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Olafur Eliasson e Siza: Inquietações de pequena e grande escala em Serralves

'O Vórtex Curioso', de Olafur Eliasson
© Andre Delhaye 'O Vórtex Curioso', de Olafur Eliasson

À primeira vista são dois nomes que parecem antitéticos na sua forma de olhar o mundo e criar sobre ele. De um lado, Olafur Eliasson (n. 1957, Copenhaga), artista conhecido pelas obras de grande escala que transcendem, muitas vezes, as convencionais galerias e museus e se apresentam ao ar livre. Do outro, Álvaro Siza (n. 1933, Matosinhos), incontornável nome da arquitectura portuguesa e autor de vários espaços museológicos, como o próprio Museu de Serralves.

É aqui que Eliasson e Siza se cruzam no arranque da nova temporada, com as exposições O Vosso/Nosso Futuro É Agora e In/disciplina, respectivamente. Neste encontro espácio-temporal, torna-se clara a partilha da inquietude que molda a visão do artista dinamarquês e do arquitecto português.

Olafur Eliasson, cujas instalações partem de elementos naturais como luz, água, humidade e temperatura do ar, foca-se nas “relações entre a humanidade, a exposições natureza, a arte, a ciência, a arquitectura e a sociedade” para pensar “os diferentes modos de a arte influenciar e melhorar o futuro da humanidade”, explica a direcção do museu. A sua prática artística toca questões prementes como “o urbanismo, o desenvolvimento sustentável, as alterações climáticas e as novas formas de produção de energia”. Pela primeira vez em Portugal, Eliasson articulou as suas cinco instalações com a organicidade de Serralves. É no parque que vai encontrar Horizonte Arbóreo do Ártico (2019), troncos de árvores que parecem ter dado à costa revestidos a tinta preta, evocando o alcatrão usado para impermeabilizar os navios e, por extensão, as migrações.

'Horizonte Arbóreo do Árctico', de Olafur Eliasson

 

'Horizonte Arbóreo do Árctico', de Olafur Eliasson
© Andre Delhaye

 

In/disciplina, que inaugura a 19 de Setembro, integra 30 projectos de Álvaro Siza realizados entre 1954 e 2019 (construídos ou não), que ilustram o processo de “tentativa e erro, ensaio e re-ensaio, disciplina e indisciplina” e o percurso de “inquietude e insubmissão aos convencionalismos” que caracterizam Siza, enquadra Nuno Grande, arquitecto e curador desta exposição.

Além disso, inclui objectos e documentos que “permitem definir o universo de Siza a partir da sua relação com os livros, as pessoas e os lugares”. São apresentados desenhos e cadernos de esquissos nunca antes vistos e cadernos pretos de formato escolar que “revelam o modo como a sua mão se vai movendo entre dois ou três projectos simultâneos”, refere o curador.

 

Caderno de Álvaro Siza

 

Caderno de Álvaro Siza
© DR

 

Destacam-se ainda as primeiras revistas de arquitectura compradas por Siza enquanto estudante, o seu discurso de agradecimento quando recebeu o Prémio Pritzker, em 1992 (também mostrado em vídeo), retratos com colegas e 30 entrevistas em vídeo a personalidades e admiradores de Siza, como os arquitectos Alejandro Aravena, Francis Keré ou Eduardo Souto de Moura. “A diversidade de línguas que ouvimos atesta bem o alcance universal da figura e da obra de Álvaro Siza”, conclui Nuno Grande.

Museu e Parque de Serralves. Seg-Sex 10.00-18.00 Sáb-Dom 10.00-19.00. 18€.

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