho dos arquitectos nunca chega a ser construído”. E porque “é impossível fazer a história da arquitectura sem passar por Portugal” e pelos dois Pritzkers portugueses, devemos “guardar a arquitectura e mostrar o que se guarda”. O próximo passo é lançar o Edifício Digital, plataforma onde todo o acervo da Casa da Arquitectura, incluindo a obra de Souto de Moura, será disponibilizado para consulta em qualquer parte do mundo.

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