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Quinta da Avessada
© DR Vindimas na Quinta da Avessada

Quintas no Douro com programas especiais de vindimas

Chegou a época mais especial no Douro. Conheça as quintas que abrem as suas portas ao enoturismo com programas de vindimas, jantares vínicos, visitas às adegas, passeios de barco e piqueniques nas vinhas.

Escrito por
Editores da Time Out Porto
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O Douro é um suspiro. Em tempo de vindimas, parece ganhar nova vida. A azáfama é grande no corte dos cachos, a encher as cestas de uvas, enquanto o rio segue a sua vida lá em baixo e os socalcos preenchem a vista, numa paisagem que é Património Mundial da UNESCO. Apesar da pandemia, as tradições e os trabalhos não podem parar, mas são feitos com mais cuidados – em grupos mais pequenos, mais distanciados, com máscara e desinfectante sempre à mão. Na época mais agitada de uma quinta vinhateira, há várias a abrir as portas a quem quiser ver e participar no trabalho das vindimas. Descubra os programas especiais desta época.

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Programas de vindimas no Douro

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Amarante foi o local escolhido como morada do Monverde Wine Experience Hotel, o hotel alicerçado nos vinhos da Quinta da Lixa e inserido na Quinta de Sanguinhedo, com 22 hectares de vinha. Organizam regularmente actividades relacionadas com vinho verde (o protagonista da zona) e nesta época de vindimas sugerem um programa muito completo (65€/por pessoa), que começa logo pela fresca, com a distribuição dos kits com todos os utensílios necessários para a apanha da uva, que começa logo a seguir. A meio da manhã pode contar com uma pausa para um lanche com iguarias regionais e tradicionais. O trabalho continua até à hora da prova de vinho, que acontece paralelamente à apanha da uva. Está ainda planeado um almoço no exterior, uma visita à adega e uma explicação do início do processo de vinificação. Para as famílias com crianças, cuja participação tem um custo de 30€, foi pensada uma actividade que consiste na recolha de materiais da vinha, durante a apanha da uva, para mais tarde criarem um pequeno projecto.

Castanheiro Redondo s/n, Telões (Amarante). 255 143 100. Reservas

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É em Melgaço que a Soalheiro se dedica, desde 1974, à produção de Alvarinho. Trata-se de um projecto familiar, liderado pelos irmãos Luís e Maria João Cerdeira, ao lado da mãe, Palmira, que se estende a mais de 150 famílias. Juntos integram o Clube de Produtores e, na altura das vindimas, cada família entrega as suas uvas para a produção do vinho da quinta. Esta é uma tradição que pretendem partilhar com o público através de actividades como visitas às vinhas – onde acontece a colheita manual das uvas –, a possibilidade de acompanhar o processo de produção na adega e as provas de vinhos e petiscos. Tudo isto está incluído nas seis opções de provas, que acontecem no terraço panorâmico, disponíveis para reserva: a Clássica (6€), a Origem (15€), a Nature (20€), a Fusion (35€), a Premium (65€) e a Infusões (15€). Agora, na época de vindimas, todas as provas incluem uma experiência exclusiva, a prova do mosto – o sumo que resulta da prensagem das uvas e não contém álcool – de Alvarinho.

Quinta de Soalheiro, Alvaredo (Melgaço). 25 141 6769

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Durante o mês de Setembro, a Quinta da Pacheca, em Lamego, tem programas especiais de vindimas com pisa de uva, visitas guiadas, provas de vinhos e jantares. Estão disponíveis três programas: Dia de Vindima (13 a 26 de Setembro, entre as 10.00 e as 16.00), Visita & Prova & Lagarada (até 30 de Setembro, 17.00-19.00) e Visita & Prova & Lagarada com Jantar de Vindima (13 a 30 de Setembro, 18.00-22.00). No primeiro (85€), vai ter a oportunidade de participar na apanha da uva e na pisa das uvas nos lagares. Inclui ainda uma visita guiada pelos espaços da Quinta da Pacheca, almoço e prova de vinhos. No programa de lagarada (30€), depois da visita guiada à quinta e da prova de vinhos (dois Douros + dois Portos), vai poder entrar no lagar onde pisam as uvas. Já o programa com jantar (60€) inclui visita guiada à vinha, lagares e adega, com prova de vinhos e oferta da t-shirt oficial da vindima.

