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©João SaramagoDouro

Quintas no Douro com programas especiais de vindimas

Chegou a época mais especial no Douro. Conheça as quintas que abrem portas ao enoturismo com programas de vindimas, jantares vínicos, visitas, passeios e não só.

Escrito por
Editores da Time Out Porto
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De uma beleza que não passa de prazo, o Douro merece pelo menos uma visita por ano e a época das vindimas é a melhor altura para o fazer. A azáfama é grande no corte dos cachos, a encher as cestas de uvas, enquanto o rio segue a sua vida lá em baixo e os socalcos preenchem a vista, numa paisagem que é Património Mundial da UNESCO. No mês mais agitado do calendário para uma quinta vinhateira, há várias a abrir as portas a quem quiser ver e participar no trabalho das vindimas. Em jeito de incentivo para uma escapadinha, descubra os programas especiais desta época.

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Programas de vindimas no Douro

  • Hotéis
  • Grande Porto

No fim-de-semana de 10 e 11 de Setembro, a Churchill's abre portas para a vindima anual na emblemática Quinta da Gricha. O programa engloba um dia de vindima, com pisa de uvas, prova de vinhos e almoço. Ao chegar à quinta, os convidados vestem-se a rigor com o “kit Douro” para colherem uvas com a equipa de viticultura de Churchill’s. O trabalho árduo pede um lanche a meio da manhã, ao qual se segue uma degustação dos vinhos do Porto da Churchill’s. A diversão atinge por norma o auge quando os convidados se juntam à equipa que vai pisar as uvas nos antigos lagares de granito, que datam de 1852. O programa termina com um merecido almoço, servido no instagramável Pátio das Laranjeiras. A refeição é composta por três pratos típicos da gastronomia portuguesa, acompanhada pelos elegantes e frescos vinhos do Douro da Churchill’s, e termina com um Porto Vintage muito especial. O preço é de 185€ por pessoa, para grupos de 12 por dia, no máximo. Reservas para quatro pessoas terão um desconto de 10%.

Quinta da Gricha (Ervedosa do Douro). 926 810 391.

  • Hotéis
  • Grande Porto

A Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, que integrou recentemente a cadeia de luxo Relais & Châteaux, instala os seus hóspedes numa típica casa familiar oitocentista, com uma capela à porta e uma grande e colorida buganvília a pintar-lhe a fachada. Tem 11 quartos com vista para a vinha e para o rio. Num passeio pela propriedade cruzar-se-á ao longo de cinco quilómetros com os velhos pomares e com a antiga adega do século XVIII. Em época de vindimas, desafiam-no a juntar-se aos trabalhadores (250€ por pessoa). Este programa, disponível nos dias 10, 13 e 14 de Setembro, inclui visita às vinhas com o corte das uvas, prova de vinhos na adega e almoço com animação musical.

Quinta Nova (Covas do Douro). 254 730 430/ 969 860 056. Reservas mediante o pagamento de 50% do valor.

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  • Hotéis
  • Grande Porto

Amarante, que não é bem no Douro mas quase, foi o local escolhido como morada do Monverde Wine Experience Hotel, o hotel alicerçado nos vinhos da Quinta da Lixa e inserido na Quinta de Sanguinhedo, com 22 hectares de vinha. Organizam regularmente actividades relacionadas com vinho verde (o protagonista da zona) e nesta época de vindimas sugerem um programa muito completo (65€ por pessoa), que começa logo pela fresca, com a distribuição dos kits com todos os utensílios necessários. A meio da manhã pode contar com uma pausa nos trabalhos na vinha para um lanche com iguarias regionais. A labuta continua, embora a partir daí já intercalada com a prova de vinhos. Está ainda planeado um almoço no exterior, uma visita à adega e uma explicação do início do processo de vinificação. Para as famílias com crianças, cuja participação tem um custo de 30€, foi pensada uma actividade que consiste na recolha de materiais da vinha, durante a apanha da uva, para mais tarde criarem um pequeno projecto.

Castanheiro Redondo s/n, Telões (Amarante). 255 143 100. Reservas.

