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vinhas do Casal dos Capelinhos
© Rui da Cruz Pode vindimar e passear nas vinhas do Casal dos Capelinhos

Quintas no Douro com programas especiais de vindimas

Chegou a época mais especial no Douro. Conheça as quintas que abrem as suas portas ao enoturismo com programas de vindimas, jantares vínicos, visitas às adegas, passeios de barco e piqueniques nas vinhas. Agora com máscara, mas com a magia de sempre.

Por Ana Patrícia Silva
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O Douro é um suspiro. Em tempo de vindimas, parece ganhar nova vida. A azáfama é grande no corte dos cachos, a encher as cestas de uvas, enquanto o rio segue a sua vida lá em baixo e os socalcos preenchem a vista, numa paisagem que é Património Mundial da UNESCO. Apesar da pandemia, as tradições e os trabalhos não podem parar, mas são feitos com mais cuidados – em grupos mais pequenos, mais distanciados, com máscara e desinfectante sempre à mão. Na época mais agitada de uma quinta vinhateira, há várias a abrir as portas a quem quiser ver e participar no trabalho das vindimas. Descubra os programas especiais desta época.

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Programas de vindimas no Douro:

Quinta da Avessada
Quinta da Avessada
© DR

Quinta da Avessada

A Quinta da Avessada está situada no planalto vinhateiro de Favaios, a 600 metros de altitude, o ponto mais alto desta zona. Foi a primeira quinta da região a plantar a casta Moscatel Galego, que deu origem ao Moscatel de Favaios. Numa vindima marcada pela pandemia, a quinta mantém até Outubro o programa turístico (55€) que inclui corte de uvas, lagarada e almoço, mas com limitação de participantes e desinfecção regular das tesouras, baldes e até do mosto no lagar. Cada grupo terá um máximo de 25 pessoas e cada visitante terá de passar num túnel de desinfecção para a higienização da roupa e corpo. Todos os baldes e tesouras estarão também desinfectados e, na vinha, os participantes vão ficar dispersos por uma área delimitada.

Rua Direita 26, Favaios. 259 949 289. enotecadouro.com

Quinta do Crasto no Douro
Quinta do Crasto no Douro
© DR

Quinta do Crasto

Debruçada sobre o Douro, a ver o rio a serpentear os socalcos, a Quinta do Crasto tem uma paisagem de encher a vista. Se a quiser contemplar de pontos privilegiados, suba até à capela ou mergulhe na piscina infinita da autoria do arquitecto Souto de Moura. Na quinta há programas de enoturismo durante todo o ano, mas esta altura é especial. Pode percorrer os seus 135 hectares, fazer provas de vinho, visitar a cave de barricas onde estagiam vinhos de gamas superiores, almoçar, jantar, passear de barco no rio e acompanhar os trabalhos na vinha e na adega. Com preços desde 25€, os programas são desenhados à medida de cada visita, sob marcação prévia através do email enoturismo@quintadocrasto.pt.

Gouvinhas, Sabrosa. 254 920 020. quintadocrasto.pt

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Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo
Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo
© DR

Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo

Com mais de 250 anos de história, foi a primeira quinta em Portugal a abrir um enoturismo com um hotel dedicado ao vinho. Para esta época, a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo tem um programa especial de vindimas, aberto a visitantes, para apanhar uvas, fazer provas de vinho e harmonizações gastronómicas. O programa Um dia na vindima do Douro custa 150€ por pessoa e inclui formação, apanha de uva numa das parcelas da quinta, visita guiada à adega com prova do primeiro vinho, visita ao Wine Museum Centre com prova de vinhos no Patamar Kitchen e um menu de degustação no Conceitus Winery Restaurant. Mas há outras experiências que pode escolher, como passeios de barco, jantares vínicos, caminhadas revigorantes pela vinha, visitas com provas exclusivas ou as experiências premium: Um Dia na Quinta e Enólogo Por Um Dia.

Covas do Douro. 254 730 420. quintanova.com

Vindimas no Casal dos Capelinhos no Douro
Vindimas no Casal dos Capelinhos no Douro
© Rui da Cruz

Casal dos Capelinhos

O programa de um dia nas vindimas decorre entre Setembro e Outubro e custa 65€ por pessoa, sendo gratuito para crianças até aos dez anos. O dia começa às 09.00 com um pequeno-almoço tradicional, seguido de um passeio pelas vinhas, para relaxar na tranquilidade do campo e aprender mais sobre o terroir do Douro. Depois do corte das uvas e transporte para a adega, pode optar pelo piquenique nas vinhas ou o almoço preparado com os produtos da horta biológica da quinta e as carnes certificadas da Serra do Alvão. À tarde, pode visitar a adega museológica para conhecer o processo de vinificação. O programa termina com provas comentadas de vinhos do Douro e do Porto.