Rua do Relógio do Sol, 261 (Lamego). 25 433 1229. Reservas

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Nesta época de vindimas, junte um grupo de amigos ou familiares e rume à Quinta das Carvalhas ou à Quinta do Casal da Granja, em Alijó, ambas do grupo Real Companhia Velha. Lá, qualquer um é convidado a participar, durante um dia, na apanha, no processo de selecção da uva e na lagarada, pisando o fruto nos tradicionais lagares de granito. Ao almoço há comida tradicional e, claro, os vinhos produzidos pela casa (85€/pessoa). Esta é apenas uma das experiências que a quinta, com mais de 250 anos, tem para oferecer. Situada na margem esquerda do Douro, encarando de frente a vila do Pinhão, a Quinta das Carvalhas não poupa esforços quando se trata de impressionar quem a visita. Os outros programas disponíveis incluem passeios pela vinha e provas de vinho ao ar livre.

Quinta das Carvalhas, N323. 25 473 8050. 

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Está de portas abertas desde 2019 e, além de funcionar como um bonito alojamento local, é também onde o vinho de marca própria, Val Moreira, é feito. O processo começa com a plantação e colheita das uvas – o espaço conta com mais de 20 hectares de vinha – e acaba com o envelhecimento e engarrafamento do vinho. Tudo feito na propriedade. Até 30 de Setembro, o hotel está de portas abertas para receber todos os que queiram participar nas vindimas. O programa especial (35€/por pessoa) inclui um kit vindima, um passeio pelas vinhas com apanha das uvas e explicações técnicas, visita à adega e uma prova de vinhos, acompanhada de petiscos regionais. É ainda possível adicionar jantar (35€/por pessoa) e alojamento. No fim, o Vila Galé oferece uma garrafa de vinho Val Moreira Colheita.

Quinta do Val Moreira, Marmelal, Santo Adrião (Armamar). 254 247 000. Reservas

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Todas as quintas do Douro Vinhateiro contam com vistas extraordinárias que deixam qualquer um sem fôlego – e a Quinta do Vallado, na Régua, não é excepção. Conta com um total de treze quartos, cinco na Casa Tradicional, e os restantes oito no edifício moderno. Mas além de garantir uma estadia confortável, a Quinta do Vallado organiza diferentes actividades pensadas para amantes de vinho. Para a época de vindimas foram criados programas especiais: o primeiro (90€/por pessoa) inclui um kit de vindima, actividades com a equipa de vindimadores da quinta, uma visita à adega e, para terminar, um almoço regional com prova de vinhos. Já o segundo (90€/por pessoa) acontece, maioritariamente, à tarde. Também inclui o kit, o almoço e a apanha da uva, e junta-lhes um lanche tradicional. As reservas devem ser feitas com antecedência e cada programa exige um mínimo de seis participantes.

Quinta do Vallado, Vilarinho dos Freires (Régua). 25 432 3147. Reservas

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  • Grande Porto

A região do Douro é sempre animada na época de vindimas, e a Quinta do Portal participa anualmente nas festividades. Para este ano preparam dois programas, o mais completo (575€/duas pessoas) inclui duas noites num quarto standard na Casa das Pipas, com pequeno-almoço e dois jantares de quatro momentos com harmonização de vinhos no restaurante da quinta. Os hóspedes podem também participar numa visita ao armazém de envelhecimento, num passeio de jipe – com direito a piquenique na Quinta do Confradeiro – e uma viagem de barco pelo rio. A alternativa é um programa de uma noite (258€/duas pessoas) com jantar e visita ao armazém. Pode fazer a sua reserva até ao final do mês e os dois programas oferecem uma garrafa de Vinho do Porto Portal e um chapéu de palha.