  • Viagens
  • Grande Porto

Durante o mês de Setembro, entre os dias 8 e 30, a Quinta da Pacheca, em Lamego, convida-o a participar nas vindimas com pisa de uva, visitas guiadas, provas de vinhos e jantares. Estão disponíveis três programas: Dia de Vindima (entre as 10.00 e as 16.00, 65€ por pessoa), Visita & Prova & Lagarada (17.00-19.00, 35€ por pessoa), e Visita & Prova & Lagarada com Almoço de Vindima (18.00-22.00, 85€ por pessoa). No primeiro, vai ter a oportunidade de participar na apanha e pisa das uvas nos lagares. Inclui ainda uma visita guiada pelos espaços da Quinta da Pacheca, almoço e prova de vinhos. No segundo programa, depois da visita guiada à quinta e da prova de vinhos (dois Douros + dois Portos), vai poder entrar no lagar onde pisam as uvas. Já o programa com almoço, inclui visita guiada à vinha, lagares e adega, com prova de vinhos e oferta da t-shirt oficial da vindima.

Rua do Relógio do Sol, 261 (Lamego). 254 331 229. Reservas

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  • Hotéis
  • Grande Porto

Está de portas abertas desde 2019 e, além de funcionar como um bonito alojamento local, é também onde o vinho de marca própria, Val Moreira, é produzido. O processo começa com a plantação e colheita das uvas – o espaço conta com mais de 20 hectares de vinha – e acaba com o envelhecimento e engarrafamento do vinho. Tudo feito na propriedade. De 29 de Agosto a 2 de Outubro o hotel está de portas abertas para receber todos os que queiram participar nas vindimas. O programa especial (35€ por pessoa) inclui um kit vindima, um passeio pelas vinhas com apanha das uvas e explicações técnicas, visita à adega e uma prova de vinhos, acompanhada de petiscos. Por mais 35€ pode-se degustar um almoço com pratos regionais. E pode ainda aproveitar-se para explorar este agroturismo no coração do Douro Vinhateiro, com preços desde 200€ por noite em quarto duplo standard com pequeno-almoço.

Quinta do Val Moreira, Marmelal, Santo Adrião (Armamar). 254 247 000. Reservas.

  • Viagens
  • Grande Porto

A região do Douro é sempre animada na época de vindimas, e a Quinta do Portal participa nas festividades de 1 a 30 de Setembro. Para este ano preparam um programa (320€ para duas pessoas), que inclui uma noite num quarto standard na Casa das Pipas, com direito a pequeno-almoço e um jantar para duas pessoas com quatro momentos no restaurante da Quinta do Portal. No dia seguinte conte com uma visita ao armazém de vinhos desenhado pelo arquitecto Siza Vieira, onde decorrerá uma prova de vinhos premium. O programa inclui ainda a oferta de uma garrafa de Vinho do Portal Late Harvest 2016.

Celeirós do Douro (Sabrosa). 968 120 127. Reservas.

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  • Viagens
  • Grande Porto

Fica no planalto vinhateiro de Favaios, a 600 metros de altitude, o ponto mais alto desta zona. A Quinta da Avessada foi a primeira quinta da região a plantar a casta Moscatel Galego, que deu origem ao famoso Moscatel de Favaios. Até ao início de Outubro vai acolher, diariamente, programas de vindimas – para grupos com até 20 participantes o preço fica em 55€ por pessoa, já para grupos maiores, a participação fica por 47€ por pessoa. O dia começa com uma visita aos Jardins da Enoteca, acompanhada de um Moscatel de Honra, ao som da concertina. A próxima paragem são as vinhas, onde se dá o corte das uvas e o transporte para o lagar, ao mesmo tempo que se fazem ouvir cânticos tradicionais durienses. Depois é hora de uma prova de vinhos assistida pelos enólogos da quinta, seguida do almoço, confeccionado nos tradicionais potes de ferro. À tarde são pisadas as uvas, ao som de um grupo de cantares, e para terminar o dia de trabalho há uma prova documentada de vinhos licorosos.

Rua Direita 26, Favaios. 259 949 289. Reservas.