Santa Marta de Penaguião. 254 822 074. casaldoscapelinhos.pt

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Vindimas na Quinta de Marrocos no Douro
Vindimas na Quinta de Marrocos no Douro
© DR

Quinta de Marrocos

Esta quinta, que noutros tempos foi um convento franciscano, é uma das mais antigas do Douro. Numa paisagem pintada com vinhas centenárias, pode descobrir como são feitos os vinhos tranquilos do Douro e os vinhos do Porto. Seja através de provas, de cursos ou com o programa especial de um dia na vindima (desde 110€). É a ocasião ideal para se envolver na colheita das uvas, na pisa tradicional em lagares de granito, na vinificação, na degustação e nas festas que o celebram. O dia começa às 10.00 e termina às 17.00, com almoço vínico, guia especializado, guia local, visita guiada, prova de vinhos, vindima e actividades na adega. O programa pode ser reservado online, através do número 918 828 785 ou do e-mail info@quintademarrocos.com.

Estrada Nacional 222, Valdigem, Lamego. 254 313 012. quintademarrocos.com

Quinta da Pacheca
Quinta da Pacheca
© Quinta da Pacheca

Quinta da Pacheca

Até ao final de Setembro, a Quinta da Pacheca tem um programa de vindimas que custa 60€ para adultos e 30€ para crianças até 11 anos. A experiência inclui prova de vinho, visita guiada à quinta e jantar buffet tradicional. Também pode participar na pisa das uvas, como a tradição manda – serão oferecidos calções e uma t-shirt oficial alusiva ao evento. Aproveite para passar a noite numa das Wine Barrels, as famosas suítes em forma de barris de vinho. Como ficam afastadas do edifício principal, vai parecer que está distante do mundo, rodeado de vinha, paz e tranquilidade. Tudo o que precisamos nesta altura.

Cambres, Lamego. 254 331 229. quintadapacheca.com

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Quinta do Portal
Quinta do Portal
© DR

Quinta do Portal

Nesta época, a Quinta do Portal tem três programas em que os hóspedes podem participar em lagaradas ou ajudar os vindimadores no corte da uva. O mais completo, o Portal Weekend Experience (799€ para duas pessoas), inclui duas noites de alojamento num quarto superior com varanda e dois jantares vínicos com cinco momentos no restaurante. O programa oferece também um piquenique nas vinhas da quinta, um passeio de barco no Douro, uma prova de vinhos com tábua de queijos e enchidos no armazém de envelhecimento desenhado por Siza Vieira e dois cocktails para bebericar junto à piscina. Há outro programa para duas noites (549€ para duas pessoas), com jantares, uma prova de vinhos, um passeio de barco e a oferta de uma garrafa de vinho do Porto, e um programa para uma noite (299€ para duas pessoas), com jantar, passeio de barco, visita e prova de vinhos.

EN 323 Celeirós, Sabrosa. 259 937 000. quintadoportal.com

Mais no Douro:

Casal de Loivos
© DR

Oito coisas para fazer no Douro

Coisas para fazer Caminhadas e passeios

Que o Douro é a região mais bonita do mundo já toda a gente sabe. Pode é não saber o que fazer quando lá estiver, ofuscado por tanta beleza natural. A pensar nisto, damos-lhe oito coisas para fazer no Douro que lhe vão ocupar bem o tempo, encher bem o estômago e deixá-lo bem relaxado num hotel com uma bela vista sobre a paisagem. Está curioso? Enquanto vá abrindo a lista, que nós desvendemos um pouco: conte com passeios de barco, visitas a monumentos imponentes e viagens pela linha do Douro, uma das bonitas de Portugal.

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Os melhores hotéis no Douro

Hotéis

De uma beleza que não passa de prazo, esta região vinhateira merece pelo menos uma visita por ano. Todos sabemos que há muito para fazer no Douro, mas também convém que, antes de nos fazermos à estrada, saibamos onde ficar instalados. Por isso mesmo, estes são os melhores hotéis no Douro para relaxar, passear e pôr os olhos no rio.