Celeirós do Douro (Sabrosa). 96 812 0127. Reservas

  • Viagens
  • Grande Porto

Fica no planalto vinhateiro de Favaios, a 600 metros de altitude, o ponto mais alto desta zona. A Quinta da Avessada foi a primeira quinta da região a plantar a casta Moscatel Galego, que deu origem ao famoso Moscatel de Favaios. Até 15 de Outubro vai acolher, diariamente, programas de vindimas – para grupos com até 20 participantes o preço fica em 55€/por pessoa, já para grupos maiores, a participação fica por 47€/por pessoa. Começa com uma visita aos Jardins da Enoteca, acompanhada de um Moscatel de Honra, ao som da concertina. A próxima paragem são as vinhas, onde se começa o corte das uvas e o transporte para o lagar, ao mesmo tempo que se fazem ouvir cânticos tradicionais durienses. Depois é hora de uma prova de vinhos assistida pelos enólogos da quinta, seguida do almoço, confeccionado nos tradicionais potes de ferro. À tarde são pisadas as uvas, ao som de um grupo de cantares, e para terminar o dia de trabalho há uma prova documentada de vinhos licorosos.

Rua Direita 26, Favaios. 25 994 9289. Reservas

Mais no Douro

  • Coisas para fazer
  • Caminhadas e passeios

Que o Douro é a região mais bonita do mundo já toda a gente sabe. Pode é não saber o que fazer quando lá estiver, ofuscado por tanta beleza natural. A pensar nisto, damos-lhe oito coisas para fazer no Douro que lhe vão ocupar bem o tempo, encher bem o estômago e deixá-lo bem relaxado num hotel com uma bela vista sobre a paisagem. Está curioso? Enquanto vá abrindo a lista, que nós desvendemos um pouco: conte com passeios de barco, visitas a monumentos imponentes e viagens pela linha do Douro, uma das bonitas de Portugal.

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  • Hotéis

De uma beleza que não passa de prazo, esta região vinhateira merece pelo menos uma visita por ano. Todos sabemos que há muito para fazer no Douro, mas também convém que, antes de nos fazermos à estrada, saibamos onde ficar instalados. Por isso mesmo, estes são os melhores hotéis no Douro para relaxar, passear e pôr os olhos no rio.

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  • Hotéis

Uma estadia por estes lados começa muito antes de se chegar ao destino. Inicia-se assim que as vinhas em socalco do Alto Douro Vinhateiro, suportadas por muros em pedra, outrora construídos à mão, surgem na paisagem. Firmes e ali enraizadas há vários séculos, com uma ou duas linhas de videira, brincam com a nossa percepção da realidade e, nas encostas mais íngremes, parecem desafiar as leis do equilíbrio e precipitar-se nas águas azuis e apetecíveis do Douro. 

Está calor. Ainda não é meio-dia e o termómetro do automóvel já ultrapassou os 30 graus centígrados. E apesar de seguirmos pela N222 (em 2015, um estudo promovido pela Avis Rent a Car, apoiado numa fórmula/equação, elegeu esta estrada, que liga Peso da Régua ao Pinhão, como a melhor estrada do mundo para conduzir) íamos lentamente, com o pedal do acelerador relaxado, atrás de um tractor que marcava o ritmo daquele dia de Verão. Abandonou-nos, pouco depois, rumo a uma das muitas adegas, armazéns ou grandes casas de vinho de Porto que pontilhavam, aqui e ali, as encostas de uma região que, apesar de atrair cada vez mais turistas, vive e orgulha-se do generoso vinho que produz.

