Manuel António Pina e o seu Herói

No âmbito das celebrações dos 40 anos da Pé de Vento, a companhia leva ao Teatro Carlos Alberto 'O Senhor Pina', um espectáculo sobre o jornalista, escritor e poeta falecido em 2012. Conversamos com o encenador João Luiz
O Senhor Pina
©Marco Duarte Patrícia Queirós e Jorge Mata
Por Mariana Duarte |
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Em 2018, a Pé de Vento celebra 40 anos. No início 
estava lá Manuel António Pina (1943-2012), que foi, entre as muitas coisas em que se tornou, co-fundador da companhia. 
O mesmo Pina que, em 2018, faria 75 anos. Três boas razões que conduziram a este novo espectáculo da Pé de Vento, 
O Senhor Pina, em cena entre quinta 10 e domingo 13 no Teatro Carlos Alberto (TeCA), numa co-produção com o Teatro Nacional São João.

Encenada por João Luiz, co-criador e director artístico da companhia, esta peça é uma homenagem a uma das figuras mais marcantes e queridas
 do Porto, que se desdobrou
 em escritor, poeta, jornalista, cronista, dramaturgo, advogado e, claro, um apaixonado por gatos. Uma homenagem que, na verdade, já vem de trás.
 “Em Outubro, no início desta temporada que assinala os 40 anos da Pé de Vento, estreámos O Pássaro da Cabeça, também do Manuel António Pina. E ainda temos algo a fazer no final do corrente ano”, diz João Luiz. “Deveríamos ter feito em Fevereiro um outro projecto, que era voltar a uma montagem de textos dele, mas dadas as condições financeiras fomos obrigados a cancelar.”

O Senhor Pina, interpretado por Patrícia Queirós e Jorge Mota, parte do livro homónimo publicado em 2013, com texto de Álvaro Magalhães e desenhos do pintor Luiz Darocha. Se O Pássaro da Cabeça vertia 
para o palco o pulsar da obra poética do autor, em particular aquela inscrita num universo de literatura infantil, com um texto que tinha ficado por fazer nos anos 1980, este espectáculo coloca o foco em Pina – ou, melhor dizendo, “nas várias pessoas que ele foi e o que ele foi procurando ao longo da vida”.

Tudo na companhia do ursinho Puff, de As Aventuras de Joanica Puff. “Ele encontrava no Puff esse taoísmo, esse encontro com a infância, esse reencontro com um olhar primordial sobre as coisas. O Álvaro, após a morte de Pina, fez essa homenagem e pô-lo com o seu herói em cena.”

O que à primeira vista pode parecer um texto mais orientado para o público infanto-juvenil, segundo a rotulagem instituída pelos teatros, vai-se revelando de um existencialismo bastante lúcido, tocante e algo agridoce, sobre uma inocência, um desprendimento e uma alegria perdidos na infância, sobre o “encontro e desencontro entre
 o que é preciso fazer, entre a obrigação e a devoção” (daí a mesa apinhada de livros, na 
foto, numa cenografia muito portuense).

“Ele, através da linguagem, da sua maneira de ser, talvez tenha conseguido chegar a esse reencontro com a infância”, sugere o encenador. A completar esta estreia, sábado 12 o TeCA recebe uma conversa sobre a obra dramática de Pina, com entrada gratuita. “Todos os textos teatrais dele têm um olhar sobre a maneira de estar que
 não tem a sua poesia e os outros textos”, considera João Luiz. “O teatro é o olhar de jogo, e o grande jogo da linguagem que o Manuel António Pina fez está no teatro.”

Teatro Carlos Alberto. Qui 10 - Dom 13. Qui 21.00, Sex 15.00 + 21.00, Sáb 19.00, Dom 16.00. 10€.

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