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Estas são as novas criadoras de moda do Porto

Outubro é o mês da moda no Porto, por isso, damos-lhe a conhecer seis jovens criadoras que estão a dar que falar

Portugal Fashion winter 2016/17
©UGO CAMERA
Por Margarida Ribeiro |
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Pelo nosso país há cada vez mais plataformas que apostam nos jovens criadores e o Porto não é excepção. O Bloom, plataforma do Portugal Fashion, tem apresentado alguns dos talentos mais promissores do design de moda. Para que os possa conhecer melhor, traçamos o perfil de seis jovens criadoras, do Porto e arredores, que estão a dar cartas, dentro e fora das passerelles. A 43ª edição do evento regressa à Alfândega do Porto entre 18 e 20 de Outubro e traz algumas novidades.

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Estas são as novas criadoras de moda do Porto

Nycole
© Marco Duarte

Tânia Nicole, 27 anos

A temporada de Primavera/Verão 2019 vai ser uma estreia para Nycole, a marca criada por Tânia, não por ser a primeira vez que apresenta uma colecção, mas porque estreia as suas propostas na passerelle principal do Portugal Fashion. Para esta leiriense que vive no Porto há quase sete anos, a moda “aconteceu por acaso”. Precisava de escolher um curso para acabar o ensino secundário e gostou tanto que mais tarde decidiu não ficar por aí e seguiu para o ensino superior. Inicialmente, a mãe não gostou muito da ideia, mas ao longo do tempo foi aceitando. Já o pai gostou tanto que de vez em quando vai usando algumas peças da marca. Nycole admite que se foca em roupa para homem, porque considera ser mais fácil entrar nesse mercado. Mas também porque sente mais liberdade para criar, já que não precisa de estar sempre a pensar: “Eu vestiria isto?”. O primeiro passo do seu processo criativo é a ida às feiras para poder escolher os tecidos que quer usar nas peças. São uma das grandes apostas da marca. Depois vem o conceito, e para isso vai, quase sempre, buscar inspiração à música para a poder cruzar com outros mundos. Por exemplo, na colecção que vai apresentar este mês, o destaque vai para o beisebol e para a banda inglesa Led Zeppelin. O futuro da marca passa pela exportação, em especial para o Japão, onde as roupas Nycole já são vendidas em Quioto e Osaka.

“Este casaco consegue representar tanto a minha personalidade como a minha marca. Além disso, a maior parte das coisas que faço são oversized.”

Maria Meira
© Marco Duarte

Maria Magalhães, 24 anos

Ainda estava no sétimo ano quando decidiu que queria ser designer de moda. A influência da mãe, que tem como passatempo a costura, foi decisiva. Agora, já depois de ter estudado design de moda e de ter sido uma das vencedoras do concurso Bloom, a mãe ainda é a primeira pessoa a quem Maria pede ajuda. O ponto de partida das suas colecções é a procura de inspiração no trabalho de um artista plástico. A arte traz-lhe muitas referências. Os tecidos que utiliza são algo muito importante porque “se forem diferentes e impactantes as pessoas não se esquecem tão facilmente da colecção”. O grande objectivo de Maria Meira – nome com que se apresenta – é que as suas peças sejam confortáveis e que fiquem bem a qualquer mulher. Para fazer ligação entre colecções, Maria gosta de baptizá-las com uma palavra abreviada. A primeira chama-se SUB, de subordinação. A vitória que conseguiu em Março dá ainda mais importância à apresentação deste mês, em que a colecção que vai fazer desfilar tem como base o branco e o preto.

“O preto é uma cor que me identifica e que vai estar sempre nas minhas peças. Comecei a usar porque estava a fazer luto e agora só me sinto confortável assim.”

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Sara Maia
© Marco Duarte

Sara Maia, 29 anos

Viajar é algo que quase toda a gente gosta de fazer e para Sara Maia todas as viagens são uma oportunidade para aprender coisas novas. Sara é do Porto e estudou cá, mas quando acabou arranjou um estágio em Lisboa. Depois rumou a Londres para trabalhar com marcas como a Marques’Almeida e quando voltou deixou-se ficar pela capital. Sara quer agitar e mudar mentalidades e é por isso, argumenta, que faz roupa de mulher, que por vezes “não entra nos parâmetros do que é esperado, e muitas vezes com referências masculinas e oversized.” Acredita que as mulheres não deviam levar-se tanto a sério e deviam ser mais descontraídas. Um dos objectivos da designer é criar o blusão de ganga perfeito, por isso, não fique surpreendido se o vir desfilar em todas as colecções. Tal como Nycole, nesta temporada Sara Maia vai ser promovida para a passerelle principal do Portugal Fashion. Mas a designer quer deixar bem claro que ainda se sente uma jovem designer: “ainda não descobri completamente a minha identidade”.

