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Castro de Nuno Cardoso no TNSJ
© João TunaDepois de estrear em Aveiro, 'Castro',de Nuno Cardoso sobe a palco em casa

Centenário do Teatro Nacional São João assinala-se até 2021 e junta três directores artísticos na programação

Por Maria Monteiro
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Após quatro meses de portas fechadas devido à pandemia, o Teatro Nacional São João (TNSJ) inaugura a temporada 2020/2021 a 6 de Agosto com a estreia de O Burguês Fidalgo, encenação da portuense Palmilha Dentada a partir de Molière, que fica em cena no Teatro Carlos Alberto (TeCA) até dia 23. Esta era uma das co-produções previstas para a temporada 2019/2020 e que, face à suspensão da programação, foram recalendarizadas. 

O reagendamento de todas as co-produções, assim como o acolhimento de novos espectáculos nacionais e internacionais, resulta numa vasta programação repartida entre o TNSJ, o TeCA e o Mosteiro de São Bento da Vitória, com 15 estreias, três produções próprias, quatro produções internacionais e mais de 20 co-produções, que têm lugar até Março de 2021, o mês em que se assinala um ano sobre as comemorações do centenário. 

Nos próximos meses, o Teatro Nacional São João recebe os espectáculos de três directores artísticos que por ali passaram e que “contribuíram para a criação e desenvolvimento do tecido teatral do Porto e do país”, descreve o comunicado de imprensa. São eles Ricardo Pais, que “foi o ideólogo do primeiro Teatro Nacional a norte e no pós-25 de Abril” e dirigiu a instituição entre 1995 e 2009, Nuno Carinhas, que ocupou o cargo de director artístico entre 2009 e 2018, e Nuno Cardoso, que entrou em funções no início de 2019.

É com Castro, encenação de Nuno Cardoso a partir do texto de António Ferreira — estreada no Teatro Aveirense em Março, a propósito do arranque do centenário, como reforço da política de descentralização da instituição — que a programação segue a todo o fulgor entre 20 de Agosto e 12 de Setembro, no São João. Aquela que é a primeira produção com uma companhia quase residente segue, depois, para uma série de apresentações em Coimbra (Convento São Francisco, 15 de Outubro), Braga (Theatro Circo, 23 de Outubro) e Lisboa (Centro Cultural de Belém, 21 e 22 de Janeiro) e viaja, depois, para Luxemburgo (Théâtre National du Luxembourg, 5 e 6 de Fevereiro).

Depois de levar a palco A Morte de Danton, de Georg Büchner, e Castro, Nuno Cardoso debruça-se sobre O Balcão, de Jean Genet, “misto de comédia artística, drama metafísico e farsa fúnebre” que pode ser visto entre 4 e 21 de Novembro, e KastroKriola, de Caplan Neves, resultado de uma “residência artística de artistas e técnicos cabo-verdianos no TNSJ”, viabilizada por uma parceria entre o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, o Ministério da Cultura de Portugal e o TNSJ. 

Já Nuno Carinhas regressa a casa para co-estrear Comédia de Bastidores com João Cardoso, numa co-produção TNSJ e ASSéDIO que parte da obra de Alan Ayckbourn. O acolhimento de companhias da cidade é uma forte linha programática dos próximos oito meses; ao longo desse período, estarão em cena Antígona do Teatro Experimental do Porto (TEP), Lorenzaccio do Teatro do Bolhão, 20.20 da Circolando, Língua da Estrutura, Família Inglesa da Mala Voadora e As Três Irmãs do Ensemble - Sociedade de Actores.

Entre 3 a 5 de Dezembro, será a vez de Ricardo Pais se apropriar, de novo, do palco do TNSJ, com talvez… Monsanto, espectáculo que junta a actriz Luísa Cruz e o fadista Miguel Xavier e que, a partir de “uma ‘coreografia’ de gestos, imagens e sons, representa a imensa tristeza e ao mesmo tempo alegria de ser português”.

No alinhamento internacional, destaca-se Bajazet, considerando o Teatro e a Peste, de Frank Costorf, director do teatro berlinense Volksbüne, a partir de Jean Racine e Antonin Artaud, a 17 e 18 de Setembro; Qui a tué mon père, do Théâtre National de Strasbourg, a 8 e 9 de Janeiro, e KAMP, de Herman Helle, Pauline Kalker e Arlène Hoornweg, uma “viagem pelo quotidiano do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau”, inserido no Festival Internacional de Marionetas do Porto (FIMP), a 9 e 10 de Outubro.

Destaca-se, ainda, o espectáculo-maratona A Vida Vai Engolir-vos, de Tónan Quito, que mergulha nas peças mais significativas de Anton Tchékhov e se desdobra em duas partes que serão apresentadas, alternadamente, entre o São João (18 e 19 de Setembro) e o Rivoli (17 e 19 de Setembro).

O ciclo Dancem!, que vem destacando a dança com uma presença intermitente no TNSJ desde 1996, está de volta em Janeiro com três espectáculos: Sons Mentirosos de Sofia Dias & Vítor Roriz, Neve de Né Barros e Autópsia de Olga Roriz. A programação completa pode ser consultada aqui.

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