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Six Senses Douro Valley
©DR

Six Senses Douro Valley: relaxar em tempos de pandemia

Hotéis

Uma estadia por estes lados começa muito antes de se chegar ao destino. Inicia-se assim que as vinhas em socalco do Alto Douro Vinhateiro, suportadas por muros em pedra, outrora construídos à mão, surgem na paisagem. Firmes e ali enraizadas há vários séculos, com uma ou duas linhas de videira, brincam com a nossa percepção da realidade e, nas encostas mais íngremes, parecem desafiar as leis do equilíbrio e precipitar-se nas águas azuis e apetecíveis do Douro. 

Está calor. Ainda não é meio-dia e o termómetro do automóvel já ultrapassou os 30 graus centígrados. E apesar de seguirmos pela N222 (em 2015, um estudo promovido pela Avis Rent a Car, apoiado numa fórmula/equação, elegeu esta estrada, que liga Peso da Régua ao Pinhão, como a melhor estrada do mundo para conduzir) íamos lentamente, com o pedal do acelerador relaxado, atrás de um tractor que marcava o ritmo daquele dia de Verão. Abandonou-nos, pouco depois, rumo a uma das muitas adegas, armazéns ou grandes casas de vinho de Porto que pontilhavam, aqui e ali, as encostas de uma região que, apesar de atrair cada vez mais turistas, vive e orgulha-se do generoso vinho que produz.

Passeio de Comboio - Linha TUA
©Claudia Paiva

MiraDouro. Uma viagem pelo Douro num comboio dos anos 40

Coisas para fazer Caminhadas e passeios

O comboio

As carruagens são da década de 40 e foram restauradas para estas viagens. Não têm, por isso, ar condicionado, mas as janelas são amplas e à moda antiga, abrindo-se até meio, o que aumenta a interacção com a paisagem. A locomotiva é mais jovem, nasceu nos anos 60, e também tem um tom vintage.

A viagem

É uma das melhores e mais acessíveis formas de conhecer o Douro. Começa-se na Estação de São Bento às 9.25 e vai-se avançando calmamente até à Estação do Tua, onde se chega quatro horas depois. Nesse trajecto, o interesse aumenta à medida que se passa do quintal à quinta, altura em que o relevo ganha formas diferentes e os socalcos começam a aparecer. É um percurso de encontros e desencontros com o Douro, que se faz colado à janela, de preferência com algum calor à mistura. Há conversas entre passageiros de diversas nacionalidades, mas também com os barcos do rio – estas últimas começam com os apitos do comboio e são continuadas pelos acenos dos passageiros.

As paragens

A viagem tem várias pausas. A estação do Pinhão é uma delas, podendo-se admirar os painéis de azulejos com cenas da produção do vinho do Porto. Sendo a penúltima paragem do percurso Porto-Tua, pode-se sair ali e almoçar num dos restaurantes, com destaque para o Rabelo (no Vintage House Hotel). Já na Régua, há uma pausa de uma hora no regresso, que se pode aproveitar para um copo no Castas e Pratos. Quanto ao Tua, os passageiros têm quatro horas para almoçar no Calça Curta ou na Tua’Mercearia. Também podem visitar a estação, que é um pequeno museu dedicado aos caminhos de ferro.

O MiraDouro é um serviço diário com partida às 9.25 na Estação de São Bento e chegada às 12.28 ao Tua. Depois de uma pausa para almoço e contemplação do Douro, regressa às 16.34 e chega a São Bento às 20.55 (20.30 nos sábados, domingos e feriados). Custa 11,60€ em cada sentido e estará disponível até 30 de Setembro.

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Adrian Bridge
© João Saramago

Adrian Bridge: “Se tiras a videira do vale do Douro não há nada lá"

Coisas para fazer

Antes do vinho teve uma carreira militar, fez parte da primeira divisão de guardas da rainha de Inglaterra e esteve ao serviço das Nações Unidas no Chipre. Depois disso, uma passagem pela banca. O vinho surgiu por acaso?

Estive à volta do vinho toda a minha vida. Encontrei a minha esposa [Natasha Robertson] a 12 de Março de 1982, em Londres. Casámos em Setembro de 1989 e vim a Portugal em 1994. Entrei para a Taylor’s em Maio desse ano, mas só quatro anos mais tarde é que assumi responsabilidades dentro da empresa. O meu sogro queria que eu ficasse com a presidência para o milénio, por isso, em 2000, assumi oficialmente o cargo de director-geral. Mas, antes disso, a minha carreira militar chegara ao seu pico em Sandhurst [Real Academia Militar em Inglaterra], quando ganhei o prémio de melhor candidato do meu ano, o Sword of Honor. Por isso, depois do exército, fui para a banca. Queria divertir-me [risos].