“O casaco que trouxe mostra o meu estilo, mas também é o resultado de uma fase que quero terminar. Já trabalhei corta-ventos na colecção de Primavera/ Verão 2018 e agora para a de 2019 também, então sinto que já explorei tudo o que era preciso.”

Daniela Pereira
© Marco Duarte

Daniela Pereira, 24 anos

“Um homem que goste de vestir peças masculinas, mas que também queira mostrar que é delicado e que tem sentimentos.” É assim que Daniela define a pessoa que veste as suas peças. A designer, que se apresenta com o seu nome próprio, diz que faz roupa para homem porque “é mais desafiante e permite criar coisas muito diferentes e fora da caixa”. O tema é, para Daniela, o aspecto mais importante quando chega a hora de pensar numa nova colecção. A música é sempre uma das suas grandes inspirações. À música alia depois algum motivo de que goste ou um mote de intervenção social e política, alguma coisa que a esteja “a incomodar e de que seja necessário falar, para as pessoas saberem o que se está a passar”. Exemplo disto é a primeira colecção que apresentou no Portugal Fashion, em Março, onde o Black Panther Party Movement – movimento criado nos anos 60 na sequência do assassinato de Malcom X – foi a sua maior inspiração. Para Daniela, é importante ter controlo sobre tudo o que é produzido para os seus desfiles e por isso cerca de metade das peças é feita por si. A próxima colecção, que marca a sua segunda apresentação no evento, é inspirada na bailarina Pina Bausch.

“O colete é da próxima colecção e caracteriza bem o meu trabalho porque, apesar de ter um corte muito clássico, é cintado, algo que normalmente é mais característico da roupa de mulher.”

 

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Joana Braga
© Marco Duarte

Joana Braga, 22 anos

A carreira de Joana como designer de moda começou bem cedo. Na altura ainda “brincava com Barbies e fazia-lhes roupa com guardanapos.” Andou algum tempo confusa sem saber o que queria fazer, ainda pensou em ser médica, mas o seu lado criativo foi mais forte e quando chegou a hora de escolher um curso decidiu-se por Design de Moda na ESAD – Escola Superior de Artes e Design. O facto de viver em Barcelos, cidade importante para a indústria têxtil, também ajudou. Com o tempo, na faculdade começaram a surgir concursos como o Jovens Criadores PFN, o I9 Jovem e, claro, o Bloom, onde participou como aderecista, e a vontade de criar cresceu. Começou por fazer apenas roupa feminina, mas também desenha para homem. Isto permite-lhe ter “um público mais amplo” e não se aborrecer com tanta facilidade. O gosto pela escrita e poesia é algo que tenta sempre incluir nas suas peças e é por isso que procura sempre contar uma história com cada colecção que apresenta. Neste momento, depois de vencida “uma pequena crise criativa”, está a trabalhar na colecção de Primavera/Verão 2019 que vai apresentar no Bloom.

“É uma das peças com que mais me identifico, é oversized e feita com um tecido de gabardine. Tenho feito muita camisaria e esta é da colecção que apresentei no Altaroma, este ano.”

Olimpia Davide
© Marco Duarte

Sara Marques, 24 anos

O nome Olimpia Davide foi escolhido por Sara Marques como uma forma de homenagear os seus pais. Aliás, tudo na marca da jovem designer é dedicado à família. Por exemplo, já apresentou peças inspiradas no avental da avó e nos casacos do irmão. “A marca é essencialmente feita de memórias, histórias, fotografias e coisas muito pessoais”, explica. É por isto que Sara considera que a mulher que veste as suas criações é alguém que “ao comprar roupas dos criadores, gosta de conhecer a história que está na origem da peça” e que acaba por se identificar com isso. O interesse pela moda esteve sempre presente, mas Sara só considerou o design de moda como profissão quando chegou a hora de ingressar no ensino superior. A ESAD – Escola Superior de Artes e Design foi o local escolhido e lá aprendeu tudo o que sabe e aplica hoje em dia. Sara está agora a trabalhar como designer de malas na Parfois e não vai apresentar colecção este mês. Esta pausa vai servir para aprender a trabalhar numa nova área e para reflectir, mas a intenção não é parar – em breve poderemos voltar a ver as suas criações na passerelle.

“Faço muitas assimetrias e este macacão tem uma parte plissada que quase parece uma saia. Isto define-me porque o meu estilo vai mudando de acordo com o meu humor .” O casaco é da sua última colecção, “é inspirado no meu irmão e é um bocadinho masculino.”

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Júlio Torcato
Foto Ugo Camera
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