  • Coisas para fazer
  • Caminhadas e passeios

O comboio

As carruagens são da década de 40 e foram restauradas para estas viagens. Não têm, por isso, ar condicionado, mas as janelas são amplas e à moda antiga, abrindo-se até meio, o que aumenta a interacção com a paisagem. A locomotiva é mais jovem, nasceu nos anos 60, e também tem um tom vintage.

A viagem

É uma das melhores e mais acessíveis formas de conhecer o Douro. Começa-se na Estação de São Bento às 9.25 e vai-se avançando calmamente até à Estação do Tua, onde se chega quatro horas depois. Nesse trajecto, o interesse aumenta à medida que se passa do quintal à quinta, altura em que o relevo ganha formas diferentes e os socalcos começam a aparecer. É um percurso de encontros e desencontros com o Douro, que se faz colado à janela, de preferência com algum calor à mistura. Há conversas entre passageiros de diversas nacionalidades, mas também com os barcos do rio – estas últimas começam com os apitos do comboio e são continuadas pelos acenos dos passageiros.

As paragens

A viagem tem várias pausas. A estação do Pinhão é uma delas, podendo-se admirar os painéis de azulejos com cenas da produção do vinho do Porto. Sendo a penúltima paragem do percurso Porto-Tua, pode-se sair ali e almoçar num dos restaurantes, com destaque para o Rabelo (no Vintage House Hotel). Já na Régua, há uma pausa de uma hora no regresso, que se pode aproveitar para um copo no Castas e Pratos. Quanto ao Tua, os passageiros têm quatro horas para almoçar no Calça Curta ou na Tua’Mercearia. Também podem visitar a estação, que é um pequeno museu dedicado aos caminhos de ferro.

O MiraDouro é um serviço diário com partida às 9.25 na Estação de São Bento e chegada às 12.28 ao Tua. Depois de uma pausa para almoço e contemplação do Douro, regressa às 16.34 e chega a São Bento às 20.55 (20.30 nos sábados, domingos e feriados). Custa 11,60€ em cada sentido e estará disponível até 30 de Setembro.

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Antes do vinho teve uma carreira militar, fez parte da primeira divisão de guardas da rainha de Inglaterra e esteve ao serviço das Nações Unidas no Chipre. Depois disso, uma passagem pela banca. O vinho surgiu por acaso?

Estive à volta do vinho toda a minha vida. Encontrei a minha esposa [Natasha Robertson] a 12 de Março de 1982, em Londres. Casámos em Setembro de 1989 e vim a Portugal em 1994. Entrei para a Taylor’s em Maio desse ano, mas só quatro anos mais tarde é que assumi responsabilidades dentro da empresa. O meu sogro queria que eu ficasse com a presidência para o milénio, por isso, em 2000, assumi oficialmente o cargo de director-geral. Mas, antes disso, a minha carreira militar chegara ao seu pico em Sandhurst [Real Academia Militar em Inglaterra], quando ganhei o prémio de melhor candidato do meu ano, o Sword of Honor. Por isso, depois do exército, fui para a banca. Queria divertir-me [risos].

Foi uma mudança drástica…

Uma das coisas que me define é que não descanso, quero fazer coisas. O sistema militar é mais programado e, para quem quer fazer coisas, não é tão acelerado, daí a passagem para a banca. Em seis anos fazes um grande caminho. Entras com mil euros por mês e passados dois anos podes estar com 100 mil. Mudar para Portugal não foi fácil. Era um país novo, um negócio novo, tudo era diferente. Mas a Taylor’s tem mais de 300 anos e uma empresa com esta idade vale muito. São poucas as que existem no mundo assim. É um negócio da família da minha esposa e eu quis aprender mais. Além de que as minhas experiências diferenciadas ajudaram-me muito. A nível militar, a disciplina, e a nível de investimento bancário, nas compras, na gestão de pessoas, quintas e balseiros.

Como é que estava o sector do vinho do Porto quando cá chegou, em meados dos anos 90, e o que é que aconteceu entretanto?