Foi uma mudança drástica…

Uma das coisas que me define é que não descanso, quero fazer coisas. O sistema militar é mais programado e, para quem quer fazer coisas, não é tão acelerado, daí a passagem para a banca. Em seis anos fazes um grande caminho. Entras com mil euros por mês e passados dois anos podes estar com 100 mil. Mudar para Portugal não foi fácil. Era um país novo, um negócio novo, tudo era diferente. Mas a Taylor’s tem mais de 300 anos e uma empresa com esta idade vale muito. São poucas as que existem no mundo assim. É um negócio da família da minha esposa e eu quis aprender mais. Além de que as minhas experiências diferenciadas ajudaram-me muito. A nível militar, a disciplina, e a nível de investimento bancário, nas compras, na gestão de pessoas, quintas e balseiros.

Como é que estava o sector do vinho do Porto quando cá chegou, em meados dos anos 90, e o que é que aconteceu entretanto?

O vinho do Porto passa sempre por ciclos. Uns bons, outros menos bons. O final dos anos 80 não foi bom, por exemplo. A minha vinda para cá era com o intuito de adicionar valor à empresa. Havia a necessidade de diversificar o nosso peso em outros mercados. Os EUA e o Canadá eram mercados pequenos e agora são substanciais. Quando entrei tínhamos 30 ou 35 mercados e hoje estamos em 103. Há mais internacionalização e, apesar da tradição, temos uma história de inovação. Lançámos um vinho do Porto rosé, o Pink Croft, que faz precisamente hoje [14 de Fevereiro] 19 anos. Tive a ideia em 2005 mas demorou a ser posta em prática. Só em 2008 é que foi para o mercado e acabou por ter uma grande aceitação.

Esse rosé foi uma tentativa de aproximar as novas gerações do vinho do Porto?

Uma grande vantagem do vinho do Porto é que ele tem uma grande autenticidade e as novas gerações querem isso. Hoje, as pessoas até podem beber menos, mas quando bebem, bebem com mais qualidade e até estão dispostas a pagar mais por isso. Pagam a autenticidade, a qualidade, a história do negócio, o sabor… E toda a gente gosta do sabor do vinho do Porto, porque tem fruta, tem estrutura, é doce. Mas tivemos uma tendência muito grande a erguer barreiras perante o consumidor, isto é, em dizer-lhe que ‘com o vinho do Porto faz-se assim e serve-se assado’. Com o Croft Pink não. Não há regras. Com ele fazes o que quiseres, fazes cocktails, por exemplo. Há quem faça granizados.

Mas essa cultura não faz falta? Uma vez vi dois turistas na Avenida dos Aliados a beber vinho do Porto pelo gargalo da garrafa...

Pois…

O The Yeatman, o vosso hotel vínico de luxo, foi pensado para promover essa cultura?

Quando decidimos construir o The Yeatman comecei a viajar pelo mundo a promover o destino. Nós nunca promovemos o The Yeatman, promovemos o destino. O Porto é rico em história, tradições, cultura, arquitectura, comida e bebida e não tinha um hotel que lhe fizesse justiça. Temos cinco restaurantes com estrelas Michelin, um com duas estrelas que é o nosso, e mais 15 ou 20 que podem chegar à estrela. Temos novas lojas, temos coisas fantásticas que quando cá cheguei não existiam. Nessa altura senti que éramos o terceiro mundo da Europa. Hoje estamos na primeira linha e esta transformação, do meu ponto de vista, tem a ver com a alteração da confiança. Ninguém acreditava na nossa cidade. Mas [hoje] os portugueses exigem cada vez mais e melhor.

Investiram 32 milhões na sua construção. Em 2010, quando abriu as portas, as pessoas estavam preparadas para um hotel assim?

Eu analisei o mercado. 300 mil pessoas visitam, por ano, as caves de vinho do Porto. Se uma pessoa está interessada em vinho do Porto, então está interessada em vinhos e isso leva a que esteja interessada em boa comida também. [Portanto] construímos um hotel dedicado ao vinho. Não só ao vinho do Porto, mas sim aos vinhos portugueses, com comida de qualidade, no sentido de chegar à estrela Michelin, e com 82 quartos. Os preços por noite eram de 260€. As pessoas diziam: ‘ele está maluco’ ou ‘o seu hotel é lindíssimo mas é o dobro de um quarto no Sheraton’. Eu respondo que nós oferecemos mais, oferecemos vistas fantásticas, oferecemos individualidade. O nosso segmento é de luxo, de lazer. O Sheraton é de conveniência e de negócios.