  • Viagens
  • Grande Porto

Visitar a adega e as caves, saber mais sobre a sua história, perceber como acontece o processo de vinificação, bem como provar alguns dos melhores vinhos do Porto aqui produzidos são alguns dos programas da Quinta de La Rosa. Mas há mais, especialmente em tempo de vindimas. Para este ano, a bonita quinta, mesmo em cima do rio Douro, tem à disposição dois programas, um de um dia inteiro e outro de meio, e ambos para quem não se importa de sujar as mãos (e os pés). Apenas um aviso à navegação – a reserva deverá ser feita previamente. O primeiro começa pelas 10h00, com um passeio guiado pelas vinhas, seguido de um almoço no Tim’s Terrace, visita à adega com prova de vinhos do Porto, passeio de barco até ao Pinhão, jantar no famoso restaurante Cozinha da Clara e, para fazer a digestão, uma lagarada nos tradicionais lagares de granito (240€ por pessoa, mais 25€ para participar na lagarada). Já o segundo programa começa pelas 17h00, com uma visita guiada à famosa vinha do Vale do Inferno, seguida de uma prova de vinhos, após ficar a conhecer adega e caves de envelhecimento. Às 19h30 é servido o jantar no restaurante Cozinha da Clara, encerrando-se o dia da mesma forma que no programa anterior (95€ por pessoa, mais 25€ para participar na lagarada).

Quinta de La Rosa, Covas do Douro. 254 732 254 Reservas.

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  • Hotéis
  • Grande Porto

É nos dias 1, 7 e 17 de Setembro que a Quinta do Vallado abre portas a “vindimadores” amadores ou já reformados. Há dois programas disponíveis, ambos a 100€ por pessoa e cuja marcação deverá ser feita antecipadamente. O primeiro começa pelas 10h30 com pequeno-almoço, briefing sobre a actividade e entrega do “kit vindima”. Depois toca a dar no duro na vinha até à visita à adega (12h30), seguida do merecido almoço regional com prova de vinhos. Por seu turno, no segundo programa, as actividades começam ao meio-dia logo com uma visita a adega. O almoço regional com prova de vinhos é servido às 13h30, seguindo-se então os trabalhos na vinha, recompensados posteriormente com um lanche tradicional.

Wine Hotel, Vilarinho dos Freires (Peso da Régua). 254 318 081. Reservas.

Mais no Douro

  • Coisas para fazer
  • Caminhadas e passeios

Que o Douro é a região mais bonita do mundo já toda a gente sabe. Pode é não saber o que fazer quando lá estiver, ofuscado por tanta beleza natural. A pensar nisto, damos-lhe oito coisas para fazer no Douro que lhe vão ocupar bem o tempo, encher bem o estômago e deixá-lo bem relaxado num hotel com uma bela vista sobre a paisagem. Está curioso? Enquanto vá abrindo a lista, que nós desvendemos um pouco: conte com passeios de barco, visitas a monumentos imponentes e viagens pela linha do Douro, uma das bonitas de Portugal.

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  • Hotéis

De uma beleza que não passa de prazo, esta região vinhateira merece pelo menos uma visita por ano. Todos sabemos que há muito para fazer no Douro, mas também convém que, antes de nos fazermos à estrada, saibamos onde ficar instalados. Por isso mesmo, estes são os melhores hotéis no Douro para relaxar, passear e pôr os olhos no rio.

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  • Hotéis

Uma estadia por estes lados começa muito antes de se chegar ao destino. Inicia-se assim que as vinhas em socalco do Alto Douro Vinhateiro, suportadas por muros em pedra, outrora construídos à mão, surgem na paisagem. Firmes e ali enraizadas há vários séculos, com uma ou duas linhas de videira, brincam com a nossa percepção da realidade e, nas encostas mais íngremes, parecem desafiar as leis do equilíbrio e precipitar-se nas águas azuis e apetecíveis do Douro. 