O vinho do Porto passa sempre por ciclos. Uns bons, outros menos bons. O final dos anos 80 não foi bom, por exemplo. A minha vinda para cá era com o intuito de adicionar valor à empresa. Havia a necessidade de diversificar o nosso peso em outros mercados. Os EUA e o Canadá eram mercados pequenos e agora são substanciais. Quando entrei tínhamos 30 ou 35 mercados e hoje estamos em 103. Há mais internacionalização e, apesar da tradição, temos uma história de inovação. Lançámos um vinho do Porto rosé, o Pink Croft, que faz precisamente hoje [14 de Fevereiro] 19 anos. Tive a ideia em 2005 mas demorou a ser posta em prática. Só em 2008 é que foi para o mercado e acabou por ter uma grande aceitação.

Esse rosé foi uma tentativa de aproximar as novas gerações do vinho do Porto?

Uma grande vantagem do vinho do Porto é que ele tem uma grande autenticidade e as novas gerações querem isso. Hoje, as pessoas até podem beber menos, mas quando bebem, bebem com mais qualidade e até estão dispostas a pagar mais por isso. Pagam a autenticidade, a qualidade, a história do negócio, o sabor… E toda a gente gosta do sabor do vinho do Porto, porque tem fruta, tem estrutura, é doce. Mas tivemos uma tendência muito grande a erguer barreiras perante o consumidor, isto é, em dizer-lhe que ‘com o vinho do Porto faz-se assim e serve-se assado’. Com o Croft Pink não. Não há regras. Com ele fazes o que quiseres, fazes cocktails, por exemplo. Há quem faça granizados.

Mas essa cultura não faz falta? Uma vez vi dois turistas na Avenida dos Aliados a beber vinho do Porto pelo gargalo da garrafa...

Pois…

O The Yeatman, o vosso hotel vínico de luxo, foi pensado para promover essa cultura?

Quando decidimos construir o The Yeatman comecei a viajar pelo mundo a promover o destino. Nós nunca promovemos o The Yeatman, promovemos o destino. O Porto é rico em história, tradições, cultura, arquitectura, comida e bebida e não tinha um hotel que lhe fizesse justiça. Temos cinco restaurantes com estrelas Michelin, um com duas estrelas que é o nosso, e mais 15 ou 20 que podem chegar à estrela. Temos novas lojas, temos coisas fantásticas que quando cá cheguei não existiam. Nessa altura senti que éramos o terceiro mundo da Europa. Hoje estamos na primeira linha e esta transformação, do meu ponto de vista, tem a ver com a alteração da confiança. Ninguém acreditava na nossa cidade. Mas [hoje] os portugueses exigem cada vez mais e melhor.

Investiram 32 milhões na sua construção. Em 2010, quando abriu as portas, as pessoas estavam preparadas para um hotel assim?

Eu analisei o mercado. 300 mil pessoas visitam, por ano, as caves de vinho do Porto. Se uma pessoa está interessada em vinho do Porto, então está interessada em vinhos e isso leva a que esteja interessada em boa comida também. [Portanto] construímos um hotel dedicado ao vinho. Não só ao vinho do Porto, mas sim aos vinhos portugueses, com comida de qualidade, no sentido de chegar à estrela Michelin, e com 82 quartos. Os preços por noite eram de 260€. As pessoas diziam: ‘ele está maluco’ ou ‘o seu hotel é lindíssimo mas é o dobro de um quarto no Sheraton’. Eu respondo que nós oferecemos mais, oferecemos vistas fantásticas, oferecemos individualidade. O nosso segmento é de luxo, de lazer. O Sheraton é de conveniência e de negócios.

Qual foi a vossa taxa de ocupação no ano passado?

Foi de 84%.

Ainda sobre a cultura do vinho e o turismo, o vosso projecto World of Wine tem data prevista de abertura no Verão de 2020. São 100 milhões euros, 30 mil metros quadrados...