Qual foi a vossa taxa de ocupação no ano passado?

Foi de 84%.

Ainda sobre a cultura do vinho e o turismo, o vosso projecto World of Wine tem data prevista de abertura no Verão de 2020. São 100 milhões euros, 30 mil metros quadrados...

Seis museus, dez restaurantes, wine bars, lojas, estacionamento, uma nova praça para a cidade. Há uma grande sinergia nisto. Para uma empresa de vinho do Porto, como é o nosso caso, onde temos consumidores interessados em aprender, quando eles vêm conhecer as nossas instalações, em duas horas temos uma grande oportunidade para lhes dar informação e também para estabelecer uma ligação emocional com o consumidor final. Isto ajuda o nosso core business. Ficam a entender mais sobre a nossa cidade e isto é muito positivo. Mas não promovemos apenas o vinho do Porto, mas sim todos os vinhos portugueses.

Tem, portanto, uma vertente pedagógica?

Sim. Esta cidade tem dois grandes desafios. Primeiro, temos uma época baixa longa e poucos museus, por isso, se queremos captar pessoas na época baixa, precisamos de actividades que eles possam fazer dentro de portas. O segundo desafio é passar a média de 2,6 noites [que os turistas permanecem na cidade] para 3. Temos de os captar. Eu vou promover vinhos do Porto e vinhos de mesa dos meus concorrentes, mas vale a pena porque é por um bem maior. Vamos ter um museu de vinhos portugueses de mesa porque não há nada sobre isso na nossa cidade e vai ser uma empresa que não está envolvida em vinho de mesa que vai construir este museu. Com este museu vamos explicar a metodologia, a região, o solo, o clima, o trabalho agrónomo, o envasilhamento, o processo de fábrica. Vamos chamar a atenção para as especificidades das várias regiões do nosso país. Depois, vamos pôr as pessoas a provar vinhos para descobrirem o seu estilo.

Mas além desse museu há outros.

Vamos ter um museu sobre a história da cidade, outro dedicado à cortiça, outro sobre os copos nos últimos oito mil anos, um dedicado à moda e design e ainda um museu para exposições temporárias, que poderá receber pintura, escultura, carros...

E agora a actualidade. O vosso volume de exportação para Inglaterra é de 35%. É substancial. Com o Brexit, como é que vai ser?

A Inglaterra é um mercado muito importante para nós e, obviamente, agora com o Brexit está tudo na mão de Deus. Não sei. Se Theresa May não sabe, eu não sei. Eu tenho uma opinião – é que ela é maluca em não alterar a sua estratégia quando a volta foi contra. É ridículo. O Brexit é ridículo do meu ponto de vista. Obviamente que há riscos para o nosso negócio porque somos muito dependentes do mercado. Se [o Reino Unido] sai sem acordo, o valor cambial vai cair, vai ter impacto no nosso negócio, vai ter impacto em tudo e all bets are off.

Ainda antes dessa possível saída da União Europeia aconteceu a Climate Change Leadership, de 5 a 7 de Março, onde várias personalidades, como Al Gore, estiveram presentes. De que forma a indústria de vinho pode mitigar os efeitos das alterações climáticas?

A base da produção de vinhos é agrícola, ou seja, somos lavradores. Usamos a palavra terroir, mas a implicação de usarmos essa palavra é sabermos exactamente de onde vêm os nossos vinhos. E por que é que é importante? Porque há algumas especificidades no vinho que outros produtos agrícolas não têm. Temos uma planta forte, muito resistente, que podes plantar em locais remotos, problemáticos, com temperaturas altas e com pouca água. Mas é também um fruto sujeito a doenças, infecções e isto é um problema para os agricultores. O nosso sector é importante. Somos o alimento socioeconómico daquela região, ou seja, se tiras a videira do vale do Douro não há nada lá. Nós somos responsáveis por zonas remotas. E podemos usar toda esta nossa informação. Muitos negócios pensam voltados para si próprios, mas a verdade é que as alterações climáticas atingem a tua quinta e a do vizinho. É o mesmo desafio. Eu preciso de dar o braço ao meu vizinho. Vamos concorrer em história, qualidade, blá, blá, blá, mas não podemos concorrer com alterações climáticas. A base é isto.

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