Está calor. Ainda não é meio-dia e o termómetro do automóvel já ultrapassou os 30 graus centígrados. E apesar de seguirmos pela N222 (em 2015, um estudo promovido pela Avis Rent a Car, apoiado numa fórmula/equação, elegeu esta estrada, que liga Peso da Régua ao Pinhão, como a melhor estrada do mundo para conduzir) íamos lentamente, com o pedal do acelerador relaxado, atrás de um tractor que marcava o ritmo daquele dia de Verão. Abandonou-nos, pouco depois, rumo a uma das muitas adegas, armazéns ou grandes casas de vinho de Porto que pontilhavam, aqui e ali, as encostas de uma região que, apesar de atrair cada vez mais turistas, vive e orgulha-se do generoso vinho que produz.

  • Coisas para fazer
  • Caminhadas e passeios

O comboio

As carruagens são da década de 40 e foram restauradas para estas viagens. Não têm, por isso, ar condicionado, mas as janelas são amplas e à moda antiga, abrindo-se até meio, o que aumenta a interacção com a paisagem. A locomotiva é mais jovem, nasceu nos anos 60, e também tem um tom vintage.

A viagem

É uma das melhores e mais acessíveis formas de conhecer o Douro. Começa-se na Estação de São Bento às 9.25 e vai-se avançando calmamente até à Estação do Tua, onde se chega quatro horas depois. Nesse trajecto, o interesse aumenta à medida que se passa do quintal à quinta, altura em que o relevo ganha formas diferentes e os socalcos começam a aparecer. É um percurso de encontros e desencontros com o Douro, que se faz colado à janela, de preferência com algum calor à mistura. Há conversas entre passageiros de diversas nacionalidades, mas também com os barcos do rio – estas últimas começam com os apitos do comboio e são continuadas pelos acenos dos passageiros.

As paragens

A viagem tem várias pausas. A estação do Pinhão é uma delas, podendo-se admirar os painéis de azulejos com cenas da produção do vinho do Porto. Sendo a penúltima paragem do percurso Porto-Tua, pode-se sair ali e almoçar num dos restaurantes, com destaque para o Rabelo (no Vintage House Hotel). Já na Régua, há uma pausa de uma hora no regresso, que se pode aproveitar para um copo no Castas e Pratos. Quanto ao Tua, os passageiros têm quatro horas para almoçar no Calça Curta ou na Tua’Mercearia. Também podem visitar a estação, que é um pequeno museu dedicado aos caminhos de ferro.

O MiraDouro é um serviço diário com partida às 9.25 na Estação de São Bento e chegada às 12.28 ao Tua. Depois de uma pausa para almoço e contemplação do Douro, regressa às 16.34 e chega a São Bento às 20.55 (20.30 nos sábados, domingos e feriados). Custa 11,60€ em cada sentido e estará disponível até 30 de Setembro.

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  • Coisas para fazer

Antes do vinho teve uma carreira militar, fez parte da primeira divisão de guardas da rainha de Inglaterra e esteve ao serviço das Nações Unidas no Chipre. Depois disso, uma passagem pela banca. O vinho surgiu por acaso?

Estive à volta do vinho toda a minha vida. Encontrei a minha esposa [Natasha Robertson] a 12 de Março de 1982, em Londres. Casámos em Setembro de 1989 e vim a Portugal em 1994. Entrei para a Taylor’s em Maio desse ano, mas só quatro anos mais tarde é que assumi responsabilidades dentro da empresa. O meu sogro queria que eu ficasse com a presidência para o milénio, por isso, em 2000, assumi oficialmente o cargo de director-geral. Mas, antes disso, a minha carreira militar chegara ao seu pico em Sandhurst [Real Academia Militar em Inglaterra], quando ganhei o prémio de melhor candidato do meu ano, o Sword of Honor. Por isso, depois do exército, fui para a banca. Queria divertir-me [risos].

Foi uma mudança drástica…

Uma das coisas que me define é que não descanso, quero fazer coisas. O sistema militar é mais programado e, para quem quer fazer coisas, não é tão acelerado, daí a passagem para a banca. Em seis anos fazes um grande caminho. Entras com mil euros por mês e passados dois anos podes estar com 100 mil. Mudar para Portugal não foi fácil. Era um país novo, um negócio novo, tudo era diferente. Mas a Taylor’s tem mais de 300 anos e uma empresa com esta idade vale muito. São poucas as que existem no mundo assim. É um negócio da família da minha esposa e eu quis aprender mais. Além de que as minhas experiências diferenciadas ajudaram-me muito. A nível militar, a disciplina, e a nível de investimento bancário, nas compras, na gestão de pessoas, quintas e balseiros.

