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Covão dos Conchos
Covão dos Conchos

Fomos à Serra da Estrela e não vimos neve

Partimos de Seia, fizemos um desvio até Manteigas e terminámos na Covilhã. Pelo caminho, apaixonámo-nos pela natureza em estado puro, pela (farta) comida beirã e descobrimos que a serra não é só paisagem

Escrito por
Nelma Viana
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Nós portugueses temos uma relação complicada com o Inverno. Por um lado, negamos a sua existência sempre que escolhemos uma esplanada para tomar café debaixo de temperaturas próximas de zero: – Está frio? Está, muito, mas não interessa nada porque ficar na rua é melhor. Por outro, sempre que alguém ousa dizer que o nosso clima é praticamente tropical mesmo em Janeiro, afiamos os dentes e sacamos 
da carta mágica: a Serra da Estrela, onde há neve, sim, senhores, um vale glaciar e até uma estância de ski. E também há estradas que estão quase sempre cortadas e que impedem a subida até à Torre, a 1993 metros de altitude, que é onde a neve se acumula de forma generosa e onde se pratica o desporto amador mais barato do mundo: o ski em saco plástico ou trenó improvisado. No entanto, mesmo não conseguindo chegar ao cume, há uma série de boas surpresas naturais e urbanas nas redondezas que devem ser vistas pelo menos uma vez na vida. Chamemos-lhe o triângulo do Parque Natural da Serra, um percurso rápido que une Seia à Covilhã, com passagem por Manteigas.

Fomos à Serra da Estrela e não vimos neve

Seia
©jfcfar

Seia

Partindo de Seia o caminho é sempre para cima e, para ganhar fôlego (ainda que tenha de ir de carro), a pequeníssima freguesia de São Romão é um bom primeiro ponto de paragem. Há pouca coisa para ver por lá à excepção das 11 capelas em homenagem à Nossa Senhora do Desterro e uma árvore centenária de tronco largo e raçudo e na qual, reza a lenda, se deve bater com o rabo três vezes, dar um abracinho e pedir um desejo. Crendices à parte, foi o que nos foi aconselhado pela Dona Idalina, a proprietária do restaurante Margarida I (Senhora do Desterro, São Romão), mesmo em frente ao local de culto e onde se come o único bacalhau com amêndoas das redondezas e uma canja de pato memorável.

Próximo objectivo: chegar à Lagoa Comprida e preparar-
se para enfrentar o frio num percurso de 5 km que termina 
no famoso Covão dos Conchos, o buraco mágico que parece obra de outros mundos mas que na realidade é um túnel de betão construído por humanos para escoar a água da Ribeira das Naves. O covão está mesmo junto à margem mas não vale a pena ser ganancioso e aproximar-se demasiado – a neve, quando a há, é fofinha mas o gelo nem por isso... e escorrega que se farta. Apesar de tendencialmente plano, o caminho tem algumas subidas 
desafiantes,
 mas nada que 
não se faça com as sapatilhas certas
 (e uma garrafa de 
água para ajudar). A má notícia é que para regressar ao carro, que terá ficado estacionado na Lagoa, são outros 5 km para baixo.

Manteigas
©DR

Manteigas

Daí siga para Manteigas 
em direcção à Burel Factory para conhecer a origem 
das mantas e almofadas 
de lã com padrões vintage surpreendentemente sóbrios
 e elegantes que se vêem nas montras das lojas de decoração mais concorridas do Porto e de Lisboa. Na verdade, o burel, que é do que são feitos os capotes 
de pastor, é considerado a lã mais quente e resistente do mundo e tem origem nas ovelhas bordaleiras, que por acaso são uma espécie local e exclusiva da Serra da Estrela.

Contas feitas ao tempo, é melhor ir andando para a Covilhã.
 A distância em linha recta desde Manteigas seria de pouco mais de 13 km mas com uma estrada florestal pelo meio e muitas curvas e contracurvas, a viagem pode levar cerca de três quartos de hora a completar.

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Covilhã
©DR

Covilhã

Um dos bons motivos para ir à Covilhã é a célebre Laranjinha, uma taberna à antiga que se distingue pelo pastel de molho, uma especialidade de massa folhada com recheio de vitela desfiada, caldo de vinagre e açafrão (€3,5). Ao jantar e ao fim-de-semana não vale a pena aparecer sem reserva, a casa está sempre cheia e com uma fila suficientemente demorada para fazer qualquer um perder a fome.

No centro histórico, transformado em galeria ao ar livre, siga o roteiro de street art e demore-se no mural criado pelo argentino Francisco Bosoletti na edição de 2017 do Wool Festival de Arte Urbana, que todos os verões põe a cidade no circuito da arte e cultura internacionais. Regresse à base com calma e, se tiver tempo, passe pelo Museu do Queijo, em Peraboa, para levar um exemplar a sério de queijo da Serra. Daquele mesmo a sério, que só por si faz valer a longa viagem.

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