Bela Gil: “Quando a gente come mal impacta o mundo negativamente”

A Time Out esteve à conversa com Bela Gil, filha do famoso músico brasileiro Gilberto Gil, e fenómeno da cozinha saudável no Brasil
© Arlindo Camacho
Por Teresa Castro Viana |
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Com um milhão de seguidores no Instagram, um canal no Youtube, um programa de televisão no GNT e um olhar atento sobre a alimentação saudável, Bela Gil esteve no Porto para apresentar Bela Cozinha, o seu primeiro livro lançado em terras lusas. A Time Out aproveitou a sua passagem pela Invicta para descobrir o que é que essa baiana tem.

Para si, a alimentação saudável é um estilo de vida. Como surgiu o interesse por esta área?

Quando tinha uns 14, 15 anos comecei a praticar yoga e a minha vida se transformou porque a minha relação com o alimento mudou. Meu corpo foi naturalmente rejeitando alguns alimentos... não necessariamente alguns alimentos mas o modo como eu os consumia. O excesso de açúcar, de carnes vermelhas, de produtos industrializados e junk food. Aos 18 anos fui morar em Nova Iorque e comecei a cozinhar porque queria manter esse bem-estar. Nesse momento eu fiquei muito apaixonada pela nutrição e pela culinária. Fiz a faculdade de nutrição, fiz curso de culinária natural e estudei também macrobiótica.

Tem sido difícil implementar hábitos mais saudáveis no dia-a-dia dos brasileiros?

No começo era muito difícil. Muitas pessoas achavam que o que eu falava era completamente estranho, como se eu fosse um E.T. quase. Mas agora eu acho que estão muito mais abertas porque estão vendo os benefícios de uma alimentação saudável.

O Brasil é um país riquíssimo em matéria-prima. Quais são os seus produtos preferidos?

O inhame, por exemplo, é um alimento muito típico brasileiro. Na verdade tem uma origem africana mas é muito usado e muito cultivado no Brasil. E tem propriedades medicinais e nutricionais maravilhosas. Vocês aqui têm a batata e a gente tem o inhame mas em relação aos aspectos nutricionais é muito superior. Que mais? A gente tem frutas maravilhosas como o açaí, por exemplo, que é uma fruta riquíssima, muito gostosa; tem o óleo de coco...

E aqui em Portugal, que ingredientes mais a entusiasmam?

A sardinha é um peixe que eu amo. O azeite também é um óptimo ingrediente mas o brasileiro tem medo de cozinhar com azeite. Esses vão voltar comigo no coração e na mala.

De que forma tem passado esta cultura da alimentação saudável aos seus filhos?

Por via de regras, em casa não tem refrigerante, biscoitinho – se ela [Flor, a filha mais velha de Bela Gil] quer um biscoito, eu faço um biscoito, se ela quer um sorvete, eu faço um sorvete. Criança aprende por observação. Há pais que dizem "Eu quero que meu filho coma bem", mas não adianta você comer pizza no jantar e esperar que o seu filho coma salada.

Como surgem novas receitas?

É muita pesquisa, muitas viagens. Essa viagem, por exemplo, está sendo super inspiradora. As receitas aparecem muito... as desse livro são receitas que eu faço assim por necessidade com o que tem em casa.

Que conselhos dá a quem quer entrar no mundo da alimentação saudável?

Em primeiro lugar, começar fazendo pelo menos uma refeição em casa. É muito importante ter uma conexão com os alimentos. É muito importante porque com isso você vai entender que uma batata frita feita em casa é muito melhor que uma batata frita de fast food porque você sabe o que tem, como foi frito, como foi feito. Em segundo lugar, evitar ao máximo os produtos embalados. 

A sua abordagem natural à vida e ao corpo estende-se até onde?

Até onde for a minha criatividade. Faço o meu creme dental, o meu desodorante e estou começando a estudar como fazer produtos de limpeza. O meu objectivo é ter um impacto menos agressivo na sociedade. Eu sou a favor do comércio justo, do consumo consciente e de uma vida mais sustentável. 

A um nível macro, acha que a má alimentação é responsável por muitos problemas no mundo? Não falamos só em meras questões de saúde...

Eu acho que pode estar na origem de quase todos porque quando a gente come mal impacta o mundo negativamente. A gente pode começar a enxergar o prato de comida como uma ferramenta para mudar o mundo para melhor.

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