Como é que estava o sector do vinho do Porto quando cá chegou, em meados dos anos 90, e o que é que aconteceu entretanto?

O vinho do Porto passa sempre por ciclos. Uns bons, outros menos bons. O final dos anos 80 não foi bom, por exemplo. A minha vinda para cá era com o intuito de adicionar valor à empresa. Havia a necessidade de diversificar o nosso peso em outros mercados. Os EUA e o Canadá eram mercados pequenos e agora são substanciais. Quando entrei tínhamos 30 ou 35 mercados e hoje estamos em 103. Há mais internacionalização e, apesar da tradição, temos uma história de inovação. Lançámos um vinho do Porto rosé, o Pink Croft, que faz precisamente hoje [14 de Fevereiro] 19 anos. Tive a ideia em 2005 mas demorou a ser posta em prática. Só em 2008 é que foi para o mercado e acabou por ter uma grande aceitação.

Esse rosé foi uma tentativa de aproximar as novas gerações do vinho do Porto?

Uma grande vantagem do vinho do Porto é que ele tem uma grande autenticidade e as novas gerações querem isso. Hoje, as pessoas até podem beber menos, mas quando bebem, bebem com mais qualidade e até estão dispostas a pagar mais por isso. Pagam a autenticidade, a qualidade, a história do negócio, o sabor… E toda a gente gosta do sabor do vinho do Porto, porque tem fruta, tem estrutura, é doce. Mas tivemos uma tendência muito grande a erguer barreiras perante o consumidor, isto é, em dizer-lhe que ‘com o vinho do Porto faz-se assim e serve-se assado’. Com o Croft Pink não. Não há regras. Com ele fazes o que quiseres, fazes cocktails, por exemplo. Há quem faça granizados.

Mas essa cultura não faz falta? Uma vez vi dois turistas na Avenida dos Aliados a beber vinho do Porto pelo gargalo da garrafa...

Pois…

O The Yeatman, o vosso hotel vínico de luxo, foi pensado para promover essa cultura?

Quando decidimos construir o The Yeatman comecei a viajar pelo mundo a promover o destino. Nós nunca promovemos o The Yeatman, promovemos o destino. O Porto é rico em história, tradições, cultura, arquitectura, comida e bebida e não tinha um hotel que lhe fizesse justiça. Temos cinco restaurantes com estrelas Michelin, um com duas estrelas que é o nosso, e mais 15 ou 20 que podem chegar à estrela. Temos novas lojas, temos coisas fantásticas que quando cá cheguei não existiam. Nessa altura senti que éramos o terceiro mundo da Europa. Hoje estamos na primeira linha e esta transformação, do meu ponto de vista, tem a ver com a alteração da confiança. Ninguém acreditava na nossa cidade. Mas [hoje] os portugueses exigem cada vez mais e melhor.

Investiram 32 milhões na sua construção. Em 2010, quando abriu as portas, as pessoas estavam preparadas para um hotel assim?

Eu analisei o mercado. 300 mil pessoas visitam, por ano, as caves de vinho do Porto. Se uma pessoa está interessada em vinho do Porto, então está interessada em vinhos e isso leva a que esteja interessada em boa comida também. [Portanto] construímos um hotel dedicado ao vinho. Não só ao vinho do Porto, mas sim aos vinhos portugueses, com comida de qualidade, no sentido de chegar à estrela Michelin, e com 82 quartos. Os preços por noite eram de 260€. As pessoas diziam: ‘ele está maluco’ ou ‘o seu hotel é lindíssimo mas é o dobro de um quarto no Sheraton’. Eu respondo que nós oferecemos mais, oferecemos vistas fantásticas, oferecemos individualidade. O nosso segmento é de luxo, de lazer. O Sheraton é de conveniência e de negócios.

Qual foi a vossa taxa de ocupação no ano passado?

Foi de 84%.