Seis museus, dez restaurantes, wine bars, lojas, estacionamento, uma nova praça para a cidade. Há uma grande sinergia nisto. Para uma empresa de vinho do Porto, como é o nosso caso, onde temos consumidores interessados em aprender, quando eles vêm conhecer as nossas instalações, em duas horas temos uma grande oportunidade para lhes dar informação e também para estabelecer uma ligação emocional com o consumidor final. Isto ajuda o nosso core business. Ficam a entender mais sobre a nossa cidade e isto é muito positivo. Mas não promovemos apenas o vinho do Porto, mas sim todos os vinhos portugueses.

Tem, portanto, uma vertente pedagógica?

Sim. Esta cidade tem dois grandes desafios. Primeiro, temos uma época baixa longa e poucos museus, por isso, se queremos captar pessoas na época baixa, precisamos de actividades que eles possam fazer dentro de portas. O segundo desafio é passar a média de 2,6 noites [que os turistas permanecem na cidade] para 3. Temos de os captar. Eu vou promover vinhos do Porto e vinhos de mesa dos meus concorrentes, mas vale a pena porque é por um bem maior. Vamos ter um museu de vinhos portugueses de mesa porque não há nada sobre isso na nossa cidade e vai ser uma empresa que não está envolvida em vinho de mesa que vai construir este museu. Com este museu vamos explicar a metodologia, a região, o solo, o clima, o trabalho agrónomo, o envasilhamento, o processo de fábrica. Vamos chamar a atenção para as especificidades das várias regiões do nosso país. Depois, vamos pôr as pessoas a provar vinhos para descobrirem o seu estilo.

Mas além desse museu há outros.

Vamos ter um museu sobre a história da cidade, outro dedicado à cortiça, outro sobre os copos nos últimos oito mil anos, um dedicado à moda e design e ainda um museu para exposições temporárias, que poderá receber pintura, escultura, carros...

E agora a actualidade. O vosso volume de exportação para Inglaterra é de 35%. É substancial. Com o Brexit, como é que vai ser?

A Inglaterra é um mercado muito importante para nós e, obviamente, agora com o Brexit está tudo na mão de Deus. Não sei. Se Theresa May não sabe, eu não sei. Eu tenho uma opinião – é que ela é maluca em não alterar a sua estratégia quando a volta foi contra. É ridículo. O Brexit é ridículo do meu ponto de vista. Obviamente que há riscos para o nosso negócio porque somos muito dependentes do mercado. Se [o Reino Unido] sai sem acordo, o valor cambial vai cair, vai ter impacto no nosso negócio, vai ter impacto em tudo e all bets are off.

Ainda antes dessa possível saída da União Europeia aconteceu a Climate Change Leadership, de 5 a 7 de Março, onde várias personalidades, como Al Gore, estiveram presentes. De que forma a indústria de vinho pode mitigar os efeitos das alterações climáticas?

A base da produção de vinhos é agrícola, ou seja, somos lavradores. Usamos a palavra terroir, mas a implicação de usarmos essa palavra é sabermos exactamente de onde vêm os nossos vinhos. E por que é que é importante? Porque há algumas especificidades no vinho que outros produtos agrícolas não têm. Temos uma planta forte, muito resistente, que podes plantar em locais remotos, problemáticos, com temperaturas altas e com pouca água. Mas é também um fruto sujeito a doenças, infecções e isto é um problema para os agricultores. O nosso sector é importante. Somos o alimento socioeconómico daquela região, ou seja, se tiras a videira do vale do Douro não há nada lá. Nós somos responsáveis por zonas remotas. E podemos usar toda esta nossa informação. Muitos negócios pensam voltados para si próprios, mas a verdade é que as alterações climáticas atingem a tua quinta e a do vizinho. É o mesmo desafio. Eu preciso de dar o braço ao meu vizinho. Vamos concorrer em história, qualidade, blá, blá, blá, mas não podemos concorrer com alterações climáticas. A base é isto.

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