Ainda sobre a cultura do vinho e o turismo, o vosso projecto World of Wine tem data prevista de abertura no Verão de 2020. São 100 milhões euros, 30 mil metros quadrados...

Seis museus, dez restaurantes, wine bars, lojas, estacionamento, uma nova praça para a cidade. Há uma grande sinergia nisto. Para uma empresa de vinho do Porto, como é o nosso caso, onde temos consumidores interessados em aprender, quando eles vêm conhecer as nossas instalações, em duas horas temos uma grande oportunidade para lhes dar informação e também para estabelecer uma ligação emocional com o consumidor final. Isto ajuda o nosso core business. Ficam a entender mais sobre a nossa cidade e isto é muito positivo. Mas não promovemos apenas o vinho do Porto, mas sim todos os vinhos portugueses.

Tem, portanto, uma vertente pedagógica?

Sim. Esta cidade tem dois grandes desafios. Primeiro, temos uma época baixa longa e poucos museus, por isso, se queremos captar pessoas na época baixa, precisamos de actividades que eles possam fazer dentro de portas. O segundo desafio é passar a média de 2,6 noites [que os turistas permanecem na cidade] para 3. Temos de os captar. Eu vou promover vinhos do Porto e vinhos de mesa dos meus concorrentes, mas vale a pena porque é por um bem maior. Vamos ter um museu de vinhos portugueses de mesa porque não há nada sobre isso na nossa cidade e vai ser uma empresa que não está envolvida em vinho de mesa que vai construir este museu. Com este museu vamos explicar a metodologia, a região, o solo, o clima, o trabalho agrónomo, o envasilhamento, o processo de fábrica. Vamos chamar a atenção para as especificidades das várias regiões do nosso país. Depois, vamos pôr as pessoas a provar vinhos para descobrirem o seu estilo.

Mas além desse museu há outros.

Vamos ter um museu sobre a história da cidade, outro dedicado à cortiça, outro sobre os copos nos últimos oito mil anos, um dedicado à moda e design e ainda um museu para exposições temporárias, que poderá receber pintura, escultura, carros...

E agora a actualidade. O vosso volume de exportação para Inglaterra é de 35%. É substancial. Com o Brexit, como é que vai ser?

A Inglaterra é um mercado muito importante para nós e, obviamente, agora com o Brexit está tudo na mão de Deus. Não sei. Se Theresa May não sabe, eu não sei. Eu tenho uma opinião – é que ela é maluca em não alterar a sua estratégia quando a volta foi contra. É ridículo. O Brexit é ridículo do meu ponto de vista. Obviamente que há riscos para o nosso negócio porque somos muito dependentes do mercado. Se [o Reino Unido] sai sem acordo, o valor cambial vai cair, vai ter impacto no nosso negócio, vai ter impacto em tudo e all bets are off.

Ainda antes dessa possível saída da União Europeia aconteceu a Climate Change Leadership, de 5 a 7 de Março, onde várias personalidades, como Al Gore, estiveram presentes. De que forma a indústria de vinho pode mitigar os efeitos das alterações climáticas?

A base da produção de vinhos é agrícola, ou seja, somos lavradores. Usamos a palavra terroir, mas a implicação de usarmos essa palavra é sabermos exactamente de onde vêm os nossos vinhos. E por que é que é importante? Porque há algumas especificidades no vinho que outros produtos agrícolas não têm. Temos uma planta forte, muito resistente, que podes plantar em locais remotos, problemáticos, com temperaturas altas e com pouca água. Mas é também um fruto sujeito a doenças, infecções e isto é um problema para os agricultores. O nosso sector é importante. Somos o alimento socioeconómico daquela região, ou seja, se tiras a videira do vale do Douro não há nada lá. Nós somos responsáveis por zonas remotas. E podemos usar toda esta nossa informação. Muitos negócios pensam voltados para si próprios, mas a verdade é que as alterações climáticas atingem a tua quinta e a do vizinho. É o mesmo desafio. Eu preciso de dar o braço ao meu vizinho. Vamos concorrer em história, qualidade, blá, blá, blá, mas não podemos concorrer com alterações climáticas. A base é isto.

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